Em meio a protestos, presidente do Egito defende decreto que amplia poderes

O presidente egípcio, Mohamed Mursi, prometeu nesta sexta-feira (23/11), diante de milhares de partidários islamitas, que o Egito está no caminho da democracia, durante um dia marcado por manifestações a favor e contra sua decisão de assumir mais poderes. “O que quero é a estabilidade política, a estabilidade social e econômica e é para isso que trabalho”, declarou Mursi em um longo discurso diante de seus partidários, reunidos próximos ao palácio presidencial.

Opera Mundi, 23 de novembro de 2012

As críticas à decisão de Mursi vieram de outros países também. Washington lembrou que “uma das aspirações da revolução era garantir que o poder não estivesse concentrado nas mãos de uma só pessoa ou de apenas uma instituição”. A União Europeia pediu a Mursi para respeite “o proceso democrático” e a França considerou que as medidas adotadas na quinta-feira não vão “por um bom caminho”.

“Ninguém pode deter nossa marcha para frente (…) Estou cumprindo minha função para servir a Deus e a nação e tomar as decisões após consultar todos”, insistiu Mursi, citado pela agência oficial MENA.

Protestos

Na emblemática praça Tahrir, epicentro da revolta de 2011, a poucos quilômetros do palácio presidencial, milhares de pessoas convocadas por personalidades ou movimentos leigos e liberais gritavam “Mursi ditador”. Os opositores começaram à noite um protesto na praça Tahrir para exigir que o dirigente islamita revogue sua decisão de conceder a si mesmo mais poderes.

“Todas as forças políticas revolucionárias concordaram em iniciar um sit-in nesta sexta-feira”, declarou em um comunicado a Corrente Popular liderada por Hamdin Sabahi, candidato da esquerda que ficou em terceiro lugar nas eleições presidenciais de junho. Sabahi convocou uma grande manifestação para terça-feira.

No momento, 26 movimentos e pequenos partidos aceitaram participar do sit-in, um tipo de protesto em que os manifestantes permanecem sentados bloqueando vias públicas, afirmaram os organizadores à AFP. Nas ruas próximas à praça, houve enfrentamentos nesta sexta-feira entre jovens e policiais.

No restante do país, segundo a televisão pública, os escritórios do PLJ, o partido de Mursi, foram incendiados em Ismailiya e Port Said. Em Alexandria, os manifestantes incendiaram também algumas instalações do partido da Irmandade Muçulmana, após enfrentamentos com partidários de Mursi. Em Sharm el Sheikh, nas margens do Mar Vermelho, centenas de manifestantes se manifestaram ao gritos de “Não a uma revolução combinada com autoritarismo”.

Decreto

Mursi, primeiro presidente civil e islamita do país mais populoso do mundo árabe, atribuiu a si mesmo, em uma “declaração constitucional”, o direito de tomar decisões ou medidas inapeláveis para proteger a revolução de 2011. Seus partidários consideram que esta iniciativa permitirá estabilizar a transição democrática do país.

Contudo, a oposição o considera uma ameaça no caminho para a democracia e um “golpe de Estado” que põe em xeque as conquistas da revolta que derrubou, em 2011, o ditador Hosni Mubarak.

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