Greve na Foxconn que produz o iPhone 5

Em protesto contra as condições de trabalho desumanas a que são submetidos e às novas regras de controlo de qualidade, cerca de 4 mil trabalhadores aderiram à paralisação.

Tomi Mori, Esquerda.net, 8 de outubro de 2012

Segundo a organização China Labor Watch, os trabalhadores da Foxconn, em Zhengzhou, que produz o iPhone 5 da Apple, fizeram uma greve, sexta-feira, contra as condições de trabalho desumanas a que são submetidos para produzir esse telemóvel. Foram introduzidas novas regras de controlo de qualidade e os funcionários foram obrigados a trabalhar mesmo durante o feriado. É preciso lembrar que as jornadas de trabalho na Foxconn, mesmo em dias de calmaria, são longas e extenuantes. A pressão exercida é tão grande que alguns inspetores de qualidade chegam a agredir os trabalhadores.

A Foxconn nega que tenha ocorrido uma greve, mas mesmo a agência de notícias chinesa Xinhua divulgou que alguns fizeram greve por algumas horas. Segundo a China Labor Watch, cerca de 4 mil trabalhadores aderiram à paralisação.

Esta greve ocorreu apenas passados alguns dias da revolta dos trabalhadores da unidade de Taiyuan da Foxconn, que teria envolvido cerca de 2 mil operários, mas cuja cobertura ficou envolta numa névoa, já que não existem informações precisas sobre o que de facto ocorreu naquela fábrica.

Fábricas ou prisões?

As condições de trabalho nas unidades da Foxconn fazem lembrar os relatórios dos inspetores de trabalho ingleses, utilizados por Fredrich Engels para escrever “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”, no século XIX.

Quase dois séculos depois vemos as empresas mais avançadas de tecnologia, como a Apple, a Dell, a HP, a Motorola, a Nintendo, a Sony e a Nokia, utilizarem uma empresa que mantém os seus trabalhadores como presidiários fabris, sem se importarem com o destino dessas pessoas, cujos corpos são sugados até a última gota possível e as suas mentes colocadas no mais alto grau de pressão nem sempre suportável. Por esse motivo, a Foxconn saltou para o noticiário mundial, em 2010, quando uma onda de suicídios tirou a vida de 14 jovens trabalhadores.

As gigantescas fábricas da Foxconn e os seus dormitórios são mais próximas a um campo de concentração do que a fábricas propriamente ditas. Opinião essa compartilhada não por agitadores profissionais, mas, por professores de diversas universidades que estudam o problema. Seria de se perguntar se aqueles método de trabalho e controlo seriam aceitos nos países que contratam os trabalhos de montagem da Foxconn, como os EUA, o Japão ou a Finlândia.

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