Grande Barreira de Coral perde 50% de sua cobertura em menos de 30 anos

Tempestades, branqueamento e aumento da população da estrela-do-mar-coroa-de-espinhos estão entre as principais causas e seriam relacionadas com as mudanças climáticas e com o excesso de poluição.

Jéssica Lipinski, Instituto CarbonoBrasil, 4 de outubro de 2012

Uma nova análise conduzida pelo Instituto Australiano de Ciências marinhas (AIMS) revelou nesta semana que a Grande Barreira de Corais australiana perdeu cerca de metade de sua cobertura em 27 anos.

O estudo, publicado nesta segunda-feira (1) no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), se baseou em aproximadamente duas mil pesquisas anteriores de a partir de 1985 e descobriu que a perda ocorreu principalmente devido aos danos provocados por tempestades e ciclones, pelo branqueamento dos corais e pelo aumento da população da estrela-do-mar-coroa-de-espinhos.

“Esse último estudo fornece evidências convincentes de que os impactos cumulativos de tempestades, estrelas-do-mar-coroa-de-espinhos e dois eventos de branqueamento tiveram um efeito devastador no recife nas últimas três décadas”, comentou John Gunn, diretor do AIMS.

Segundo a análise, dois terços da perda ocorreram desde 1998 e a taxa de declínio aumentou nos últimos anos, chegando a 1,45% anuais desde 2006. “Se a tendência continuar, a cobertura de corais pode ser reduzida pela metade novamente até 2022”, alertou Peter Doherty, pesquisador do instituto.

Das três causas, a principal foram as tempestades e ciclones tropicais, que corresponderam a 48% da perda. A explosão populacional das coroas-de-espinhos foi responsável por 42% da perda e o branqueamento dos corais, causado pelo excesso de CO2 nos oceanos, por 10%. “A intensidade dos ciclones está aumentando com as temperaturas oceânicas mais quentes, embora os aumentos previstos sejam maiores no Hemisfério Norte do que no Hemisfério Sul. A frequência e intensidade do branqueamento de corais são uma grande preocupação, e estão atribuídas diretamente à elevação de gases do efeito estufa na atmosfera”, escreveram os cientistas.

Mas embora o surto populacional das coroas-de-espinhos prejudique grandemente a barreira, os pesquisadores acreditam que esse seja o problema mais fácil de ser solucionado, já que existem opções notadamente eficazes para esse desafio, como reduzir o despejo de resíduos agrícolas nos mares e melhorar a qualidade da água.

“Quando dizemos surtos, queremos dizer explosões das populações de coroas-de-espinhos em um nível no qual os números são tão grandes que elas acabam comendo mais de 90% do recife de coral. Desde 1962 houve grandes surtos a cada 13-14 anos”, explicou Gunn.

“Não podemos parar as tempestades, e o aquecimento do oceano (a principal causa do branqueamento de corais) é um dos impactos críticos das mudanças climáticas globais. No entanto, podemos agir para reduzir o impacto da coroa-de-espinhos”, acrescentou ele. “O estudo mostra que na ausência de coroas-de-espinhos, a cobertura de corais aumentaria em 0,89% por ano, então mesmo com perdas devido a ciclones e branqueamento pode haver uma recuperação lenta”, completou.

Já o controle sobre a destruição causada pelas tempestades e ciclones e pelo branqueamento é mais complicado e necessita de ações mais abrangentes, mas nem por isso deixa de ser possível.

“Isso é desafiador mas inteiramente atingível e há muitos projetos comunitários pelo mundo demonstrando isso”, observou David Curnick, coordenador do programa marinho e de água doce da Sociedade Zoológica de Londres.

Entretanto, os autores chegam à conclusão de que a preservação da Grande Barreira de Corais está mesmo na mão dos seres humanos. “Podemos atingir uma melhor qualidade da água, podemos enfrentar o desafio da coroa-de-espinhos, podemos continuar a trabalhar para garantir que a resiliência do recife às mudanças climáticas seja melhorada”.

“No entanto, seu futuro também depende da resposta global à redução de emissões de dióxido de carbono. O declínio dos corais revelado por esse estudo – chocante como é – já aconteceu antes que os impactos mais severos do aquecimento oceânico e da acidificação associados às mudanças climáticas entrassem em ação, então sem dúvida temos mais desafios pela frente”, concluiu Gunn.

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