Desencanto com a política na eleição em São Paulo

O desencanto com a política domina esta eleição em São Paulo como nunca se viu antes, nem mesmo na época do regime militar, em que não havia eleições diretas para prefeitos de capitais, governadores e, claro, presidente da República.

Ricardo Kotscho em artigo no seu blog, 4 de outubro de 2012

Nem parece que estamos a menos de 72 horas da abertura das urnas eletrônicas. O único sinal de que teremos eleições em São Paulo neste domingo se vê nas bandeiras empunhadas por cabos eleitorais contratados pelas campanhas e se ouve nos carros de som tocando jingles dos candidatos. O desencanto com a política domina esta eleição em São Paulo como nunca se viu antes, nem mesmo na época do regime militar, em que não havia eleições diretas para prefeitos de capitais, governadores e, claro, presidente da República.

O que mais tenho ouvido por onde passo é gente falando que, se pudesse, nem iria votar. Não há discussões acaloradas entre eleitores dos candidatos que ainda disputam uma vaga no segundo turno, não se vê carros com adesivos, a não ser os que estão a serviço das campanhas, não há interesse em pegar os panfletos distribuídos nas ruas.

Até a tarde desta quinta-feira, último dia autorizado pela Justiça Eleitoral para manifestações públicas, nenhum comício conseguiu reunir mais de três mil pessoas, numa cidade de 12 milhões de habitantes.

Caiu a audiência do horário eleitoral na televisão, sumiram os militantes não remunerados, com camisetas, broches e argumentos, tentando convencer eleitores a votar no candidato do seu partido. É absoluto o desinteresse em discutir as propostas dos candidatos.

O único assunto que ainda desperta algum calor é a divulgação de novas pesquisas mostrando o frenético sobe e desce dos candidatos, sem que tenham surgido nas últimas semanas fatos novos bombásticos a justificar tamanha oscilação dos números.

É tal a apatia dos paulistanos que nem mesmo o fato de três candidatos – Celso Russomanno, do PRB, José Serra, do PSDB, e Fernando Haddad, do PT – chegarem embolados à reta final, com resultado absolutamente imprevisível sobre quem se classifica para o segundo turno, é capaz de despertar maiores emoções na platéia de eleitores.

Na nova pesquisa Datafolha divulgada quarta-feira à noite, Russomanno caiu mais cinco pontos e ficou com 25, depois de ter atingido 35% duas semanas atrás; Serra subiu um e foi a 23%, o que caracteriza empate técnico com o líder, enquanto Haddad passou de 18 para 19%, em empate técnico com o segundo colocado.

O número que, no entanto, mais revela o estado de espírito dos eleitores em São Paulo é o da pesquisa espontânea, aquele que mostra os votos mais consolidados: nada menos do que 37% dos que foram ouvidos pelo Datafolha não souberam indicar o nome de nenhum candidato. Ou seja, na semana decisiva da campanha eleitoral, mais de um terço do eleitorado paulistano ainda não sabe responder de bate pronto, sem que lhe seja apresentada uma lista de candidatos, em quem pretende votar no domingo.

Com o julgamento do mensalão dominando o noticiário político nos últimos dois meses, a campanha eleitoral acabou ficando em segundo plano e o cancelamento dos debates na televisão esta semana tornou ainda mais difícil qualquer previsão a esta altura do campeonato.

Entramos num túnel escuro. Pode acontecer qualquer coisa – até Gabriel Chalita, do PMDB, que vem subindo na chegada, despontar junto com os outros três na próxima pesquisa.

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