Era uma vez a religião?

No mundo, cada vez menos pessoas se consideram crentes – independentemente da fé que professam e se frequentam efetivamente um lugar de culto regularmente. Mas em nenhum país do mundo (com exceção do Vietnã), essa queda é mais rápida do que na já ex-catolicíssima Irlanda, ainda abalada pelos abusos de menores e pelos encobrimentos dos pedófilos na Igreja Católica.

Alessandro Speciale, Vatican Insider, 10 de agosto de 2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Reproduzido de IHU On-line.

Os dados – publicados no Índice Global de Religião e Ateísmo (disponível aqui, em inglês), pesquisa realizada pela WIN-Gallup International – mostram que, de 2005 até hoje, o percentual de irlandeses que se definem como “religiosos” passou de 69% para 47% da população: uma queda de 22%, ligeiramente superado somente pelo número registrado no Vietnã, onde apenas três em cada dez pessoas se definem como “religiosas”.

Graças a esse dado, a Irlanda entrou no “top ten” dos países menos crentes do mundo: uma classificação liderada não surpreendentemente pela China (onde apenas 14% das pessoas se definem como “religiosas”) e em que também aparecem o Japão, República Tcheca, Coreia do Sul, França, Alemanha, Holanda e Áustria. Na Irlanda, as pessoas que não se consideram religiosas – 44% – já são quase mais do que aquelas que afirmam ter uma fé, enquanto um em cada dez irlandeses já é um “ateu convicto”.

A lista dos países mais crentes do mundo é liderada por Gana, com 96% de pessoas “religiosas”, e conta com as presenças de nações de todos os continentes, da Romênia às Ilhas Fiji, do Brasil ao Iraque. Em geral, segundo a pesquisa, no mundo o sentido religioso caiu nos últimos sete anos em quase 10% (de 77% a 68% da população), enquanto os ateus convictos passaram de 4% para 7% da população mundial. Na Itália, o número daqueles que se dizem religiosos permaneceu substancialmente inalterado ao longo dos anos, acima dos 70%, mas os ateus cresceram ligeiramente, passando de 6% para 8%.

Entre os resultados destacados pela pesquisa, está a genérica confirmação de um fato que, para muitos, é evidente: quanto mais cresce o bem-estar de uma população, mais a sua religiosidade média diminui. Mas há duas notáveis exceções a essa tendência: de um lado, os Estados Unidos, muito ricos, mas também muito religiosos; de outro, a China, com uma renda média ainda baixa, mas com uma porcentagem de não crentes altíssima.

O que chamou a atenção, no entanto, foram principalmente os números referentes à Irlanda. Tanto que o arcebispo de Dublin, Dom Diarmuid Martin, homem de ponta na resposta da Igreja Católica ao escândalo da pedofilia, comentou os dados, destacando os “desafios” que os crentes irlandeses ainda têm que enfrentar.

“A Igreja Católica – disse – não pode dar como certa a passagem automática da fé de uma geração para a posterior, nem que os seus membros vivem a fé de modo pleno. Essa pesquisa serve apenas para nos lembrar, mais uma vez, que precisamos de uma sólida e contínua educação para a fé”.

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