Críticas forçam EUA a explicar sua política climática

Todd Stern é obrigado a esclarecer sua declaração de que é preciso flexibilizar a meta de 2ºC de aquecimento máximo para o planeta, defendida por cientistas como o limite para evitar as piores consequências das mudanças do clima.

Fabiano Ávila, CarbonoBrasil, 8 de agosto de 2012

Na quinta-feira (dia 02), em uma palestra na Universidade de Darmouth, Todd Stern, chefe de negociações climáticas dos Estados Unidos, acabou provocando um grande embaraço para seu país e provavelmente revelou mais do que desejava sobre a atual postura dos EUA com relação às mudanças climáticas.

Defendendo ações regionais em vez de um tratado internacional e considerando que não é obrigatoriamente necessário se ater ao compromisso de manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC, Stern afirmou aos presentes: “A ideia de que um tratado obrigue todas as nações a se comprometerem faz sentido apenas no papel. Esta noção ignora a lição clássica de que a política internacional é a arte do possível […] A realidade está a favor de medidas derivadas de ações nacionais. Esta flexibilização [dos objetivos nas reuniões climáticas] não garantiria a meta de aquecimento máximo de 2ºC, mas insistir nessa linha de um tratado internacional com força de lei sempre terminará em um impasse.”

Muitos viram no discurso de Stern a explicação por trás da postura que os Estados Unidos têm adotado nas negociações internacionais; sempre dificultando o avanço de um acordo climático no estilo do Protocolo de Quioto e defendendo um tratado que seja orientado de baixo pra cima, isto é, com ações locais em primeiro lugar em vez de leis internacionais.

“Líderes mundiais se comprometeram em evitar o aumento das temperaturas. O que foi prometido deve ser cumprido”, afirmou Isaac Valero-Ladrón, porta-voz da Comissão Europeia, lembrando que os EUA estão entre os signatários da meta de manter as temperaturas médias globais abaixo dos 2ºC, formalizada em 2009 em Copenhague.

A presidente da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS) também não poupou críticas. “Os EUA estão atravessando uma das piores secas de sua história. Se o país quer abandonar seus próprios agricultores, que esperança podemos ter de que as ações para salvar as pequenas nações insulares serão realizadas?”

A diretora de políticas climáticas do WWF, Keya Chatterjee, também salientou os problemas climáticos que já afetam os EUA. “A seca deveria forçar medidas mais corajosas do governo norte-americano para proteger sua população das mudanças climáticas. Em vez disso, vemos os EUA tentar ensinar o mundo sobre ‘realidades políticas’.”

Diante de toda essa repercussão, Stern se viu obrigado a divulgar uma declaração nesta terça-feira (7) na qual afirma ter sido mal interpretado. “Tem havido algumas notícias incorretas sobre os comentários que fiz em um discurso recente relacionado com nosso objetivo climático de evitar um aquecimento maior do que 2ºC. É obvio que os EUA continuam apoiando esta meta, nunca mudamos nossa política.”

“O ponto do meu discurso era que insistir em uma alternativa que essencialmente vai dividir os direitos de emissão de carbono na atmosfera vai somente levar a um impasse, já que países possuem visões diferentes sobre qual divisão seria justa. Minha opinião é que uma opção mais flexível nos daria uma melhor chance de concluir um acordo e alcançar o objetivo que todos queremos”, explicou.

De qualquer forma, o estrago diplomático já está feito e fica difícil avaliar como os países se comportarão com relação aos EUA na próxima conferência climática da ONU, que será realizada no Qatar em novembro.

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