Previsão sobre aumento da poluição do ar preocupa

Por volta de 2050, praticamente todos os habitantes do planeta estarão a respirar um ar tão poluído quanto o que hoje se respira no leste asiático.

Fabiano Ávila,  CarbonoBrasil, 6 de agosto de 2012

Por volta de 2050, praticamente todos os habitantes do planeta estarão a respirar um ar tão poluído quanto o que hoje se respira no leste asiático _ Imagem de cidade na China Esta é uma das conclusões do estudo “Efeito das emissões antropogênicas sobre a qualidade do ar se nada for feito” (Effects of business-as-usual anthropogenic emissions on air quality), publicado na última quarta-feira (1) no periódico Atmospheric Chemistry and Physics.

Elaborado por uma equipa internacional de investigadores, ligados a grandes centros científicos como o Instituto Max Planck, o estudo utilizou modelos para estimar as mudanças regionais e globais na qualidade do ar nas próximas décadas. O cenário trabalhado assume que tanto a população quanto o crescimento económico determinarão o consumo de energia e alimentos e, consequentemente, a quantidade de poluição.

O estudo considera que não serão implementadas novas regras para limitar as emissões além daquelas que já estão em vigor desde 2005, o que representa uma visão pessimista, mas plausível.

“Atualmente, as negociações climáticas pós-Quioto seguem devagar e é incerto o quanto as políticas para qualidade do ar avançarão globalmente”, explicou a coautora Greet Janssens-Maenhout, do Centro de Investigações Conjuntas da Comissão Europeia.

Este é o primeiro estudo a incluir todos os cinco maiores poluentes que reconhecidamente prejudicam a saúde humana: microparticulados (PM 2.5), dióxido sulfúrico, ozónio, dióxido de nitrogénio e monóxido de carbono. Os investigadores levaram em conta tanto as emissões humanas quanto as que ocorrem naturalmente, como poeira de desertos ou emissões vulcânicas.

Segundo a análise, a poluição do ar vai aumentar em todas as regiões, mas em menor quantidade na Europa e na América do Norte devido às políticas de mitigação já em vigor.

A área que mais sofrerá é o leste asiático, que em 2050 estará exposto a níveis elevados de poluentes como o dióxido de nitrogénio, dióxido sulfúrico e microparticulados. O Médio Oriente e o norte da África também se destacam negativamente.

O norte da Índia e o Golfo Árabe sofrerão com um grande aumento dos níveis de ozónio e o sul da África com o dióxido sulfúrico.

A melhor qualidade do ar mundial é prevista para a América do Sul, entretanto, mesmo esta região verá a poluição ficando gradualmente pior.

Analisando as dificuldades de colocar em prática novas leis que limitem as emissões, Greet Janssens-Maenhout destacou o paradoxo que dificulta ter esperança em um futuro mais limpo. “Nas regiões com crescimento económico, implementar medidas de redução de emissões é pouco conveniente por causa do desenvolvimento de alguns setores agora que está a despertar. Já nos países que estão a sofrer com a crise económica, estas mesmas medidas são consideradas caras e indesejáveis.”

Leia o estudo (em inglês)
Artigo de Fabiano Ávilado Instituto CarbonoBrasil

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