Petróleo pode levar economia à recessão

Alta nos preços causada por turbulência política traz riscos; plano de assistência a países deve ser proposto

Nouriel Roubini, Folha de S.Paulo, 20 de março de 2011

O tumulto no Oriente Médio tem fortes implicações econômicas, especialmente por elevar o risco de estagflação, uma combinação letal de desaceleração no crescimento e inflação em alta.

De fato, caso surja estagflação, existe sério risco de uma recessão de duplo mergulho, em uma economia mundial que mal acaba de sair da pior crise em décadas.

Inquietações na região resultam historicamente em picos nos preços do petróleo, e estes deflagraram 3 das 5 últimas recessões. Em 2008, os preços foram a US$ 148 o barril, o golpe de misericórdia numa economia fragilizada.

Mesmo antes dos recentes choques políticos, os preços do petróleo ultrapassaram US$ 80 a US$ 90 por barril, alta devida não só aos emergentes buscando energia.

Entre outros fatores, um excedente de liquidez nos mercados emergentes e uma oferta pouco elástica de óleo.

Caso a ameaça de perturbações no suprimento se espalhe, o risco pode elevar o “ágio por medo”, na formação de estoques cautelares.

A mais recente alta do petróleo e os aumentos de commodities, como alimentos, geram consequências.

Primeiro, a pressão inflacionaria crescerá nos já superaquecidos emergentes.

O segundo risco é um choque de disponibilidade de renda nas nações importadores de energia e commodities -mais doloroso para as economias avançadas.

O terceiro risco é a redução da confiança dos investidores, e correções nas Bolsas.

Caso os preços subam muito mais, as economias avançadas sofrerão desaceleração, e podem cair uma vez mais em recessão.

Que respostas poderiam ser usadas? Em curto prazo, não muitas, entre elas um limitado aumento na oferta e a transição para fontes alternativas de energia.

Um audacioso programa de assistência deveria ser proposto, com base no Plano Marshall, ou nos pacotes de apoio à Europa Oriental após a queda do Muro de Berlim.

Transições políticas podem resultar em alta desordem social, agravando os problemas políticos e econômicos. Dada a sensibilidade dos preços do petróleo a riscos, o sofrimento não ficaria confinado ao Oriente Médio.

O autor é presidente da Roubini Global Economics, professor da Escola Stern de Administração, Universidade de Nova York, e coautor de “Crisis Economics”.
Tradução de PAULO MIGLIACCI

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