Preços globais dos alimentos atingem novo recorde

No espaço de um ano, subiram 70%. Causas são a crescente procura e o declínio da produção mundial em 2010. Aumento inesperado dos preços do petróleo pode exacerbar a já precária situação dos mercados.

Esquerda.net, 3 de março de 2011

Os preços globais dos alimentos subiram pelo oitavo mês consecutivo em Fevereiro, atingindo um novo recorde quer em termos nominais quer em termos reais, de acordo com a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) das Nações Unidas, que faz a monitorização destes valores desde 1990. A única excepção foi o açúcar.

“O aumento inesperado dos preços do petróleo pode exacerbar ainda mais a já precária situação dos mercados de alimentos”, alerta David Hallam, director da Divisão de Comércio e Mercado da FAO.

A FAO adverte que os stocks de cereais devem diminuir fortemente este ano, devido à crescente procura e ao declínio da produção mundial em 2010. O resultado é que os preços dispararam já 70% face a Fevereiro do ano passado.

Segundo Abdolreza Abbassian, especialista da FAO ouvido pela Lusa, o preço dos alimentos no mercado mundial deve permanecer próximo do nível recorde pelo menos até ao Verão.

“Até ao Verão deverão permanecer neste nível. Podem ir um pouco abaixo ou um pouco acima mas, a nossa previsão é que não haja nenhuma correcção substancial”, disse.

Comentando a eventual ligação entre o aumento do preço dos alimentos e as revoltas que se vivem no norte de África, Abdolreza Abbassian afirmou que “é um problema adicional” mas não “o principal” factor.

“Não, não achamos que a subida dos preços dos alimentos tenha sido um factor muito importante nos tumultos no norte de África. Não podemos menosprezar e dizer que não afectou. Mas foi um problema adicional, não foi isso que fez as pessoas vir para a rua”, afirmou o economista.

As condições meteorológicas são “o factor determinante”, considera, acrescentando que o mais importante na determinação do preço é o volume de produção, e quanto a isso “as perspectivas actuais são boas”.

“Não queremos especular, mas os preços encorajaram os produtores e temos bons sinais na Europa, nomeadamente na Ucrânia, e também na América do Sul. Vamos ver o que acontece”, adiantou .

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