Facebook impõe sua própria moeda virtual na internet

A rede social obrigará os criadores de jogos a utilizar o Facebook Credits. O objetivo final é impor-se como um padrão de transações na rede.

Manuel Ángel Méndez, El País, 27 de janeiro de 2011. A tradução é do Cepat. Reproduzido do IHU On-line.

Novo golpe de efeito (e de autoridade) de Mark Zuckerberg. A partir de julho todos os criadores de jogos no Facebook, desde a Zynga e a Playfish até os pequenos estúdios, estarão obrigados a utilizar a moeda virtual da rede social, o Facebook Credits, para vender produtos digitais. Seu objetivo imediato é evidente: abocanhar parte dos ingressos em jogos sociais, um setor que este ano moverá 1,9 milhão de euros.

Comprar vacas leiteiras no FarmVille ou uma motosserra no Mafia Wars, dois dos jogos mais populares no Facebook, causa furor. Tanto que a Zynga, criadora desses aplicativos, ultrapassa os 45 milhões de jogadores diários e seus ingressos em 2010 são estimados em 600 milhões de euros. A grande maioria provém da venda de objetos virtuais, um filão que se forjou no Facebook, mas do qual não vê um décimo.

Até agora os desenvolvedores haviam criado seu próprio dinheiro virtual e pagavam entre 4% e 6% de comissão ao PayPal ou aos cartões de crédito. A decisão de Zuckerberg de obrigá-los a utilizar o Credits muda tudo: terão que dar 30% de cada pagamento à rede social, que, por sua vez, saldará contas com os sistemas de pagamento (PayPal, Visa, MasterCard…).

“É o que acontece quando alguém reúne tanto poder. A decisão tem lógica, é sua plataforma e é livre para estabelecer as normas. Mas confirma sua relação de amor-ódio com os criadores”, disse Eneko Knörr, diretor do Ideateca, um dos raros estúdios espanhóis que desenvolve aplictivos no Facebook.

Steve Bailey, analista de jogos do Screen Digest, se surpreende com o fato de que não tenham agido antes. “Vendo como a Apple se comporta com seu App Store, demoraram para cobrar 30%. Com o Credits os criadores aumentarão suas vendas, mas talvez não para compensar o dinheiro extra que deverão pagar”.

A rede social promoverá com publicidade aqueles que utilizarem a sua moeda do começo ao fim, tanto durante o jogo como na hora do pagamento. “Aos desenvolvedores não restará outra opção. Quanto mais jogadores se acostumarem, mais ingressos terão”, disse Bailey. Um porta-voz da Zinga reconhece por escrito que “já trabalham na transição de suas moedas para o Credits”.

Durante os últimos meses, o Facebook presenteou moeda virtual aos frequentadores como tática para familiarizá-los com ela. Comprar e utilizar créditos é simples. Basta selecionar a quantidade desejada, o sistema de pagamento (PayPal, cartão de crédito ou o telefone celular) e aceitar. Por exemplo, mil moedas em CityVille, com o que dá para comprar um edifício, equivalem a 23 Credits que custam 1,69 euro. A partir de julho as moedas virtuais alternativas irão gradativamente desaparecer em favor do Credits.

O movimento parece apenas o começo de um minucioso plano que vai além dos jogos. Zuckerberg tem uma mina inexplorada: 600 milhões de pessoas que passam mais de 10 minutos diariamente na rede social. “Muita gente já entra diretamente no Facebook ao se conectar. Aí vão pouco a pouco acessando música, vídeos ou produtos físicos”, disse Knörr. Caso tenha sucesso nos jogos, o Credits poderia servir para comprar o último de Madonna ou de Ken Follet sem abandonar a rede social.

Muitos acreditam que o Facebook provará este sistema fora de seu domínio para tentar converter o Credits no novo padrão de pagamentos na rede. “Assim como o Open Graph e o botão de ‘gosto’ conecta sua plataforma ao resto da rede, a plataforma Credits poderia ser utilizada como ferramenta para adquirir conteúdo digital na internet”, explica Bailey.

Alejandro Quintana, diretor do IZ, estúdio espanhol de jogos sociais, coincide com esta possibilidade. “Tentaram nos habituar a usar Credits por toda a internet”. Com um sistema próprio que processe os pagamentos de sua moeda, o Facebook entraria em competição com o PavPal, Amazon ou o eBay, colando-se, além disso, no comércio eletrônico. O obstáculo, entre outros, será a comissão: cerca de 30% na venda de objetos físicos será difícil de argumentar.

No momento, os jogos sociais são o primeiro desafio do Credits. Para superá-lo, o Facebook terá que impulsionar o uso de sua moeda no telefone celular, a partir de onde são realizados cada vez mais micropagamentos. E aí os rivais se chamam Apple e Google.

Cavalos a quatro euros

Milhões de jogadores se divertem pagando quatro euros por um cavalo de mentira, 70 euros por um trator do mesmo material (30.000 Facebook Credits) ou alguns centavos para enviar um ramalhete de flores digitais. É a moda dos objetos virtuais.

Arrasou na Ásia e os jogos sociais o trouxeram para os Estados Unidos e a Europa. Segundo a consultoria ThinkEquity, esta atividade cresceu cerca de 50% em um ano. Com o Facebook Credits, que utilizam 350 aplicações e supõe 70% das transações de produtos virtuais na rede, Zuckerberg garante um filão de ingressos adicionais à publicidade. Algo que antes outros tentaram, como o Second Live e seus Linden.

Depois do eBay, a Zynga é o segundo maior cliente do PayPal, o que indica a importância do jogo. A Playfish (propriedade da Electronic Arts), o Rock You ou o MetroGames, também não vão mal. Na Espanha estúdios como o IZ, com 300 empregados e três títulos no Facebook, já utilizam o Credits para seus pagamentos. “Também desenvolvemos para o Tuenti”, adverte Quintana. O Ideateca conta com sete jogos no Facebook, mas ainda não provou sua moeda virtual. “É preciso acostumar-se”, disse Knörr resignado.

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