Limites para um Planeta Sustentável

Jonathan Foley, Shan, o boxer, 5 de julho de 2010

A edição de junho da Scientific American Brasil publicou uma excelente matéria, a qual resume os limites dos principais processos ambientais que podem colocar em risco a vida na Terra. Estes limites foram definidos por vários cientistas do mundo, que tiveram esta tese colocada à prova quando a publicaram no renomado periódico científico Nature.

O gráfico “em pizza” abaixo mostra estes processos (são 9 no total) e os valores do “espaço operacional seguro” (círculo preto). Observem que três destes processos já tiveram seus limites ultrapassados: concentração de CO2 na atmosfera (vermelho), a poluição pelo nitrogênio, pelo uso de fertilizantes (rosa) e extinção da biodiversidade (amarelo). Outros processos já estão chegando lá, como a transformação da terra em lavoura, a acidificação dos oceanos e a poluição pelo fósforo (também vindo do uso de fertilizantes).

Para exemplificar a natureza interligada de processos ambientais vitais, como o uso da terra e da biodiversidade, a foto abaixo mostra gigantescas florescências de algas no Mar Negro (redemoinhos verdes na parte inferior do mar) que são alimentadas por escoamentos agrícolas levados pelo Rio Danúbio (ponto mais inferior da foto acima).

O próprio Jonathan afirma que, permitir que processos ambientais excedam certos limites pode ter graves implicações, mas algumas ações decisivas conseguem mantê-los dentro de esferas seguras. E algumas dessas ações podem ser vistas na figura abaixo.

Uma resposta

  1. QUE NÃO SEJA POR FALTA DE ALERTA

    A Comissão Mista – Deputados e Senadores – que trata do tema “Mudanças Climáticas” volta a seus trabalhos.

    Um bom momento para destacar – o que possivelmente os membros da Comissão já saibam, mas nunca é demais relembrar – que não basta focar soluções para o enfrentamento da crise ambiental que vem preocupando a todos, pelo menos os de bom senso.

    É importante destacar que nessa Comissão o Espírito Santo está muito bem representado na pessoa do Senador Ricardo Ferraço, que já deixou muito bem clara as suas preocupações com a temática ambiental, a quem já tive o cuidado de enviar este mesmo tipo de consideração.

    Mas, efetivamente, onde reside a nossa preocupação? Ela está na base de toda a discussão, ou seja, como assegurar sucesso às ações recomendadas pela Comissão se, tudo leva a crer, a sociedade – apesar de se dizer conscientizada pela problemática das Mudanças Climáticas, ainda não mostra convicção a respeito do que deve ser feito (em conjunto ou isoladamente) de modo a contribuir para a eficácia das ações sugeridas.

    Não são muitas as pesquisas nesse sentido – estamos falando de pesquisas que acoplada à avaliação do nível de envolvimento da sociedade com a temática, também pesquisa saber o que a sociedade efetivamente “percebe” de tudo que é falado a respeito – pois as que apenas evidenciam o envolvimento da sociedade não podem ser consideradas como resposta conclusiva do nível de envolvimento da sociedade com a solução desse grave problema ambiental.

    Deste modo, infelizmente, as coisas – na teoria – ficam resolvidas. Há, porém, um problema a ser resolvido na área prática: a sociedade está preparada para assumir a sua responsabilidade (que não será pouca) na solução do problema?

    Certamente, não estamos pensando em uma sociedade totalmente politizada no sentido de assumir a plenitude da discussão do processo das Mudanças Climáticas. Como pensar nesta utopia se até os “iniciados” nessa discussão ainda se vem diante de prós e contras. Obviamente, o que se tem como objetivo é uma sociedade minimamente informada (o necessário), em condições de entender “qual é o problema”, “as soluções pretendidas”, bem como “o ônus a ser pego pela sociedade no processo de implantação de tais soluções “. Parece um conhecimento mínimo, mas efetivamente, não é.

    A nosso ver, um dos grandes focos de atenção da Comissão Mista, independentemente dos muitos outros já conhecidos, deverá ser a discussão do nível de preparo (conscientização) da sociedade brasileira frente às ações que precisam ser implantadas.

    Se pretendermos contar com a sociedade para atuar “como exército”, iniciando pelos grandes centros urbanos, em relação a “Guerra das Mudanças Climáticas”, no mínimo este exército precisa conhecer bem o inimigo e estar motivado a entrar na guerra, sabendo do custo que isso trará a cada um dos envolvidos.

    Porém, é bom que se diga, a mudança de paradigma não é unicamente um desafio para os políticos da Comissão Mista, mas, sem dúvida, de toda a sociedade, inclusive aquele segmento que ainda pode ter dúvidas com relação ao Aquecimento Global (causa) e as Mudanças Climáticas (efeitos); neste caso, conservadoramente, vale a adoção do Princípio da Precaução.

    Faça contato com o político que você elegeu; explicite a sua preocupação com o problema; temos que fazer uma grande corrente – todos os segmentos da sociedade (quem tem o poder do voto e àqueles que têm a condição de uso desse poder) de modo a evitar surpresas previsíveis.

    Roosevelt S. Fernandes
    Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA
    roosevelt@ebrnet.com.br

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