Óleo no golfo ameaça pré-sal

O acidente da BP no Golfo do México tende a deixar “no limbo” a exploração do petróleo na camada pré-sal do Brasil, afirma o jornal britânico Financial Times, na reportagem “Realismo sobre riscos substitui euforia na incipiente indústria de águas profundas do Brasil”

Sílvio Guedes Crespo, O Estado de S. Paulo, 21 de julho de 2010

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) deve levar um ano para fazer alterações em regras de seguranças. “O problema é que isso deixa a indústria no limbo nesse meio tempo”, afirma o diário.As mudanças regulatórias devem provocar atrasos, aumento de custos e elevação do preço do seguro sobre a atividade de exploração em águas profundas, na avaliação do jornal.

Exemplo concreto do impacto da catástrofe no mercado brasileiro: a BP espera que a compra de dez blocos em águas profundas da Devon Energy seja aprovada no fim do ano, mas a ANP já disse que está revisando o acordo tendo em vista o acidente no Golfo do México.

A plataforma da BP que afundou ficava em águas profundas, como a região onde se concentra o petróleo pré-sal. Mas, no caso brasileiro “os desafios técnicos” da exploração são ainda maiores, diz o jornal.Primeiro, porque o óleo está localizado em uma profundidade maior e a uma distância maior da costa. Depois, porque as altas temperaturas e a grande quantidade de dióxido de carbono no pré-sal podem danificar o equipamento de perfuração.

Para o FT, esses desafios contribuíram para que as ações da Petrobrás tivessem o segundo pior desempenho entre as petroleiras neste ano, perdendo apenas para a BP.

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