Quando o Crato voltou a ser senzala

crato 1Raquel Paris, Casca de Banana, fevereiro de 2013

No dia 06 de fevereiro de 2013, às 15h, na Rua Bárbara de Alencar, centro comercial do Crato, Francisco do Nascimento foi amarrado por dois homens a um poste e assim permaneceu durante duas horas. O motivo: em surto, teria quebrado vidraças de lojas.

Francisco do Nascimento, morador do bairro São Miguel possui histórico de outros atentados, como pôr fogo no carro de um vizinho. Ele também possui diversas entradas no Hospital Psiquiátrico Santa Tereza. Segundo a sobrinha, a família não sabe mais o que fazer com Francisco do Nascimento: no hospital não há vagas e ele se torna cada vez mais violento.

Durante as duas horas em que ficou amarrado, algumas pessoas tentaram libertá-lo, ato que foi violentamente rechaçado pelos homens que o prenderam. No mais, a multidão, estonteada, admirava estupidamente o espetáculo do homem que gritava, rugia e pedia por socorro. Diversas autoridades estiveram no local, a exemplo de soldados do Ronda que não o saltaram alegando que não o homem amarrado não era de sua competência. Continuar lendo

O pelourinho carioca e a transmissão do ódio via concessão pública de TV

justiceiros do rioLeonardo Sakamoto, Blog do Sakamoto, 6 de fevereiro de 2014

Depois que algum braço da Ku Klux Klan composto por cariocas desmiolados prendeu um rapaz negro pelo pescoço em um poste no Rio de Janeiro, imaginei que o caso iria atiçar o debate sobre a dignidade da molecada pobre nas grandes cidades – que, mais de 20 anos depois da Chacina da Candelária, continua uma peça de ficção científica. Continuar lendo

Homo homini deus: Por qué Rousseau y Marx tenían razón

Nicolás González Varela, Viento Sur, 31 de julio de 2013

“Todo acto de violencia es un acto político” (Friedrich Engels)

“Todos los conceptos materialistas contienen una acusación y un imperativo.” (Herbert Marcuse)

El gran Rousseau afirmaba que “el principio fundamental de la Moralidad, que he razonado en todos mis escritos y desarrollado tan claramente como pude, es que el Hombre es un ser naturalmente bueno, amante de la Justicia y el Orden, que no hay perversidad original en el corazón humano, y que los primeros movimientos de la Naturaleza siempre tienen la Razón.”/1 La raíz del hombre, decía un joven Marx, es el hombre; la misma alienación no depende ni de un Dios ni de la Naturaleza, sino sólo de la “relación” histórico-social del hombre con otro hombre. Para la naciente Antropología iluminista y sus herederos el Hombre era bueno por naturaleza, tanto para sí mismo como para los otros. Una idea-fuerza que hoy se nos presenta como inocente y acientífica. Uno de los más insidiosos pseudoargumentos de la Ideología burguesa moderna y posmoderna es que la guerra, la polemos, es innata a la Naturaleza humana, un dato objetivo e irreductible. Nada del mito del “buen salvaje”, nada del ridículo Homo Rousseau. Continuar lendo

Violências contra os povos indígenas aumentaram em 2012

Houve um crescimento de diferentes formas de violências cometidas, em 2012, contra os povos indígenas, que vão de ameaças de morte, assassinatos, omissão e morosidade na regularização das terras à desassistência em saúde e educação. Esta é a constatação apresentada no Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil que o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) lançou nessa quinta-feira, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília.

Cimi, 27 de junho de 2013

Nas três categorias abordadas no Relatório, verifica-se uma ampliação do número total de casos e vítimas. Em comparação com 2011, os casos de Violência contra o Patrimônio saltaram de 99 para 125, o que representa um aumento de 26%. Em relação à Violência por Omissão do Poder Público, foram relatadas 106.801 vítimas, o que significa um aumento de 72%, considerando que 61.988 vítimas foram registradas em 2011. O mais acentuado crescimento é observado no total de vítimas da categoria Violência contra a Pessoa, em que estão incluídas ameaças de morte, homicídios, tentativas de assassinato, racismo, lesões corporais e violência sexual. Nesta categoria, houve um aumento de 378 para 1.276 vítimas, o que revela uma expansão de 237% em comparação com 2011. Continuar lendo

Climate conflict: Warmer world could be more violent

Using data from nine East African countries, researchers found that warmer temperatures triggered more conflicts.

Doyle Rice, USA TODAY, October 22. 2012

If climate change predictions turn out to be true, some parts of the world could become a more violent place, according to a new study released today. “The relationship between temperature and conflict shows that much warmer-than-normal temperatures raise the risk of violence,” the authors write in the study, which appears in the journal Proceedings of the National Academy of Sciences. The study was led by John O’Loughlin, a professor of geography at the University of Colorado. It was done in concert with the National Center for Atmospheric Research in Boulder. Continuar lendo

O eclipse americano

Entrevista com Jack Levin, O Estado de S.Paulo, 29 de julho de 2012

Não era Gotham City. Era um cinema de Aurora, no subúrbio de Denver, no Estado norte-americano do Colorado. Em cartaz na sexta, dia 20, a estreia de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. No lugar do Coringa encarnado por Jack Nicholson e Heath Ledger noutros tempos, um transtornado James Holmes, estudante de neurociência, doutorando na Universidade do Colorado. Disparos feitos, 12 mortos e 58 feridos. Mas a conta não fecha aí.

“Se fizermos o cálculo, o principal problema não são os massacres. É a violência pequena”, diz Jack Levin, diretor do Brudnick Center on Violence & Conflict da Universidade Northeastern, de Boston. Para investigar os diferentes “gatilhos” dos serial killers, mass killers e criminosos “cotidianos”, o sociólogo prefere mirar as questões a partir de uma grande angular, com estatísticas do FBI e pesquisas próprias sobre a mentalidade, o modus operandi e a realidade dos assassinos brutais.

Para Levin, a cultura das armas, o fenômeno copy cat e a frustração dos outsiders são os principais detonadores desse pesadelo americano. “Os EUA estão se tornando uma nação de estranhos. É um eclipse da ideia de comunidade”, critica o autor de Extreme Killing (2011) e The Violence of Hate (2010), entre outros 30 livros. A seguir, a entrevista de Jack Levin ao Aliás. Continuar lendo

ntropología. Sobre el origen de las guerras y las sociedades sin guerra

Daniel Tanuro, Viento Sur, 4 de mayo de 2012

He aquí un libro muy interesante sobre un tema que, si no me equivoco, los autores marxistas han tratado poco: el origen de la guerra Raymond C. Kelly, (Warless Societies and the Origin of war, The University of Michigan Press, 2000). Nuestros primos los grandes primates no montan guerras, así que cabe preguntarse si la guerra es una característica peculiar del género humano. Si no lo es, ¿cuándo y cómo apareció? Salta a la vista que el interés de la cuestión no es únicamente académico, sino también político y programático. En efecto, si es posible identificar los factores que han permitido que la guerra aparezca en un determinado momento de la historia de la humanidad, es probable que se puedan sacar lecciones de cara a avanzar hacia una sociedad sin guerra. Continuar lendo

Uma epidemia de violência assola a América Central: primeira anotação

Carta Maior -Eric Nepomuceno

A América Central vive uma situação limite. A economia, que nunca foi lá essas coisas, míngua rapidamente. O Estado, que sempre foi frágil, está sendo corroído. O item segurança consome, em média, 2,66% do PIB da região. Em El Salvador, chega a 11%. Só no ano passado a região investiu pelo menos quatro bilhões de dólares na luta contra o crime. Em vão. Os cartéis mexicanos dispõem de melhores armas e recursos que a polícia e o exército de vários desses países.

Em El Salvador, a cada duas horas alguém é assassinado. Doze assassinados por dia. Quase 4.400 por ano, a maioria com menos de 17 anos de idade. A taxa de homicídios é assustadora: 69 a cada cem mil habitantes. A média mundial é de 8,8. A da Europa, 3,3.

Na guerra civil que durou de 1980 a 1992, morreram em El Salvador 75 mil pessoas. Eu cobri os três primeiros anos daquela guerra, vi aquele horror. Muito daquilo ficou impregnado, intacto, na minha memória. Passaram-se 19 anos do fim da guerra. E, de lá para cá, 74 mil pessoas foram assassinadas em El Salvador. Ou seja: há 31 anos o país não teve um só instante sem a permanente maré de mortes violentas. O horror é parte do cotidiano, e dia a dia vai matando o amanhã. Continuar lendo

Brasil rural: matar e desmatar

Nos últimos dias, cinco líderes rurais foram assassinados no Brasil

Frei Betto, Brasil de Fato, 4 de junho de 2011

Nos últimos dias, cinco líderes rurais foram assassinados no Brasil. No Pará, mataram Herenilton Pereira dos Santos e o casal de ambientalistas Maria do Espírito Santo da Silva e José Cláudio Ribeiro da Silva, do projeto agroextrativista Praialta-Piranheira. Os três viviam no mesmo assentamento rural, em Nova Ipixuna. José Cláudio teve uma orelha arrancada. Isso prova ter sido seu assassinato encomendado. É praxe o mandante exigir do pistoleiro a orelha da vítima como “recibo” do pagamento pelo “serviço” prestado. Em Rondônia assassinaram Adelino Ramos, presidente do Movimento Camponeses Corumbiara. E em Eldorado dos Carajás, mataram Marcos Gomes da Silva. Continuar lendo

México se hunde

Nada funciona en México, donde la sociedad civil se encuentra atrapada – y olvidada – en el fuego cruzado entre el gobierno y los cárteles de la droga

David Broman, Rebelión, 26 de abril de 2011

El 7 de abril miles de ciudadanos protestaban con el grito de “¡Basta de sangre!” en una docena de ciudades en México encabezadas por el poeta y periodista Javier Sicilia teniendo en memoria presente a su propio hijo, muerto una semana antes y encontrado por la policía en unas fosas comunes en el estado de Tamaulipas. Más de 59 cuerpos en las fosas comunes. Continuar lendo

A doença chamada homem

Leonardo Boff, IHU On-line, 16 de abril de 2011

Esta frase é de F. Nietzsche e quer dizer: o ser humano é um ser paradoxal, são e doente: nele vivem o santo e o assassino. Bioantropólogos, cosmólogos e outros afirmam: o ser humano é, ao mesmo tempo, sapiente e demente, anjo e demônio, dia-bólico e sim-bólico. Freud dirá que nele vigoram dois instintos básicos: um de vida que ama e enriquece a vida e outro de morte que busca a destruição e deseja matar. Importa enfatizar: nele coexistem simultaneamente as duas forças. Por isso, nossa existência não é simples mas complexa e dramática. Ora predomina a vontade de viver e então tudo irradia e cresce. Noutro momento, ganha a partida a vontade de matar e então irrompem violências e crimes como aquele que ocorreu recentemente. Continuar lendo

A cada 36 horas, um homossexual é morto no Brasil

Em 2010, 260 gays, travestis e lésbicas foram assassinados no Brasil. De acordo com um relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), divulgado nessa segunda-feira, a cada um dia e meio um homossexual brasileiro é morto. Nos últimos cinco anos, houve aumento de 113% no número de assassinatos de homossexuais. Apenas nos três primeiros meses de 2011 foram 65 assassinatos.

Daniella Jinkings, Agência Brasil, 4 de abril de 2011

Entre as vítimas, 54% são gays, 42%, travestis e 4%, lésbicas. Para o antropólogo responsável pelo levantamento, Luiz Mott, as estatísticas são inferiores à realidade. “Esses 260 assassinatos documentados são um número subnotificado, porque não há no Brasil estatísticas oficiais de crimes de ódio. Para os homossexuais, a situação é extremamente preocupante.” Continuar lendo

É uma mentira dizer que no Brasil a terra é produtiva

Márcia Junges entrevista Ariovando Umbelino, IHU On-line, 10 de janeiro de 2011

Uma agricultura que, historicamente, produziu às custas de mão de obra escrava. Essa é a agricultura brasileira, que hoje quer se chamar de agronegócio, sinônimo de modernidade e alta produção. Trata-se, na verdade, de uma agricultura capitalista, “que agora aparece com essa cara de agronegócio”, uma grande falácia, esclarece o geógrafo Ariovaldo Umbelino, na entrevista que concedeu por telefone à IHU On-Line. Para piorar a situação, o Estado brasileiro não fiscaliza e não aplica as leis como deveria, o que gera um sentimento de impunidade e proteção. Continuar lendo

A surda guerra oculta

Francisco de Oliveira, O Estado de S. Paulo, 5 de dezembro de 2010

A celebração quase unânime do assalto das forças estatais aos morros da Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão revela mais de nossa sociedade, dos impasses da política e do exercício do poder do que as firulas do PMDB e o negaceio do PT em torno da formação do governo da presidente Dilma.

Sob o mantra do combate ao crime organizado, o que se oculta é uma surda guerra de classes na outrora charmosa e agora ultraperigosa Cidade Maravilhosa. Essa guerra explode de tempos em tempos nos “bondes” (o termo é aplicado aos bandidos) das forças repressivas, levantando apenas a ponta do iceberg. Na verdade, nossa cidade mais bonita, ao lado de Salvador, que fazia os encantos dos brasileiros nas décadas de 40 e 50 do século passado, não resistiu à emergência da pobreza rude e sem eufemismos, como aqueles que cantava Sílvio Caldas em seu Favela. Continuar lendo

O tráfico no Rio e o crime organizado transnacional

Marco Aurélio Weissheimer, Carta Maior, 3 de dezembro de 2010

Os verdadeiros chefes do narcotráfico no Rio de Janeiro são ligados à rede do crime organizado transnacional que movimenta no sistema bancário internacional cerca de 400 bilhões de dólares por ano. Esses são os grandes responsáveis pela violência e pelo tráfico de drogas e armas em todo o mundo. A situação que vemos no hoje no Rio reflete um quadro internacional, onde as polícias só conseguem apreender entre 3 e 5% das drogas ofertadas no mercado. É preciso ter em mente essa dimensão global do crime organizado na hora de buscar soluções para enfrentar o problema em nossas cidades. A avaliação é do jurista Wálter Maeirovitch, colunista da revista Carta Capital e ex-secretário nacional antidrogas da Presidência da República. Continuar lendo

Violência no Rio. Milícias em berço esplêndido, segundo críticas ao governador Cabral.

Wálter Fanganiello Maierovitch, Terra Magazine, 2 de desembro de 2010

1. Enquanto as forças de ordem realizavam varredura no Complexo do Alemão, os paramilitares organizados em milícias tentaram, a bala, retomar o controle do Morro dos Dezoito.

Esse oportunismo miliciano saiu pela culatra, pois serviu para engrossar o coro dos descontentes com o governo de Sérgio Cabral, que querem repressão às milícias e consideram a repressão na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão puro engodo e marketing político. Em outras palavras, aumentou a pressão voltada a cobrar imediata repressão às milícias. Continuar lendo

O símbolo sexual e a guerra civil

Eugênio Bucci, O Estado de S. Paulo, 2 de dezembro de 2010

A arte inspira a vida - Não faz um mês, o ator Wagner Moura estrelou a capa da revista Veja, em trajes de capitão Nascimento, seu personagem em Tropa de Elite. A chamada, em letras alaranjadas, falava bem dele: O primeiro super-herói brasileiro.

Falava muitíssimo bem, e com razão. O primeiro Tropa de Elite foi um sucesso histórico. O segundo, agora, caminha para alcançar 10,7 milhões de espectadores e bater o recorde de público do cinema brasileiro – recorde que pertenceu, por décadas, a Dona Flor e seus Dois Maridos, de Bruno Barreto, lançado em 1976. O capitão Nascimento é tão adorado quanto sádico. No filme de estreia, torturava seus prisioneiros, enfiando-lhes a cabeça em sacos plásticos até fazê-los sangrar pelo nariz. No longa-metragem deste ano, o capitão foi promovido a coronel e, munido da nova patente, espanca políticos corruptos até nocauteá-los, ou quase. Fora isso, Nascimento é um herói que inspira derretimentos femininos: bonitão, voz grave, coração machucado (a mulher trocou-o por um ativista dos direitos humanos), o homem é o símbolo sexual da temporada. Continuar lendo

Não haverá mudança no Rio com corrupção policial, afirma antropólogo

Luiz Fernando Vianna entrevista Luiz Eduardo Soares, Folha de S. Paulo, 2 de dezembro de 2010

Quando lançou o livro “Elite da Tropa 2″, o sr. deu declarações apontando que “o tráfico já era”. Agora, com a operação no Complexo do Alemão, chegou a ser ridicularizado, como se os fatos provassem que estava errado. O tráfico já era mesmo?

Sim, já era como tendência. O negócio de drogas vai muito bem, obrigado, mas não o tráfico na sua forma que envolve, no Rio, controle territorial, organização de grupos armados, pagamento a policiais, conflito com facções, num contexto político crescentemente antagônico e com pressões sobre os governos, pois a consciência pública vai amadurecendo e se tornando mais refratária a conviver com o ilegal nessa magnitude. Continuar lendo

Rio corre atrás de alternativas para renda do tráfico

O tráfico do Rio teve um prejuízo de mais de R$ 100 milhões. A afirmação do secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame, foi feita na apresentação do material apreendido na operação do Complexo do Alemão. Em dois dias de ocupação, os policiais apreenderam 135 armas, 33 toneladas de maconha, 235 quilos de cocaína, 27 quilos de crack e 1.406 frascos de lança perfume.

Paola de Moura e Chico Santos, Valor, 1 de dezembro de 2010

O volume de armamento e drogas mostra a capacidade financeira dos traficantes. Sua redução, porém, poderá causar um impacto no comércio e na economia das favelas, pelo menos, no início. O ex-prefeito Cesar Maia relatou, em sua newsletter, que, em 2001, foi conversar com os moradores do Jacarezinho, que havia sido ocupada pela polícia. “As pessoas, comerciantes, famílias e trabalhadores, relacionavam a ocupação a uma crise de emprego, de salários e no comércio na comunidade. A razão era que, com o fechamento das ‘bocas’, a circulação de dinheiro havia diminuído muito, afetando o comércio e o emprego.” Continuar lendo

No Rio, massacre e espetáculo são o novo significado de ‘segurança pública’

Beatriz Vargas Ramos, Correio da Cidadania, 1 de dezembro de 2010

“Segundo a investigadora Vera Malaguti, o inimigo público número um está sendo esculpido tendo por modelo o rapaz bisneto de escravos, que vive nas favelas, não sabe ler, adora música funk, consome drogas ou vive delas, é arrogante e agressivo, e não mostra o menor sinal de resignação” (Eduardo Galeano, De pernas para o ar: a escola do mundo ao avesso).

Desde domingo passado (21/11/2010), quando surgem os primeiros incêndios de veículos nas ruas do Rio de Janeiro e a imprensa dá início à cobertura dos fatos, uma voz vem repercutindo e crescendo acima do burburinho e do bombardeio – o outro bombardeio, o das imagens, estáticas ou dinâmicas, que vêm de todas as direções. Parece existir uma esperança no ar, algo semelhante àquele sentimento que paira em final de copa do mundo, de que, desta vez, sim, a vitória está garantida! Continuar lendo

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