Jirau é um sinal de alerta ao governo e seus empresários

Aliança dos Rios da Amazônia – Movimento Xingu Vivo para Sempre, Aliança Tapajós Vivo, Movimento Rio Madeira Vivo e Movimento Teles Pires Vivo, 21 de marco de 2011

Esta semana, o canteiro de obras da hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, virou um campo de batalhas; depois um inferno em chamas; depois um deserto de cinzas e aço retorcido.

Jirau concentra todos os problemas possíveis: em ritmo descontrolado, trouxe à região o “desenvolvimento” da prostituição, do uso de drogas entre jovens pescadores e ribeirinhos, da especulação imobiliária, da elevação dos preços dos alimentos, das doenças sem atendimento, e de violências de todos os tipos.

Em Julho de 2010, as populações atingidas pela obra já protestavam contra o não cumprimento de condicionantes, desrespeito e irregularidades no processo de desapropriação/expulsão de suas áreas, fraudes nas indenizações, etc. Em outubro, mais de um ano após o início das obras, os ministérios públicos Federal e Estadual de Rondônia impetraram uma ação civil pública contra o Estado, o município de Porto Velho, a União, o Ibama, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Energia Sustentável do Brasil (ESBR, empresa responsável pelas obras), por descumprimento de condicionantes nas áreas de saúde, educação, transporte e segurança. Até hoje, 70% não saíram do papel. Continue reading

Usinas hidrelétricas do Complexo Rio Madeira: Bombas com efeito retardado

Rebelião no Jirau: faltas de previsão e omissões por parte das Empresas e do governo na construção das usinas hidrelétricas e em relação aos impactos deixam prever catástrofes no futuro.

Cimi Rondônia, EcoDebate, 21 de março de 2011

Os rondonienses assistiram perplexos na TV ou por internet a um espetáculo apocalíptico assustador: No sítio do Jirau (RO), local da maior obra do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) no Brasil, grande parte das instalações da Camargo Corrêa, empresa responsável pela construção da hidrelétrica, virou cinzas. A revolta de um punhado de trabalhadores descontentes não pôde ser controlada pelas forças de segurança. Assim, foram queimados mais de 40 ônibus, carros, casas de alojamento, lan house, etc… Na noite do dia seguinte, a Camargo Corrêa noticiou que tudo voltou ao normal (!) e chamou os trabalhadores de volta. Informou também que medidas de segurança foram reforçadas. Continue reading

Trabalho degradante cresce em obras

Exploração migra das lavouras para a construção civil; empregados moram em quartos apertados e ficam sem água. Aquecimento do setor e atuação de aliciadores são apontados como as principais razões para o aumento dos casos.

Marília Rocha, Folha de S.Paulo, 20 de março de 2011

Doente e dividindo com outros 28 operários um dormitório onde só cabem dez pessoas, Josivaldo Santos Batista, 37, foi flagrado na periferia de Campinas há uma semana em condições degradantes de trabalho -situação que, no interior de São Paulo, era comum apenas nas áreas rurais.

Na região, a exploração de trabalhadores como Batista está migrando das lavouras de cana de açúcar para a construção civil, segundo o Ministério Público do Trabalho em Campinas. Continue reading

Santo Antônio também paralisa obras

Em mais um dia de revolta de trabalhadores na usina de Jirau, o consórcio responsável pelas obras na hidrelétrica de Santo Antônio, que também está sendo construída em Porto Velho, decidiu paralisar os trabalhos. Ontem, operários em Jirau atearam fogo em bloco de alojamentos da Enesa, empresa terceirizada que atua na obra. No momento do ataque, 183 trabalhadores da Enesa estavam no canteiro da usina.

Rodrigo Vargas, Folha de S. Paulo, 19 de marco de 2011

O incêndio começou pouco depois de entrarem no canteiro jornalistas levados pela Camargo Corrêa, que dizia querer mostrar que a situação estava normalizada. “Os camaradas avisaram: “Se vocês não saírem, o alojamento vai queimar”. Ninguém tomou providência”, disse Sadinoel de Lima Santos, motorista da Enesa. Continue reading

Hidrelétricas: confirmação de conflitos e impactos. A nota do Cimi

As hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, têm sido palco de ocorrências de desrespeito a legislação trabalhista: denúncia de trabalho análogo ao escravo, impactos ambientais e sociais, transgressões aos direitos das comunidades tradicionais, colapso nos serviços e espaços públicos (hospitais, ruas, escolas, postos de saúde…), alto custo de vida, tendo a taxa do transporte coletivo um das mais altas do país. A insegurança e o medo estão tomando conta dos moradores da capital.

Cimi Rondônia, 18 de março de 2011

Hidrelétricas em construção na Amazônia Brasileira põem em risco de extinção populações tradicionais, entre elas povos indígenas, a exemplo das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau no Madeira que estão sendo construídas próximas a territórios de quatro povos indígenas em situação de isolamento e risco, os quais desconhecem que grande parte de suas terras está ameaçada e sujeita a destruição. A política indigenista do governo que deveria garantir a proteção desses povos livres tem em seu primeiro plano os grandes projetos. Em nome de um “desenvolvimento” continua ferindo e matando culturas milenares antes mesmo da sociedade ter conhecimento dessas culturas, em contradição à Constituição Federal e a Convenção 169 da OIT que reconhecem ser o Brasil um país pluriétnico. Continue reading

A razão das hidrelétricas

Luiz Pinguelli Rosa, Folha de S.Paulo, 12 de fevereiro de 2011

O setor elétrico brasileiro está sob duplo bombardeio na mídia. Têm ocorrido quedas de energia elétrica com frequência acima do normal. Não há falta de capacidade instalada, como no racionamento de energia em 2001. Na época, faltaram investimentos para expansão do sistema; hoje, o problema está na transmissão e na distribuição.

Por outro lado, os ambientalistas criticam a construção de Belo Monte. No fundo, a questão não é Belo Monte, mas fazer ou não hidrelétricas de potência significativa, em particular na região Norte, onde está a floresta amazônica, foco de justas preocupações ambientais.

Está na região Norte a maior parte do potencial hidrelétrico do Brasil, que possui os maiores recursos hídricos do planeta: 8,2 km3/ano, seguido da Rússia, com apenas 4,5, e do Canadá, com 2,9. Apesar disso, ficamos em quarto lugar em capacidade instalada de hidrelétricas, atrás de China, EUA e Canadá.
Usamos apenas cerca de 30% do potencial hidrelétrico nacional, percentual este que supera 70% na Noruega, seguida de perto por Japão, Canadá e EUA. Entretanto, a hidroeletricidade representa 85% da nossa geração elétrica, só superada pelo Paraguai e pela Noruega.

Deve o país abrir mão de utilizar essa energia? Creio que não. Mas não pode fazê-lo a qualquer preço.
Devem ser cumpridas as restrições ambientais necessárias. O preço da energia de Belo Monte é de R$ 68/MWh, enquanto nas termelétricas novas é de R$ 140/MWh, e há antigas que chegam a R$ 400/ MWh quando operam em caso de escassez de água nas hidrelétricas.

O investimento previsto é de R$ 20 bilhões, definidos no leilão, embora documento do consórcio vencedor fale agora em R$ 26 bilhões, pretendendo vender 20% da energia para consumidores livres a preço maior. Aí está um problema a ser resolvido pelo consórcio, pois deverá ser obrigado a manter o preço de R$ 68/MWh para a rede pública.

A área inundada se restringe praticamente àquela que o rio já ocupa na sua variação sazonal. Ela tem 516 km2, bem menor que Itaipu, com 1.300 km2. A usina de Balbina tem 0,1 W/m2 e Tucuruí tem 2,9 W/ m22: Belo Monte terá 21 W/m2.

Mas há um problema, que é a redução da água na Volta Grande do Xingu, o que preocupa moradores ribeirinhos. A solução é garantir uma vazão mínima. Não haverá reservatório para acumulação, como fazem as hidrelétricas antigas do sistema interligado. Para reduzir os impactos, perdeu-se a capacidade de regularizar a vazão, reduzindo a energia assegurada. A potência máxima de Belo Monte é de 11 GW e a média é de 4,6 GW. A relação desses dois valores dá o fator de capacidade de 42%, bem menor que os de Jirau e de Santo Antônio.

Entretanto, em geral, as hidrelétricas brasileiras têm fator de capacidade pouco acima de 50%. Esse fator é de, em média, 21% nas hidrelétricas na Espanha, de 32% na Suíça, de 35% na França e no Japão, de 36% na China e de 46% nos EUA.

A operação de Belo Monte não pode ser vista isoladamente, pois ela estará no sistema interligado, no qual há transmissão de energia de uma região às outras. Quando Belo Monte gerar 11 GW, ela vai economizar água em reservatórios de outras usinas, que reduzirão sua geração. E essa água guardada permitirá gerar energia adicional nessas usinas.

É natural que os ambientalistas pressionem o governo. Apoiei a então ministra do governo Lula, Marina Silva, quanto às exigências impostas para as usinas do rio Madeira. No final, chegou-se a uma solução para o licenciamento de Jirau e de Santo Antônio pelo Ibama.

Há anos, obras como a de Tucuruí produziram impactos muito grandes. O canteiro de obra causou uma concentração de pessoas abandonadas à própria sorte após a obra. Isso tem de ser evitado.

‘Vai ter muito mais hidrelétricas’, diz Lula

Yara Aquino, Agência Brasil, 13 de abril de 2010

Ao visitar hoje nessa sexta-feira as obras de Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, que foi alvo de protestos de ambientalistas e sofreu atrasos na liberação de licenças ambientais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sem energia não há desenvolvimento. “O Brasil não vai abrir mão de ser autossuficiente em produção de energia, e energia limpa”, disse. Continue reading

Revolta incendeia o Madeira

No limite das péssimas condições de trabalho e da super-exploração da mão-de-obra, veio a revolta dos funcionários da construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira. Todas as atividades pararam praticamente durante duas semanas, no fim de junho. De acordo com os trabalhadores, a situação tornou-se insustentável e, no dia 17, começaram as manifestações. Ônibus da empresa foram apedrejados e queimados e parte do alojamento, depredado.

Eduardo Sales de Lima, Brasil de Fato, 21 de julho de 2010 Continue reading

Intimidação e vigilância nas barragens do Madeira

Eduardo Sales de Lima, Brasil de Fato, 20 de julho de 2010

Eram cerca de 12 seguranças, a maior parte armada, com revólveres escondidos sob suas camisas. Saíam de dois automóveis: uma Hilux vermelha e um Gol prateado. Dirigiram-se a um bar, localizado numa pequena vila, ao lado do alojamento dos trabalhadores da obra da usina Santo Antônio, no rio Madeira. Era segunda-feira, 28 de junho, 11h30 da manhã e a reportagem do Brasil de Fato conversava com a dona do bar. Os homens notaram a presença de pessoas estranhas no local e um deles foi ter com a dona do bar. Após dez minutos, a reportagem se retirou do estabelecimento, assim como todos os seguranças. Continue reading

Usina de Santo Antonio: intensifica-se conflito entre trabalhadores e construtoras

Renée Pereira / São Paulo, Adriel Diniz / Porto Velho, O Estado de S.Paulo, 2 de julho de 2010

Os ânimos andam exaltados pelos lados de Porto Velho, em Rondônia, onde estão sendo levantadas as duas hidrelétricas do Rio Madeira (Santo Antônio e Jirau). Ali, os conflitos entre trabalhadores e construtoras já viraram caso de polícia e estão sendo investigados pelo Ministério Público do Trabalho. Entre os questionamentos, estão as condições do ambiente de trabalho.

O último confronto ocorreu em meados de junho, quando os trabalhadores da Usina de Santo Antônio, em construção pela Odebrecht, decidiram cruzar os braços para reivindicar reajuste de 30% dos salários e pagamento de horas extras. A paralisação culminou com a destruição de 35 ônibus e 1 veículo. Continue reading

Hidrelétricas: ‘A condução do governo é arrogante, autoritária e unilateral’, afirma Ildo Sauer

“O governo ficou dormindo esses anos todos para acordar em berço esplêndido e, finalmente, resolver usar o aproveitamento hidrelétrico planejado ainda no governo anterior pela Odebrecht. Fez às pressas um leilão [Santo Antonio e Jirau], sem estudos ambientais e negociações sociais num patamar pouco digno de um governo que se diz democrático-popular, especialmente por ter surgido com apoio dessas populações todas, que no passado foram barbaramente atingidas pelos aproveitamentos hidrelétricos sem a devida consideração”. A opinião é do engenheiro e ex-diretor de Petróleo e Gás da Petrobras na gestão de Lula até 2007, Ildo Sauer (foto) em entrevista ao sítio do Correio da Cidadania, 25-03-2010. Continue reading

Lobbies impõem usinas do Madeira em detrimento da natureza e da população

Gabriel Brito, Correio da Cidadania, 20 de agosto de 2008

O governo brasileiro liberou a assinatura dos contratos para o início das obras das usinas hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau, no rio Madeira, Rondônia. Cercado de controvérsias a respeito dos estudos de impacto ambiental na região, o projeto, disputadíssimo por grandes empreiteiras, é contestado por diversos membros da sociedade organizada e opinião pública. Para tratar das principais questões acerca do tema, o Correio da Cidadania conversou com o presidente da ONG Rio Madeira Vivo, Iremar Antônio Ferreira. Continue reading

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