Grupo canadense quer extrair ouro no Xingu

O rio Xingu vai deixar de ser palco exclusivo de Belo Monte, a polêmica geradora de energia em construção no Pará. Em uma região conhecida como Volta Grande do Xingu, na mesma área onde está sendo erguida a maior hidrelétrica do país, avança discretamente um megaprojeto de exploração de ouro. O plano da mineradora já está em uma etapa adiantada de licenciamento ambiental e será executado pela empresa canadense Belo Sun Mining, companhia sediada em Toronto que pretende transformar o Xingu no “maior programa de exploração de ouro do Brasil”.

André Borges, Valor, 17 de setembro de 2012

O projeto é ambicioso. A Belo Sun, que pertence ao grupo canadense Forbes & Manhattan Inc., um banco de capital fechado que desenvolve projetos internacionais de mineração, pretende investir US$ 1,076 bilhão na extração e beneficiamento de ouro. O volume do metal já estimado explica o motivo do aporte bilionário e a disposição dos empresários em levar adiante um projeto que tem tudo para ampliar as polêmicas socioambientais na região. A produção média prevista para a planta de beneficiamento, segundo o relatório de impacto ambiental da Belo Sun, é de 4.684 quilos de ouro por ano. Isso significa um faturamento anual de R$ 538,6 milhões, conforme cotação atual do metal feita pela BM & FBovespa. Continuar lendo

Hidrelétricas: quando a discórdia vira tragédia

A recente decisão do TRF, de Brasília, anulando o decreto legislativo que autorizou a construção da usina de Belo Monte, no Xingu, traz de volta a discussão sobre a construção de hidrelétricas no país e a necessidade de ter 30% da energia produzida no Brasil proveniente de hidrelétricas da região Amazônica. Antes de encerrar o caso Belo Monte, o governo se prepara para entrar em nova arapuca – a construção da usina São Luiz do Tapajós, dentro da floresta amazônica.

Najar Tubino, Carta Maior, 23 de agosto de 2012

A recente decisão do Tribunal Regional Federal, de Brasília, anulando o decreto legislativo 788, que autorizou a construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu, traz de volta a discussão sobre a construção de hidrelétricas no país. Não somente isso. A necessidade de ter 30% da energia produzida no Brasil proveniente de hidrelétricas da região Amazônica. Mais que isso, levarão adiante um modelo autoritário de construção, herança da ditadura, onde ao invés de consultas sobre a aceitação ou não das obras são realizados comunicados técnicos, a linguagem preferida dos burocratas do setor elétrico. Continuar lendo

Com suspensão de licenças de Belo Monte, danos devem ser reparados

Com a divulgação, nesta quinta (23), do acórdão da decisão do Tribunal Regional Federal da 1a Região (TRF1) que paralisou a hidrelétrica de Belo Monte, acompanhada de notificações ao Ibama e à Norte Energia, a empresa foi obrigada a parar as atividades sob pena de ter que pagar a multa de R$ 500 mil/dia estipulada pelo TRF1.

Movimento Xingu Sempre Vivo, 23 de agosto de 2012

O acórdão, que detalha os votos dos três desembargadores que decidiram pela nulidade do decreto que autorizou o projeto de Belo Monte, deixa claro que todas as licenças até agora emitidas pelo Ibama – licença prévia, licença de instalação, licenças de desmatamento, ect – são inválidas. Continuar lendo

Belo Monte agrava desarticulação indígena

“Trata-se da velha estratégia utilizada no Brasil há mais de 500 anos. Quando os portugueses chegaram aqui, não tinham poder de fogo para combater os índios, então, colocaram índio contra índio”, constata o biólogo.

IHU On-line entrevista Rodolfo Salm, IHU On-line, 29 de junho de 2012

Diferente da articulação dos povos indígenas na Cúpula dos Povos, em Altamira, Pará, onde está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte, as “comunidades indígenas estão muito desarticuladas”, diz Rodolfo Salm à IHU On-Line. Em entrevista concedida por telefone, ele esclarece que a desarticulação das comunidades indígenas é consequência, além dos seus conflitos internos, da “ação dos construtores e idealizadores de Belo Monte, que dividiram os índios. Eles se aproveitaram de antigas divisões entre os Xikrins, da região de Altamira, e os Caiapós, que estão mais perto do Mato Grosso, e estabeleceram um conflito entre eles. Por isso alguns índios aceitam, de certa forma, a barragem, e outros são radicalmente contra. Esse conflito entre as etnias favoreceu a construção da barragem”. Continuar lendo

”Belo Monte vai exportar empregos”

Karina Ninni entrevista Philip Fearnside, O Estado de S.Paulo, 27 de abril de 2011

O biólogo americano Philip Fearnside acompanha os planos do governo para explorar o potencial hidrelétrico da Amazônia desde os anos 70, quando morou em Altamira, no Pará. Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), órgão federal, Fearnside afirma que a Usina de Belo Monte, vendida como solução para evitar o apagão no País, terá boa parte de sua energia usada pela indústria de eletrointensivos, em especial a de alumínio. Para ele, o Brasil vai exportar produtos primários, criando empregos no exterior. “E os impactos vão ficar aqui, com os ribeirinhos e os índios.” Continuar lendo

Mais informação, economia melhor

Washington Novaes, O Estado de S.Paulo, 15 de abril de 2011

Um mínimo de prudência e bom senso poderia ter evitado ao Brasil o vexame de se tornar objeto de uma decisão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), pedindo que suspenda imediatamente o licenciamento e a construção da usina de Belo Monte, por causa do “potencial prejuízo da obra aos direitos das comunidades tradicionais da bacia do Rio Xingu”. Continuar lendo

Carta de Belém. Em defesa dos rios, da vida e dos povos da Amazônia

Os participantes do seminário “Energia e desenvolvimento: a luta contra as hidrelétricas na Amazônia”, após ouvir professores e pesquisadores de importantes universidades afirmarem que Belo Monte não tem viabilidade econômica, pois vai produzir somente 39% de energia firme, 4,5 mil MW dos 11 mil prometidos.

Afirmarem ainda que a repotenciação de máquinas e equipamentos e a recuperação do sistema de transmissão existente poderiam acrescentar quase duas vezes o que esta usina produziria de energia média, investindo um terço do que se gastaria na construção de Belo Monte. Continuar lendo

OEA determina suspensão imediata de Belo Monte

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) solicitou oficialmente que o governo brasileiro suspenda imediatamente o processo de licenciamento e construção do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, no Pará, citando o potencial prejuízo da construção da obra aos direitos das comunidades tradicionais da bacia do rio Xingu. De acordo com a CIDH, o governo deve cumprir a obrigação de realizar processos de consulta “prévia, livre, informada, de boa-fé e culturalmente adequada”, com cada uma das comunidades indígenas afetadas antes da construção da usina. O Itamaraty recebeu prazo de quinze dias para informar à OEA sobre o cumprimento da determinação.

Movimento Xingu Vivo Para Sempre, 5 de abril de 2011

A decisão da CIDH é uma resposta à denúncia encaminhada em novembro de 2010 em nome de varias comunidades tradicionais da bacia do Xingu pelo Movimento Xingu Vivo Para Sempre (MXVPS), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Prelazia do Xingu, Conselho Indígena Missionário (Cimi), Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Justiça Global e Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (AIDA). De acordo com a denúncia, as comunidades indígenas e ribeirinhas da região não foram consultadas de forma apropriada sobre o projeto que, caso seja levado adiante, vai causar impactos socioambientais irreversíveis, forçar o deslocamento de milhares de pessoas e ameaçar uma das regiões de maior valor para a conservação da biodiversidade na Amazônia. Continuar lendo

Procurador defende paralisação imediata de Belo Monte para evitar danos à imagem do Brasil no exterior

A posição do governo brasileiro em relação à construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte, pode fazer o país perder credibilidade no cenário internacional, afirmou o procurador da República no Pará, Felício Pontes. Para ele, o governo deveria rever o projeto da usina hidrelétrica “enquanto há tempo”.

Daniella Jinkings, Agência Brasil, 5 de abril de 2011

Nessa terça-feira a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu a suspensão do processo de licenciamento da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Rio Xingu (PA). O governo reagiu às críticas da comissão dizendo que foram “precipitadas e injustificáveis”. Continuar lendo

Belo Monte: o diálogo que não houve

Dom Erwin Kräutler, Correio da Cidadania, 30 de março de 2011

Carta aberta à Opinião Pública Nacional e Internacional

Venho mais uma vez manifestar-me publicamente em relação ao projeto do governo federal de construir a Usina Hidrelétrica Belo Monte, cujas conseqüências irreversíveis atingirão especialmente os municípios paraenses de Altamira, Anapu, Brasil Novo, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Vitória do Xingu e os povos indígenas da região.

Como Bispo do Xingu e presidente do Cimi, solicitei uma audiência com a presidente Dilma Rousseff para apresentar-lhe, à viva voz, nossas preocupações, questionamentos e todos os motivos que corroboram nossa posição contra Belo Monte. Lamento profundamente não ter sido recebido. Continuar lendo

As utopias do Xingu nos seus 50 anos

Washington Novaes – O Estado de S.Paulo, 25 de março de 2011

Começa a tomar corpo em áreas da comunidade científica, do jornalismo, das artes, do Judiciário, além de organizações não governamentais, um projeto de levar à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) uma proposta de reconhecer o Parque Indígena do Xingu, que está completando 50 anos, como patrimônio histórico, cultural e ambiental da humanidade. Nada mais justo e necessário para essa área de 2,6 milhões de hectares (26 mil quilômetros quadrados), criada no governo Jânio Quadros, em 1961, por proposta dos irmãos Villas-Bôas, onde vivem 16 etnias e há vestígios documentados de ocupações e culturas há mais de mil anos. Mas essa grande ilha de conservação ambiental e cultural, em Mato Grosso, corre riscos muito graves, por estar no meio de um território devastado pelo desmatamento e pelo avanço das culturas de grãos e da pecuária. Continuar lendo

Empresas interessadas em Belo Monte recebem alerta sobre riscos à imagem

Onze empresas que se mostraram interessadas em substituir a Bertin no Consórcio Norte Energia receberam notificação extrajudicial que aponta riscos da usina e promete intensificação das campanhas nacionais e internacionais contra os construtores de Belo Monte.

Movimento Xingu Vivo para Sempre, 22-03-2011.

Uma notificação extrajudicial assinada por 17 entidades ligadas ao Movimento Xingu Vivo para Sempre foi enviada nesta terça, 22, às empresas Vale, Alcoa do Brasil, Arcelor Mittal Inox Brasil, Camargo Correa, China Three Gorges Corporation, CSN, EBX, GERDAU, State Grid, ThyssenKrupp CSA Siderúrgica do Atlântico Ltda. E Votorantim Energia, que já manifestaram interesse em participar do leilão que substituira a Bertin no Consórcio Norte Energia AS (NESA) que pretende construir a hidrelétrica de Belo Monte. Continuar lendo

Jirau é um sinal de alerta ao governo e seus empresários

Aliança dos Rios da Amazônia – Movimento Xingu Vivo para Sempre, Aliança Tapajós Vivo, Movimento Rio Madeira Vivo e Movimento Teles Pires Vivo, 21 de marco de 2011

Esta semana, o canteiro de obras da hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, virou um campo de batalhas; depois um inferno em chamas; depois um deserto de cinzas e aço retorcido.

Jirau concentra todos os problemas possíveis: em ritmo descontrolado, trouxe à região o “desenvolvimento” da prostituição, do uso de drogas entre jovens pescadores e ribeirinhos, da especulação imobiliária, da elevação dos preços dos alimentos, das doenças sem atendimento, e de violências de todos os tipos.

Em Julho de 2010, as populações atingidas pela obra já protestavam contra o não cumprimento de condicionantes, desrespeito e irregularidades no processo de desapropriação/expulsão de suas áreas, fraudes nas indenizações, etc. Em outubro, mais de um ano após o início das obras, os ministérios públicos Federal e Estadual de Rondônia impetraram uma ação civil pública contra o Estado, o município de Porto Velho, a União, o Ibama, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Energia Sustentável do Brasil (ESBR, empresa responsável pelas obras), por descumprimento de condicionantes nas áreas de saúde, educação, transporte e segurança. Até hoje, 70% não saíram do papel. Continuar lendo

Belo Monte. O futuro da energia no retrovisor

Marcelo Furtado, Folha de S.Paulo, 12 de fevereiro de 2011

O Brasil precisa de energia para seguir crescendo. Mas não precisa de Belo Monte. Um estudo do Greenpeace lançado em novembro, o (R)evolução Energética, mostra que o país pode suprir suas necessidades energéticas investindo em fontes de geração renovável, como a eólica e a solar, e dispensando a construção de megahidrelétricas na região da Amazônia. Continuar lendo

O Xingu do século 21 ameaçado

Se nossos dirigentes tivessem interesse em entender a cultura dos indígenas, abortariam qualquer projeto que os ameaçasse, como Belo Monte

Cao Hamburger, Folha de S.Paulo, 6 de fevereiro de 2011

Em 2011, o Parque Indígena do Xingu está fazendo 50 anos. Algo profundo mudou na minha percepção de mundo enquanto conhecia o parque e sua história durante a produção do filme “Xingu”. Sem dúvida, é um dos maiores patrimônios do Brasil – e nós, brasileiros, não temos a menor ideia do que ele representa e do que está protegido ali. Criado em 1961, é a primeira reserva de grandes proporções no Brasil. Continuar lendo

Belo Monte e as eleições presidenciais

Rodolfo Salm, Correio da Cidadania, 22 de dezembro de 2010

Há uma infinidade de problemas importantes, para todos os gostos, no país e no mundo. Mas a minha perspectiva de ecólogo me indica que a grande marca do nosso tempo é a destruição da maior floresta tropical do planeta, a Floresta Amazônica. As gerações futuras sofrerão as conseqüências desta devastação e uma grande parcela de culpa cairá sobre nós, os brasileiros de hoje, que apesar de termos conhecimento sobre a importância dessas florestas seguimos indiferentes na marcha destrutiva. Escrevo isso tudo para dizer que o ano de 2010 foi absolutamente desastroso para o meio ambiente. Aqui no Xingu foi ainda pior, principalmente pela aprovação da obra de Belo Monte e a derrota da oposição nas eleições presidenciais. Continuar lendo

Para que serviu o Encontro das Quatro Bacias ameaçadas pelo plano de hidrelétrica do Governo Federal?

Realizou-se, em Itaituba, PA, de 25 a 27 de agosto, o I Encontro dos Povos e Comunidades Atingidas e Ameaçadas por Grandes Projetos de Infra-Estrutura, nas bacias dos rios da Amazônia: Madeira, Tapajós, Teles Pires e Xingu. Ontem publicamos a carta dos participantes do Encontro.

Editorial da Rádio Rural AM de Santarém no Pará, enviada por Edilberto Sena, coordenador da rádio e membro da Frente em Defesa da Amazônia (FDA). IHU On-line, 30 de agosto de 2010 Continuar lendo

Belo Monte receberá R$ 560 mi este ano

Rafael Bitencourt e André Borges, Valor, 27 de agosto de 2010

O consórcio Norte Energia, responsável pela construção da hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu (PA), prepara um aporte de R$ 560 milhões até o fim do ano para iniciar as obras. Segundo Carlos Nascimento, presidente do consócio, cerca de R$ 260 milhões serão usados na conclusão de estudos e montagem da empresa. Os R$ 300 milhões serão aplicados na construção do canteiro de obras. As declarações foram feitas ontem, durante cerimônia de assinatura do contrato de concessão de Belo Monte, no Palácio do Planalto. Continuar lendo

Indigenas protestam contra a concessão de Belo Monte em Brasília

Uma mobilização contra a assinatura do contrato de Concessão de Belo Monte marcou a inauguração do Palácio do Planalto nessa quinta-feira, dia 26.

Coiab – Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Amazônia.org.br, 26 de agosto de 2010

O ato aconteceu na praça dos três poderes, em Brasília/DF e contou com a participação de lideranças indígenas, representantes de organizações ambientais como o Greenpeace, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e da Articulação dos povos Indígenas do Brasil (APIB) e da sociedade civil. Continuar lendo

Belo Monte. ofensiva macabra para sentenciar a morte do rio Xingu

Diversas entidades e organizações que lutam contra a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, organizaram um manifesto que aponta as ilegalidades que envolvem a assinatura da concessão de Belo Monte. Segundo o documento, a “assinatura da Concessão de Belo Monte é mais uma ofensiva macabra para sentenciar a morte do rio Xingu”. Continuar lendo

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