A revolta no grande projeto

Lúcio Flávio Pinto, Correio da Cidadania, 31 de março de 2011

Duas das maiores obras em andamento no Brasil foram paralisadas na semana passada. Se fossem localizadas no sul do país, a grande imprensa nacional certamente daria o destaque compatível com a gravidade do acontecimento. Mas como os fatos se deram em Rondônia, no extremo oeste, o noticiário foi pequeno e insatisfatório. Continuar lendo

Trabalhadores do Porto do Açu param por melhores salários e condições de trabalho

Cerca de mil dos 1,2 mil empregados da empresa ARG, que trabalham nas obras de construção do Porto do Açu, em São João da Barra, no norte fluminense, cruzaram os braços na madrugada do dia 30 para reivindicar melhores condições de trabalho e 30% de adicional de insalubridade.

Nielmar de Oliveira, Agência Brasil, 30 de março de 2011

Os manifestantes bloquearam a estrada vicinal que dá acesso ao porto, um megaprojeto do empresário Eike Batista. Agentes da Polícia Rodoviária Federal liberaram a estrada, mas os trabalhadores continuam sem trabalhar em protesto contra o que chamam de “péssimas condições de trabalho”. Continuar lendo

”Fator Egito” influencia conflitos em obras

A onda de manifestações, que começou nos canteiros da usina de Jirau, é influenciada por um “fator Egito”, de multiplicação de conflitos, segundo especialistas.

Maria Cristina Frias, Folha de S. Paulo, 31 de março de 2011

“Quando se percebe que pessoas unidas podem derrubar um ditador, fica reforçada a ideia de que é possível abalar um poder instituído”, diz Rafael Alcadipani, professor da FGV-SP, especialista em cultura organizacional. Continuar lendo

Movimentos sociais e os operários e atingidos pelas usinas de Jirau e Santo Antônio

Movimentos sociais divulgam nota em apoio aos trabalhadores das usinas do complexo Madeira. Assinam a nota, entre outros, o MST, CPT, CUT e MAB.

Neste mês de março, acompanhamos a revolta e greve dos operários nas usinas de Jirau e Santo Antônio, localizadas no Rio Madeira, em Rondônia, sob responsabilidade – respectivamente – das empresas Camargo Corrêa e Odebrecht. Varias outras revoltas semelhantes já haviam ocorrido e vêm ocorrendo em varias partes do Brasil.

Nós, do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, da Plataforma BNDES e da Central Única dos Trabalhadores (CUT-Brasil), tomamos uma iniciativa conjunta com as demais organizações que assinam este documento, de manifestar solidariedade pública à legitima luta dos operários e atingidos destas duas usinas. Também estamos denunciando e reivindicando que o Tribunal Regional do Trabalho de Rondônia reveja sua decisão e cancele imediatamente a multa diária de R$ 50.000 sobre a organização dos operários (STICCERO/CUT) e reconheça a greve dos operários da Usina de Santo Antônio como legítima. Continuar lendo

Pressão para antecipar Jirau causou revolta

O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, avaliou ontem que a revolta dos operários da usina hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, ocorreu no momento em que o consórcio construtor tentava antecipar a entrega da obra.

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo, 30 de março de 2011

Em entrevista no Planalto, Carvalho disse que o governo não vai tolerar nos canteiros de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) trabalho “indecente” e a contratação de “gatos”, intermediários que recrutam operários. Continuar lendo

Pela suspensão dos financiamentos do BNDES a obras que violam os direitos dos trabalhadore

Plataforma BNDES, 29 de março de 2011

Nos últimos dias, uma série de violações dos direitos mais elementares dos trabalhadores em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) têm sido noticiadas pela imprensa: na construção das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira; na construção da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco; e na termelétrica de Pecém, no Ceará.

Apesar destes direitos trabalhistas estarem consolidados em lei, as suas recorrentes violações não fizeram com que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), maior financiador das obras do PAC, suspendesse os financiamentos a essas polêmicas obras. Além disso, o Banco continua a não submeter os critérios de aprovação aos financiamentos e o monitoramento de contratos ao debate público e à fiscalização. Continuar lendo

A rebelião de Jirau

Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT,IHU On-line, 28 de março de 2011

O maior canteiro de obras do Brasil, localizado no sítio do Jirau, cidade de Porto Velho em Rondônia, ardeu em chamas no dia 15 de março e em poucas horas virou cinzas. Alojamentos e ônibus foram queimados ou destruídos, além do posto de saúde, de escritórios e do almoxarifado. A destruição do canteiro de obras foi resultado de um levante operário. 22 mil trabalhadores estavam envolvidos na construção da usina que forma o complexo hidrelétrico do Madeira junto com a usina de Santo Antônio. Continuar lendo

Incidentes deixaram lições para todos, diz executivo

Mauro Zanatta, Valor, 25 de março de 2011

Passado o momento mais agudo de tensão nos canteiros das usinas de Jirau e Santo Antônio, a hora agora é de reflexão sobre o ocorrido nas duas obras do complexo hidrelétrico do rio Madeira, as maiores vitrines do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mesmo sem ainda superar questões salariais, executivos, operários e sindicalistas tentam projetar o futuro das relações trabalhistas e falam em aprender com o passado. “Paramos para refletir”, admite o diretor-superintendente da Odebrecht Energia, José Bonifácio Pinto Junior. “Temos 16 mil trabalhadores e no meio sempre tem agitação. Mas quem está aqui quer trabalhar, veio para ganhar dinheiro.” Continuar lendo

O efeito dominó da revolta em Jirau

Leonardo Sakamoto, Blog do Sakamoto, 23 de março de 2011

Conversei com jornalistas que foram cobrir a situação causada pelos protestos no canteiro de obras da hidrelétrica de Jirau, em Rondônia. Quase todos foram com uma pauta sobre vandalismo, mas voltaram com um número maior de matérias tratando de graves problemas trabalhistas e de sério desrespeito aos direitos fundamentais. Isso foi percebido pelos leitores/ouvintes/telespectadores que acompanharam o caso com atenção nos últimos dias, a ponto de refletir nas cartas e e-mail recebidos em redações. As primeiras notícias trataram de quebra-quebra, depois começou a aparecer o pano de fundo. Continuar lendo

Jirau e os acordos espúrios

Acordos espúrios têm sido uma constante para viabilizar grandes empreendimentos do PAC na Amazônia, como as usinas Santo Antônio e Jirau no rio Madeira e Belo Monte, no rio Xingu. As conseqüências estão se avolumando. Invasões e saque por parte de madeireiros, pecuaristas e desmatadores em unidades de conservação e terras indígenas. E agora, a revolta justificada dos operários das obras de Jirau.

Telma Monteiro, EcoDebate, 24 de março de 2011

O consórcio ESBR, responsável pelas obras de Jirau, tem sido protagonista de muitos casos de irregularidades desde que venceu a licitação em 2009. Um dos casos mais emblemáticos foi aquele que envolveu a mudança do projeto original sem os necessários estudos ambientais para a nova localização. Essa alteração de projeto iria afetar diretamente parte da Reserva Estadual do Rio Vermelho, não fosse um acordo imoral entre o ICMBIO, o Ministério do Meio Ambiente e o Governo de Rondônia. Continuar lendo

Dilma quer saída para greves em obras do PAC

Paulo de Tarso Lyra e André Borges, Valor, 24 de março de 2011

O governo está alarmado com a onda de paralisações de operários nas principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e quer agir antes que a crise se torne incontrolável e se alastre ainda mais. Ontem, 80 mil operários da construção civil estavam parados, somados os profissionais que atuam nas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Porto Velho (RO), além dos complexos portuários de Suape (PE) e Pecém (CE). No início da noite, 16 mil destes decidiram retornar ao trabalho hoje, após acordo com o consórcio que administra a obra da usina de Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia. Continuar lendo

O que acontece em Jirau e Santo Antônio já estava previsto

Sérgio Abranches, Ecopolítica, 24 de março de 2011

A tensão continua em Santo Antônio e Jirau. As obras estão paralisadas. O impasse com os trabalhadores persiste. As condições sociais em Porto Velho estão se deteriorando, por causa da mudança no perfil da população e da economia local com as obras. Está claro que tanto o impacto ambiental, quanto o efeito social das obras não foi adequadamente avaliado. Tudo isso era previsível. Continuar lendo

Protesto adia retorno de obras em Santo Antônio

Uma mobilização de trabalhadores por melhoria de salários impediu ontem o retorno das atividades no canteiro de obras da hidrelétrica de Santo Antônio, em Porto Velho (RO).

Rodrigo Vargas, Folha de S. Paulo, 23 de março de 2011

O reinício dos trabalhos havia sido anunciado no dia anterior pelo consórcio Santo Antônio, responsável pela construção. Na sexta, o canteiro foi fechado preventivamente devido aos conflitos ocorridos na usina de Jirau. Os trabalhadores deixaram o canteiro após a garantia, por parte da empresa, de abertura de negociação. Uma comissão com 15 trabalhadores foi formada para definir a pauta.

As principais reivindicações são reajuste salarial (15%), aumento no valor da cesta básica (de R$ 110 para R$ 350) e planos de saúde com cobertura para familiares que estão em outros Estados. Representantes da Odebrecht afirmaram que o consórcio está “aberto a ouvir as propostas”.

INQUÉRITO

O Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar a ocorrência de possíveis violações aos direitos humanos no canteiro da usina de Jirau. Após os tumultos, operários relataram que sofriam “violência física” por parte de funcionários contratados pela Camargo Corrêa. A Folha procurou a assessoria da empresa, que ainda não respondeu.

Usinas hidrelétricas do Complexo Rio Madeira: Bombas com efeito retardado

Rebelião no Jirau: faltas de previsão e omissões por parte das Empresas e do governo na construção das usinas hidrelétricas e em relação aos impactos deixam prever catástrofes no futuro.

Cimi Rondônia, EcoDebate, 21 de março de 2011

Os rondonienses assistiram perplexos na TV ou por internet a um espetáculo apocalíptico assustador: No sítio do Jirau (RO), local da maior obra do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) no Brasil, grande parte das instalações da Camargo Corrêa, empresa responsável pela construção da hidrelétrica, virou cinzas. A revolta de um punhado de trabalhadores descontentes não pôde ser controlada pelas forças de segurança. Assim, foram queimados mais de 40 ônibus, carros, casas de alojamento, lan house, etc… Na noite do dia seguinte, a Camargo Corrêa noticiou que tudo voltou ao normal (!) e chamou os trabalhadores de volta. Informou também que medidas de segurança foram reforçadas. Continuar lendo

Trabalho degradante cresce em obras

Exploração migra das lavouras para a construção civil; empregados moram em quartos apertados e ficam sem água. Aquecimento do setor e atuação de aliciadores são apontados como as principais razões para o aumento dos casos.

Marília Rocha, Folha de S.Paulo, 20 de março de 2011

Doente e dividindo com outros 28 operários um dormitório onde só cabem dez pessoas, Josivaldo Santos Batista, 37, foi flagrado na periferia de Campinas há uma semana em condições degradantes de trabalho -situação que, no interior de São Paulo, era comum apenas nas áreas rurais.

Na região, a exploração de trabalhadores como Batista está migrando das lavouras de cana de açúcar para a construção civil, segundo o Ministério Público do Trabalho em Campinas. Continuar lendo

Santo Antônio também paralisa obras

Em mais um dia de revolta de trabalhadores na usina de Jirau, o consórcio responsável pelas obras na hidrelétrica de Santo Antônio, que também está sendo construída em Porto Velho, decidiu paralisar os trabalhos. Ontem, operários em Jirau atearam fogo em bloco de alojamentos da Enesa, empresa terceirizada que atua na obra. No momento do ataque, 183 trabalhadores da Enesa estavam no canteiro da usina.

Rodrigo Vargas, Folha de S. Paulo, 19 de marco de 2011

O incêndio começou pouco depois de entrarem no canteiro jornalistas levados pela Camargo Corrêa, que dizia querer mostrar que a situação estava normalizada. “Os camaradas avisaram: “Se vocês não saírem, o alojamento vai queimar”. Ninguém tomou providência”, disse Sadinoel de Lima Santos, motorista da Enesa. Continuar lendo

Hidrelétricas: confirmação de conflitos e impactos. A nota do Cimi

As hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, têm sido palco de ocorrências de desrespeito a legislação trabalhista: denúncia de trabalho análogo ao escravo, impactos ambientais e sociais, transgressões aos direitos das comunidades tradicionais, colapso nos serviços e espaços públicos (hospitais, ruas, escolas, postos de saúde…), alto custo de vida, tendo a taxa do transporte coletivo um das mais altas do país. A insegurança e o medo estão tomando conta dos moradores da capital.

Cimi Rondônia, 18 de março de 2011

Hidrelétricas em construção na Amazônia Brasileira põem em risco de extinção populações tradicionais, entre elas povos indígenas, a exemplo das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau no Madeira que estão sendo construídas próximas a territórios de quatro povos indígenas em situação de isolamento e risco, os quais desconhecem que grande parte de suas terras está ameaçada e sujeita a destruição. A política indigenista do governo que deveria garantir a proteção desses povos livres tem em seu primeiro plano os grandes projetos. Em nome de um “desenvolvimento” continua ferindo e matando culturas milenares antes mesmo da sociedade ter conhecimento dessas culturas, em contradição à Constituição Federal e a Convenção 169 da OIT que reconhecem ser o Brasil um país pluriétnico. Continuar lendo

Tecnologia prolonga jornada de trabalho

Verena Fornetti, Folha de S. Paulo, 22 de agosto de 2010

O marido se aborrece: “Você é explorada”. Ela dá de ombros. “Se o trabalho é flexível, posso ficar mais tempo com as crianças.” Fora do escritório, a publicitária Beatriz Magalhães, 32, gerente de uma agência em São Paulo, não fica nem meia hora sem acessar a internet no telefone celular. “Minha caixa de entrada parece um gremlin. Brota e-mail na tela. E é tudo trabalho. Minha vida pessoal não é tão agitada”, diverte-se.

Smartphone, iPad, computador portátil e intranets que permitem acessar ambientes corporativos remotamente tornaram-se instrumentos fundamentais para os que têm cargo de liderança, profissionais liberais ou para quem está em ramos em que é preciso estar disponível e ser ágil. Mas esses “gadgets” – palavra da moda para se referir a esses aparelhos – têm o efeito de prolongar a jornada dos trabalhadores. Continuar lendo

Panamá prohíbe por ley el derecho a huelga

El Gobierno conservador de Panamá ha aprobado una ley que prohíbe la huelga y elimina la necesidad de estudios de impacto ambiental en los proyectos de las transnacionales en el país.

Torge Löding, Diagonal, 27 de julho de 2010

“No es un movimiento de los partidos de oposición contra una ley, sino de la población en resistencia contra la política que hemos sufrido en el último año”, dijo Olmedo Carrasquilla, periodista de Radio Temblor. Panamá vive una sucesión de huelgas y manifestaciones cuyo detonante fue la aprobación el 16 de junio de la llamada Ley 30 por parte del Gobierno conservador de Ricardo Martinelli, de Acción por el Cambio. Esta ley se ha impuesto “en sólo tres días, sin debate, y con la argucia legal de modificar una ley sobre aviación comercial, con la intención de pasar desapercibida ante la opinión pública”, dice Silvestre Díaz, del Frente Nacional por la Defensa de los Derechos Económicos y Sociales de Panamá (Frenadeso). Continuar lendo

Revolta incendeia o Madeira

No limite das péssimas condições de trabalho e da super-exploração da mão-de-obra, veio a revolta dos funcionários da construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira. Todas as atividades pararam praticamente durante duas semanas, no fim de junho. De acordo com os trabalhadores, a situação tornou-se insustentável e, no dia 17, começaram as manifestações. Ônibus da empresa foram apedrejados e queimados e parte do alojamento, depredado.

Eduardo Sales de Lima, Brasil de Fato, 21 de julho de 2010 Continuar lendo

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