Centrais perderam o monopólio das mobilizações políticas

CUT UGT ForçaRicardo Mendonça, Folha de S.Paulo, 12 de julho de 2013

Talvez só haja uma semelhança entre os organizados protestos das centrais sindicais e as desorganizadas manifestações de rua de três semanas atrás: a pauta difusa. Cada sindicalista tinha uma causa ontem. Pela redução da jornada, contra a terceirização, por mudança no cálculo da aposentadoria, contra a inflação, pelos 10% do PIB na educação, pela reforma agrária, pelo plebiscito da reforma política e até pela demissão imediata do ministro Guido Mantega.

O melhor resumo foi feito já na véspera pelo presidente do PSTU, José Maria de Almeida: “O PT pode dizer o que pensa, o PSTU pode dizer o que pensa. E quem estiver na manifestação vai julgar, aplaudindo ou vaiando quem defende o governo”. Líder da CSP/Conlutas, Almeida, ex-metalúrgico expulso do PT nos anos 1990 por radicalismo, protestou em pareceria com uma gama eclética de centrais: da UGT, ligada ao PSD de Gilberto Kassab, à Nova Central, do PMDB.

Há duas lógicas para tentar compreender o que ocorreu ontem. E ambas colocam os líderes das centrais a reboque dos protestos de junho. Continuar lendo

An Ascending Trajectory?: Ten of the Most Important Social Conflicts in the US in 2012

occupy togetherDan La Botz, Europe Solidaire Sans Frontiere / New Politics, January 3, 2012

The most important American social conflict of 2012—the Chicago Teachers Union strike—suggests that the rising trajectory of social struggle in the United States that began at the beginning of 2011 may be continuing to ascend. While the United States has a much lower level of class struggle and social struggle than virtually any other industrial nation—few American workers are unionized (only 11.8%) and unionized workers engage in few strikes and those involve a very small numbers of workers—still, the economic crisis and the demand for austerity by both major political parties, Republican and Democrat, has led to increased economic and political activity and resistance by labor unions, particularly in the public sector.[1] Continuar lendo

Paquistão: greve geral em protesto contra a morte de 314 trabalhadores em incêndios

Fábrica têxtil de Karachi, de cinco andares, era uma verdadeira prisão: as janelas tinham barras de ferro e não havia saídas de emergência. Foi preciso serrar as barras para saltar, em muitos casos para a morte. Protesto será dia 15.

Tomi Mori, Esquerda.net, 13 de setembro de 2012

Na terça-feira, dois incêndios levaram a vida de pelo menos 314 trabalhadores, numa das maiores tragédias da história industrial do Paquistão. Em Karachi, a maior cidade do país, morreram pelo menos 289 quando a fábrica têxtil, que empregava 1.500 trabalhadores pegou fogo, transformando os cinco andares do edifício onde operava num verdadeiro inferno, segundo relatam testemunhas do desastre. Homens e mulheres tiveram que saltar pelas janelas, morrendo ou, no melhor dos casos, ferindo-se. As condições de segurança de trabalho não são cumpridas pela maior parte das empresas do Paquistão, como ocorre em absolutamente todos os países do globo, em maior ou menor grau, levando sempre à injusta morte de trabalhadores. Não havia qualquer saída de emergência, e as portas existentes, que poderiam estar abertas para prevenir a tragédia, estavam fechadas. Todas as janelas do prédio tinham barras de aço e os operários tiveram de serrá-las, como puderam, desesperados, enquanto as chamas consumiam o prédio, para tentar escapar. Só havia uma porta de saída aberta e a empresa parecia mais um presídio que um local de trabalho. Continuar lendo

Hightide for the Indonesian workers movement

Zely Ariane, ESSF, September 13, 2012

Throughout 2011 and until now, we are seeing new wave of workers radicalization. The momentum started when thousands of workers mobilised under the banner of the Social Security Action Comittee (KAJS), demanding that the law on Social Security Provider (BPJS) would be passed mid 2011 [1]. Beside debate on the pro and cons of the law between workers organisations, mobilisations proved to be an effective way of pushing the demand and the draft law was passed after an occupation of the parliament [2] Continuar lendo

Marikana: um divisor de águas na época pós-apartheid

O governo sul-africano, desconcertado, tentando evitar a óbvia associação entre o massacre – que já está a ser denominando o Sharpeville do CNA – e a longa história do apartheid. O principal sindicato mineiro não denunciou os perpetradores do bárbaro crime e dedicou-se a atacar o sindicato rival. O PC sul-africano fez o mesmo.

Waldo Mermelstein,Esquerda.net, 31 de agosto de 2012

As imagens sobre o massacre de 34 mineiros por polícias fortemente armados suscitaram uma forte reação em todos aqueles que conservam na memória uma das lutas mais justas do século XX, que foi a batalha de décadas dos trabalhadores e da maioria negra da África do Sul contra o apartheid.

Todos aqueles que têm alguma vivência no movimento dos trabalhadores, mesmo sem ter pleno conhecimento das reivindicações e do desenrolar concreto da luta, naturalmente ficam imediatamente do lado dos mineiros, brutalizados por uma polícia que veio ajudar a empresa proprietária da mina a quebrar sua greve. Mas o estranho em tudo isso é que o principal sindicato mineiro, mesmo sem dirigir a luta, não denunciou os perpetradores desse bárbaro crime, dedicou-se a atacar o sindicato rival que deu apoio à luta e não se colocou inteiramente solidário a uma luta que, no momento de escrever esta nota, ainda persiste e envolve cerca de 3 mil mineiros, com a participação ativa das comunidades em que moram. Continuar lendo

Massacre em mina da África do Sul explicita impopularidade do partido criado por Mandela

Ele ainda era criança, quando 18 anos atrás os racistas brancos perderam o poder e os sul-africanos negros se libertaram do apartheid. Hoje, Mhlangabezi Ndlelen está sentado diante de seu barraco de chapas de metal em Wonderkop, uma favela a cerca de 100 km de Johannesburgo. A minúscula cabana –de seis metros quadrados- abriga Ndlelen, a mulher e os filhos. Ndlelen tem uma cama e uma mesa, mas não tem água corrente.

Ele tira um contracheque da jaqueta. A empresa de mineração Lonmin paga a ele o equivalente a 600 euros (em torno de R$ 1.500 ) por mês para operar guindastes a 1.000 metros de profundidade. “Simplesmente, não é o suficiente”, diz ele. “Tenho que alimentar minha mulher e três filhos com o dinheiro.” Ndlelen estava entre os 3.000 funcionários que entraram em greve na mina de platina de Marikana, há mais de duas semanas.

 Horand Knaup e Jan Puhl, Der Spiegel / Portal Uol, 30 de agosto de 2012

Os trabalhadores estavam pedindo à Lonmin que dobrasse seus salários. Eles dançavam, cantavam e carregaram lanças e facas. Na quinta-feira dia 16 de agosto, a polícia finalmente perdeu a paciência e atirou contra a multidão com armas automáticas. No final, 34 dos colegas mineiros de Ndlelen estavam mortos. Ou seja, policiais negros trituraram trabalhadores negros, exatamente como a política do apartheid fazia contra manifestantes negros. O banho de sangue é um desastre para o Congresso Nacional Africano (CNA), que governa o país desde 1994. Mas o partido do herói nacional Nelson Mandela já estava perdendo autoridade e credibilidade há anos e hoje em dia é visto como corrupto, incompetente e arrogante. Continuar lendo

Sudáfrica: el Shaperville neoliberal

Pepe Gutierrez-Álvarez, Anticapitalistas.org, 20 de agosto de 2012

El asesinato a la vieja usanza por parte de la policía sudafricana –que siempre fue multirracial, vean sino la película de Morgan Freeman, Bopha, con Danny Glover-, de 34 mineros en huelga en la operación represiva más sangrienta desde que concluyó el apartheid, ha removido los cimientos de una sociedad que había mudado de piel pero en la que, como en todas partes, la prepotencia de los poderosos se fue haciendo más ostensibles que en los años en los que la mayoría negra permanecía encarcelada en su propia país. Continuar lendo

África do Sul: depois das 34 mortes, empresa ameaça despedir todos os trabalhadores

Administração da Lonmin, empresa proprietária da mina de platina Marikana, onde 34 mineiros em greve foram mortos pela polícia, dá ultimato e ameaça com despedimento coletivo. Grevistas dizem que preferem morrer a recuar.

Esquerda.net, 20 de agosto de 2012

A administração da Lonmin, empresa proprietária da mina de platina Marikana, a noroeste de Johannesburgo, onde 34 mineiros em greve foram mortos pela polícia na quinta-feira, ameaça agora despedir todos os grevistas. Continuar lendo

Marikana: uma tragédia brutal que nunca devia ter acontecido

O afastamento entre os trabalhadores sindicalizados e os líderes sindicais é um elemento que está por detrás do que aconteceu na Lonmin e do que está a acontecer noutras minas de platina.

Editorial da revista sul-africana Amandla, Esquerda.net, 18 de agosto de 2012

Nenhum acontecimento desde o fim do Apartheid pode resumir a superficialidade da transformação neste país como o massacre de Marikana. O que ali aconteceu irá ser discutido por muitos anos. Já é evidente que os mineiros irão ser culpados de serem violentos. Os mineiros serão retratados como selvagens. Ainda assim, a verdade é que a polícia fortemente armada com munições reais disparou e matou brutalmente mais de 35 mineiros. Muitos mais ficaram feridos. Alguns irão morrer por causa desses ferimentos. Outros dez trabalhadores já tinham sido assassinados nas vésperas deste massacre. Continuar lendo

China: a revolução silenciosa

Tomi Mori, Esquerda.net, 24 de dezembro de 2011

Não é raro que acontecimentos importantes nas nossas vidas ocorram sob os nossos narizes e sejamos os últimos a percebê-los. Esse parece ser o caso da nova revolução chinesa. Uma revolução silenciosa, que está a ocorrer diante dos nossos olhos e ninguém parece se dar conta.

O ano de 2011 foi marcado por grandes lutas e, principalmente, revoluções. São tantas e em tantos locais que levantes fenomenais, como ocorreu recentemente em Wukan, na província de Guangdong, não mereceram sequer análise mais profunda. Neste ano que acaba, fazer levantes transformou-se numa atitude óbvia. Continuar lendo

Fault Lines: The decline of labour unions in the US

AlJazeeraEnglish, 19/12/2011

For decades, labor unions in the United States have been on the decline. While they are widely credited with boosting safety standards and worker pay, many have received blame for wanting too much in the struggling economy. Unemployment is at 9% and people are clamoring for jobs, unionized or not. And their greatest political ally, the Democratic party, has taken its’ support for granted weakening its’ pull on the strings of power in Washington, DC.

A new battle has emerged in 2011 as Republican governors have taken on public sector unions, in some cases stripping them of rights that have been in place for 50 years. It’s part of a trend that is happening in key swing states and may weaken democratic voting strength in next year’s presidential election. But organized labor has fought back hard. In Wisconsin unions occupied the state capitol as 100,000 protesters took to the streets. In Ohio, voters overturned a law that was intended to greatly reduce the right that unions have in that state to bargain collectively.

Now as Occupy Wall Street galvanizes Americans to take action against financial institutions and big corporations, Labor has a new ally. But can organized labor harness the anger that everyday Americans are emitting or will this opportunity pass it by? Do Labor unions still have the strength to organize or has their power waned to the point that they will no longer be a major player in American politics?

This episode of Fault Lines first aired on Al Jazeera English on December 19, 2011 at 2230 GMT.

China: las contradicciones sociales más importantes en 30 años

Pablo Torres, CEPRID/Panorama Internacional, 13 de julio de 2011

La crisis mundial amenaza con una nueva recaída, esta vez más aguda. A la crisis política en Grecia y las masivas movilizaciones en rechazo a un plan de ajuste más agresivo, las divisiones en la eurozona por un nuevo rescate a Grecia y el peligro de un “contagio” que haga estallar la propia eurozona, se suman los datos de la desaceleración en EEUU, la caída de la economía japonesa y el intento de China de frenar el sobrecalentamiento de su economía.

China, en este contexto internacional, pese a la desaceleración de los últimos meses, sigue con una fuerte expansión (9,8% el primer trimestre) y es la locomotora de los índices de crecimiento de la economía mundial. Pese a ello, China se ve cruzada por diversas contradicciones, las más importantes en los últimos 30 años, que empiezan a cuestionar su frágil estructura social, el intento de “transición” gradual de su modelo y a llenar de preocupación a la burocracia restauracionista por las “tensiones sociales” que están empujando a nuevas luchas y disturbios sociales. Continuar lendo

Wisconsin: Cem mil pedem demissão do Governador

Dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se neste sábado em Madison, Wisconsin, contra a lei anti-sindical assinada pelo governador Scott Walker. Tendo sofrido uma derrota legislativa, os manifestantes afirmam-se determinados a prosseguir a luta e exigem a demissão do governador.

Esquerda.net, 14 de março de 2011

Alguns órgãos de comunicação consideram que foi a maior manifestação, das muitas marchas e protestos realizados no último mês, e uma das maiores de sempre da história do Estado de Wisconsin. A cidade de Madison tem uma população total de cerca de 250.000 habitantes e o protesto deste sábado juntou muitas dezenas de milhares, provavelmente mesmo mais de cem mil pessoas. Continuar lendo

França: 3,5 milhões nas ruas

Manifestações tiveram tamanho recorde, e até o governo teve de reconhecer o crescimento. Forte participação estudantil. Ferroviários e transportes de Paris continuam em greve. Nova mobilização dia 16.

Esquerda.net, 12 de outubro de 2010

A intersindical que coordena as mobilizações contra o aumento de idade da reforma avaliou que saíram às ruas de toda a França 3,5 milhões de pessoas nesta terça-feira, um número recorde desde que começaram os protestos. O próprio governo, cujo cálculo se ficou por 1,23 milhão, foi forçado a admitir que a mobilização cresceu – calculara 997 mil manifestantes em 23 de Setembro. O crescimento reflectiu-se nas mobilizações cidade por cidade. Segundo os sindicatos, houve 330 mil pessoas em Paris, 230 mil em Marselha, 145 mil em Toulouse, 95 mil em Nantes. No total, houve 244 manifestações em todo o país. Continuar lendo

Aumenta a bancada sindical no Congresso

Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), 10 de outubro de 2011

Os trabalhadores ampliaram sua representação no Congresso. Em levantamento preliminar, o DIAP identificou 67 congressistas – 61 deputados e seis senadores – que compõem a bancada sindical. Este número poderá aumentar, na medida em que a assessoria concluir o trabalho de identificação dos novos eleitos em 3 de outubro.

A bancada sindical atual é formada por 61 congressistas – 54 deputados e sete senadores. Desses, 47 disputaram a reeleição – 45 deputados e dois senadores. Renovaram seus respectivos mandatos 39 deputados; 22 são novos. Continuar lendo

Jornada europeia de luta

Esquerda.net

No dia 29 de Setembro os trabalhadores de toda a Europa vão protestar contra as políticas da crise e da austeridade. Helena Pinto e Carvalho da Silva apelam à participação nas manifestações da CGTP em Lisboa e Porto.

Europa: Crescem os protestos contra os planos de austeridade

Para dia 29 de Setembro está convocado um dia de ação europeia, contra os planos de austeridade e em defesa do emprego. Entretanto, multiplicam-se as ações de protesto em diversos países

Esquerda.net, 19 de setembro de 2010

Por toda a Europa, os governos prosseguem com planos de cortes de direitos, cortes nos serviços públicos, aumento da idade da reforma. É um vasto ataque contra o trabalho e os trabalhadores, que corre o risco de aprofundar a crise na Europa. Continuar lendo

Mobilização na França foi a maior dos últimos anos

Sindicatos estimam que 2,7 milhões participaram das 190 manifestações. Greve teve grande impacto nos transportes. Sindicatos podem decidir nova mobilização ainda em Setembro.

Esquerda.net, 8 de setembro de 2010

Os sindicatos franceses estimam ter realizado nesta terça-feira “a mais importante manifestação dos últimos anos”, superior à greve anterior de 24 de Junho, mas também maior que as mobilizações de 1995, contra o plano Juppé para reformar a Segurança Social, e de 2003 contra a alteração da idade da reforma. Continuar lendo

Trabalhador chinês da Honda: “Vamos seguir as pisadas dos nossos pais?”

“Os tempos mudaram! Por isso este tipo de regime de salários baixos tem de acabar!” escreveu, e publicou na internet em 29 de Maio, um trabalhador da fábrica da Honda de Foshan, que esteve paralisada durante mais de 15 dias por uma greve.

Esquerda.net, 28 de agosto de 2010

“A Honda é uma empresa que faz parte da lista das 500 maiores empresas registadas anualmente pela revista Fortune 500! No ano passado ganhou mais de 4 mil milhões de yuan (moeda chinesa que vale cerca de € 0,12)! No ano anterior tinha ganho mais de mil milhões! Comparemos a Honda com outras empresas. Mas nenhuma, realmente, se lhe pode comparar! A Honda é uma empresa da Fortune 500 e que ganhou mais de 4 mil milhões em 2009 mas que só paga salários mínimos aos seus trabalhadores. Dá-nos mil yuan por mês, (+/- 120€) que chega apenas para a alimentação, e as férias não estão incluídas! Será que gostaria de trabalhar para esta empresa? Até pode dizer que a Honda contribuiu para as nossas pensões e que outras empresas não o fizeram. Desculpe lá, mas é ilegal que os trabalhadores não contribuam para um fundo de pensões. Têm de reclamar ao ministério do trabalho. Uma empresa que faz parte da Fortune 500 não pode, de modo algum, cometer semelhantes ilegalidades! Desta vez aumentaram os nossos salários. 355 yuan! Continuar lendo

Congresso da Classe Trabalhadora: derrotas e desafios

Elaine Tavares, Brasil de Fato, 9 de junho de 2010

O Congresso da Classe Trabalhadora terminou de maneira melancólica, o que de certa forma espelha a conjuntura pela qual passa o sindicalismo brasileiro e a esquerda de modo geral. Foi frustrante, triste, mas não significa que não possa ser superado. Depois de uma abertura emocionante, com a presença de mais de 800 delegados internacionais, representando 25 países e 3.200 delegados, as horas finais foram de perplexidade e abatimento, afinal, a tão esperada “unificação” entre Conlutas e Intersindical não aconteceu na prática. Continuar lendo

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