Acabou a euforia sucessória e a crise mundial se impõe

Carlos Lessa, Valor, 26 de novembro de 2010

Os debates sucessórios não mencionaram sequer a crise mundial. Antes da posse da nova presidente, a crise mundial se impõe na mídia brasileira. A virulenta manifestação de crise mundial em 2008, a partir da implosão da bolha financeiro-imobiliária nos EUA se propagou urbi et orbi e está solidamente instalada. Continuar lendo

El BNDES y el desborde imperialista de Brasil

Luis Fernando Novoa Garzón, Pueblos / Rebelion, 26 de noviembre de 2010

La trayectoria histórica del Banco Nacional de Desarrollo Económico e Social (BNDES), que apareció en 1952 como Banco Nacional de Desarrollo Económico (BNDE), expone caminos y opciones de construcción, deconstrucción y reconstrucción nacional, según el arco hegemónico de fuerzas en cada periodo. La metamorfosis institucional del BNDES siempre fue lugar privilegiado para partir a nuevos procesos, un espacio selectivo de ejercicio de creatividad histórica, como veremos. Continuar lendo

Desenvolvimento Sustentável: É possível?

Marcus Eduardo de Oliveira, Adital, 25 de novembro de 2010

Em seu mais recente livro “Cuidar da Terra, Proteger a Vida”, Leonardo Boff assevera que: “Em 1961, precisávamos de metade da Terra para atender às demandas humanas. Em 1981, empatávamos: precisávamos de uma Terra inteira. Em 1995 ultrapassamos em 10% sua capacidade de reposição, mas era ainda suportável”.

No entanto, os alarmes disparados continuaram anunciando a expansiva agressão sofrida pela Terra. O calendário marcava o dia 23 de setembro de 2008 vaticinado pelos estudiosos como o Earth Overshoot Day, ou seja, o dia da ultrapassagem da Terra. A partir dessa data constatou-se, em escala universal, que a Terra ultrapassou em 30% sua capacidade de suporte e reposição. Continuar lendo

O desenvolvimentismo acidental

Vinícius Torres Freire, Folha de S. Paulo, 25 de novembro de 2010

Há uma chance razoável de Luciano Coutinho continuar no comando do BNDES. Se assim o for, pelo menos nominalmente o comando da política econômica de Dilma Rousseff será praticamente o mesmo do segundo reinado de Lula. Na falta de conceito melhor ou pelo menos tão conciso, diz-se que as ideias econômicas de Lula 2 foram “desenvolvimentistas”. De modo estilizado, pode se dizer a respeito que:

1) O Banco Central era menos “conservador” que o de Lula 1; 2) O compromisso com a contenção do gasto público foi relaxado, vide os resultados de poupança primária (afora despesa com juros); 3) O BNDES cresceu enormemente, inflado por dívida do governo; 4) O governo interferiu na criação de oligopólios, intervenções “ad hoc”, no caso de algumas grandes empresas semiquebradas, e/ou com a intenção de criar conglomerados e “múltis” brasileiras; 5) O governo passou a pautar modos e meios de grandes investimentos, induzindo empresas a se portar de tal ou qual maneira por meio de subsídios e de pressões políticas (grandes hidrelétricas, por exemplo; o Minha Casa, Minha Vida; Petrobras; Vale; agora o trem-bala).

Trata-se de um “desenvolvimentismo acidental”. Tal “virada” deveu-se em parte a alguns acasos. José Dirceu caiu devido ao mensalão, dando lugar à “desenvolvimentista” Dilma. Antonio Palocci caiu devido ao escândalo do caseiro, dando lugar a Guido Mantega e a Luciano Coutinho. A crise de 2008 juntou a fome com a vontade de comer “desenvolvimentista”. Dado o vexame liberaloide mundial e o pretexto da “política anticíclica”, o gasto e o crédito público se expandiram para atenuar a recessão que viria, pós-colapso de 2008. Continuar lendo

Novo padrão de mudança social

Márcio Pochmann, Folha de S. Paulo, 17 de novembro de 2010

Do final do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek (1956-61) ao segundo governo Lula (2006-10), o Brasil conviveu com três distintos padrões de mudanças sociais, identificados por um conjunto amplo e profundo de transformações econômicas (estruturas produtiva, ocupacional e distributiva) e de reorientação nas políticas públicas (Estado de bem-estar social).

Ao se considerar a evolução de indicadores-sínteses da realidade brasileira, como os da renda per capita nacional e da desigualdade na repartição da renda pessoal, nota-se o ineditismo do momento atual, de conteúdo não esboçado plenamente no primeiro e no segundo padrões de mudanças sociais. Continuar lendo

Paraguai: saque e poluição

Darío Aranda, Página/12, 8 de outubro de 2010. A tradução é do Cepat. Reproduzido do IHU On-line

A Coordenação Latino-americana de Organizações do Campo (CLOC) é o movimento continental que reúne famílias rurais, indígenas e afro-descendentes e trabalhadores sem terra e é composta por 80 organizações de 25 países, referências nas lutas contra o modelo extrativista. Elvio Trinidad, do Movimento Camponês do Paraguai (MCP) e representante do MCP na Coordenação, falou da experiência em seu país durante uma breve passagem por Buenos Aires, antes de seguir para o Equador, onde será realizado, entre hoje [dia 08] e 16, o V Congresso da CLOC, com a participação de mais de mil delegados de todo o continente. Continuar lendo

O que falta ser dito sobre o BNDES

A atuação do BNDES no período Lula mostra o quanto o Estado pode se fortalecer sem se tornar autônomo em relação a grupos econômicos

João Roberto Lopes Pinto, Folha de S. Paulo, 10 de setembro de 2010

O debate entre oposição e governo sobre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é revelador, menos pelo que se diz e mais pelo que se deixa de dizer. O não dito é o modelo de desenvolvimento em curso no Brasil e o papel do Estado nele. A polêmica sobre subsídios, endividamento público e privilégio a grupos econômicos precisa levar em conta o papel do Estado na reorganização do capitalismo brasileiro nas últimas duas décadas. Continuar lendo

Culpar a China não resolve

Anatole Kaletsky, O Estado de S.Paulo, 29 de setembro de 2010

Enquanto o movimento contra a intervenção estatal ganha força nos Estados Unidos, outros países, como o Japão, decidem copiar a China e ‘administrar’ suas moedas

É uma aposta segura que uma intervenção na moeda asiática não estava nas mentes dos votantes na plenária republicana de Delaware quando escolheram a preferida do movimento Tea Party, Christine O’ Donnell, para concorrer ao Senado. Mas as oscilações do pêndulo na política americana são uma preocupação central para Wen Jiabao e Naoto Kan, os primeiros-ministros da China e do Japão, que se reuniram com o presidente Barack Obama em Nova York na quinta-feira para tratar, com prioridade, da perda de empregos americanos para a competição asiática. Continuar lendo

Latinoamérica ante la crisis ecológica global

Ignacio Sabbatella, Voces en el Fénix, 18 de septiembre de 2010

América latina tiene por delante un desafío enorme en materia ambiental. A pesar de los cambios políticos profundos suscitados en la región, los gobiernos progresistas no han podido desembarazarse del rol asignado en la división internacional del trabajo. Es necesario rediscutir los fundamentos del sistema capitalista para comprender los problemas ecológicos. Entender no sólo la relación contradictoria capital-trabajo sino también la contradicción capital-naturaleza: la capacidad proveedora y receptora de la naturaleza es limitada y, por lo tanto, incompatible con la acumulación ilimitada de capital. Continuar lendo

Desenvolvimentismo ganha do meio ambiente nas eleições brasileiras

Faltam poucos dias para as eleições no Brasil, mas já existe um ganhador: o desenvolvimentismo dos dois principais candidatos, que deixou de lado na campanha os cruciais temas ambientais, embora pela primeira vez a terceira nas pesquisas seja a candidata do Partido Verde (PV).

Leonel Plügel, IPS / Envolverde, 17 de setembro de 2010

Nos primeiros debates na televisão, os temas ecológicos foram marginalizados do discurso de Dilma Rousseff, candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), com 53% das intenções de voto, e de seu principal adversário, José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), com 23%. Continuar lendo

Contradições na esquerda latino-americana

Os dois tipos de esquerda – os partidos que chegaram ao poder em diversos países e os movimentos das nações indígenas – não têm objetivos idêntico e servem-se de uma linguagens ideológicas bastante distintas entre si mesmas

Immanuel Wallerstein,  Outras Palavras, 13 de setembro de 2010

A América Latina tem sido o caso de sucesso da esquerda mundial, na primeira década do século 21. A afirmação é verdadeira em dois sentidos. O primeiro, e mais amplamente conhecido, é que partidos de esquerda, ou à esquerda do centro, venceram uma impressionante série de eleições, ao longo da década. E os governos latino-americanos, em conjunto, distanciaram-se significativamente dos Estados Unidos. A América Latina tornou-se uma força geopolítica relativamente autônoma, no cenário mundial. Continuar lendo

Sem uma mudança radical, o atual desenvolvimento da China não tem futuro

Devido à enorme população, aos recursos escassos e às restrições ambientais, sustentar o atual modelo económico da China está fora de questão, diz Zhou Tianyong, da Escola Central do Partido.

Esquerda.net, 10 Setembro, 2010

[Nota do Editor: Nesta análise cheia de números, o Professor Zhou Tianyong da Escola Central do Partido (Central Party School) apresentou um previsão perturbadora do futuro da China. O crescimento e envelhecimento da população, as terras sobreexploradas, a escassez de água, o aumento da poluição e a fome voraz de aço e petróleo, não são exactamente aquilo que os líderes chineses querem ouvir. “Sustentar o modelo de desenvolvimento de alto consumo de energia, alta poluição e delapidação de recursos,” escreve Zhou, está “absolutamente fora de questão.” O texto seguinte é uma tradução de excertos do seu artigo.] [1] Continuar lendo

A construção das usinas no Tapajós e no Teles Pires selará a destruição da Amazônia, diz pesquisadora

Amazonia.org.br entrevista Thais Iervolino, Amazonia.org.br, 6 de setembro de 2010

Além da construção das usinas do rio Madeira, em Rondônia, e de começar o processo de implementação da usina de Belo Monte, no Pará, o governo mira mais dois mega-projetos na Amazônia, as usinas dos rios Teles Pires (MT) e Tapajós (PA).

Para analisar os impactos destes dois novos projetos do governo, foi realizado, entre os dias 25 a 27 de agosto na cidade de Itaituba (Pará), o 1º Encontro dos Povos e Comunidades atingidas por projetos de infra-estrutura nas bacias dos rios da Amazônia: Madeira, Tapajós – Teles Pires e Xingu. Continuar lendo

As escolhas políticas do governo Lula e a causa indígena

“No cômputo geral, os oito anos foram de omissão e negligência em relação às demandas e aos direitos indígenas”

Roberto Antonio Liebgott, Cimi, 2 de setembro de 2010

A governança do presidente Lula está com os dias contados. Foram oito anos de grandes investimentos em empreendimentos econômicos e na consolidação de alianças políticas com os mais variados e antagônicos setores das sociedades capitalistas, no Brasil e no exterior. E, contraditoriamente, junto à população mais carente o governo, apesar dos altos índices de popularidade, manteve uma relação assistencialista, tornando-a quase exclusivamente dependente da caridade do poder público. Soma-se, neste contexto, o tratamento dado aos povos indígenas, para os quais se fez promessas de novos rumos e discursos de que seriam asseguradas ações que outros governos não realizaram. Mas, objetivamente, se estruturou uma política fragmentada em esboços de assistência. No cômputo geral, os oito anos foram de omissão e negligência em relação às demandas e aos direitos indígenas. Continuar lendo

Eixos estratégicos para a agenda nacional de desenvolvimento

Há um acordo geral sobre os rumos, e sobre os principais eixos de mudança que se verificaram nos últimos anos: política redistributiva, consumo de massa, condução prudente da macroeconomia, diversificação de mercados externos, reforço do mercado interno, condução exemplar no enfrentamento da crise financeira, a importância crescente dos desafios ambientais, a articulação latinoamericana. No conjunto, aparece no horizonte a construção de um universo de desenvolvimento mais equilibrado para o Brasil.

Ladislau Dowbor, Carta Maior, 28 de julho de 2010 Continuar lendo

Brasil: um outro patamar de desenvolvimento

Ladislau Dowbor, Carta Maior, 27 de julho de 2010

O Brasil está partindo, nesta segunda década do milênio, de um novo patamar. Resistiu de forma impressionante à maior crise financeira desde 1929, e está apontando rumos baseados fundamentalmente no bom senso, e numa visão equilibrada dos interesses econômicos, das necessidades sociais, e dos imperativos ambientais. A visão econômica tradicional, presa às simplificações do Consenso de Washington, envelheceu de repente, e não corresponde aos desafios de uma sociedade moderna e complexa, que tem de buscar novas articulações de política econômica, social e ambiental. Continuar lendo

Processo de singularidades

Francisco de Oliveira, O Estado de S. Paulo, 24 de julho de 2010

Em boa hora, a Contraponto reeditou Desenvolvimento e Subdesenvolvimento, de Celso Furtado, aqui destacado entre os títulos do economista que a editora vem publicando desde 2008. Trata-se de uma sistematização, empreendida pelo autor de suas reflexões e contribuições para o conceito de subdesenvolvimento, suas diferenças em relação a outras abordagens, sobretudo as clássicas e as genericamente chamadas neoclássicas, dominantes no pensamento da ciência econômica por longo tempo. Continuar lendo

Bolivia-Ecuador: El Estado contra los pueblos indios

Raúl Zibechi, mariategui.blogspot.com, 19 de julio de 2010

“Son gringuitos que ahora vienen en forma de grupitos en ONG. A otros con ese cuento. Esta gente ya tiene la pancita bien llena”, dijo el presidente de Ecuador, Rafael Correa, al referirse a los manifestantes que pertenecen a la Confederación de Nacionalidad Indígenas del Ecuador (CONAIE)[1]. Evo Morales dijo casi lo mismo: “Como la derecha no encuentra argumentos para oponerse al proceso de cambio, ahora recurre a algunos dirigentes campesinos, indígenas u originarios, quienes son pagados con prebendas de algunas ONG”[2] Continuar lendo

O projeto desenvolvimentista está sendo construído sobre os cadáveres dos indígenas’, afirma dom Erwin Kräutler

Conselho Indigenista Missionário (Cimi), 9 de julho de 2010

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou na tarde dessa sexta-feira o Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil. Os dados apresentados são referentes às violações de direitos praticadas contra os indígenas em 2009. Dentre as principais violências apontadas pela publicação estão: danos ao patrimônio, assassinatos, ameaças de morte e mortes por desassistência à saúde. Continuar lendo

Para general, quem é contra Belo Monte é “contra o desenvolvimento”

Lia Segre, Revista Forum, 24 de junho de 2010

“Agora com a discussão de Belo Monte as pessoas se esquecem que em Altamira tem mais de 100 mil pessoas que não têm água encanada e jogam todos seus dejetos no rio. Nem se compara com a poluição que a usina causará”. A polêmica declaração é do general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, 7º subchefe do Estado Maior do Exército. Ele emitiu o que considera como as opiniões do exército sobre a Amazônia em entrevista coletiva recente, concedida a estudantes de Jornalismo de diversas faculdades de São Paulo. Continuar lendo

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