Extractivismo en las grandes ciudades

Raúl Zibechi, La Jornada, 3 de mayo de 2013

Un hondo malestar asciende desde las entrañas de la ciudad. Pegajoso como este otoño cálido y húmedo. Irritante como las obras que están enrejando parques y destruyendo el paisaje de la convivencia. Un descontento generalizado que se escala en reproches, insultos y hasta se desborda en violencia contaminando la vida toda. Buenos Aires, ciudad atravesada por todas las contradicciones que genera el extractivismo urbano.

Enrique Viale, abogado ambientalista, miembro del Colectivo por la Igualdad, tiene el mérito de haber forjado este concepto en un reciente artículo en el que a dos semanas de las trágicas inundaciones reflexiona: El extractivismo ha llegado a las grandes ciudades. Pero no son los terratenientes soyeros ni las megamineras, sino la especulación inmobiliaria la que aquí expulsa y provoca desplazamientos de población, aglutina riqueza y territorio. Concluye que el modelo provoca degradación institucional y social. Continue reading

Os povos indígenas não cabem no atual modelo da esquerda no poder

A análise da Conjuntura da Semana é uma (re) leitura das Notícias do Dia publicadas diariamente no sítio do IHU. A análise é elaborada, em fina sintonia com o Instituto Humanitas Unisinos – IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT, parceiro estratégico do IHU, com sede em Curitiba-PR, e por Cesar Sanson, professor na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, parceiro do IHU na elaboração das Notícias do Dia.

CEPAT, IHU On line, 22 de abril de 2013

Povos indígenas: Obstáculo ao projeto nacional desenvolvimentista

“Índio não ‘produz’. Índio vive” – Eduardo Viveiros de Castro

Os povos indígenas são um estorvo ao modelo nacional desenvolvimentista da esquerda latino-americana e brasileira no poder. Esses povos não cabem no projeto da atual esquerda. Mais ainda, são vistos como obstáculo e amarra ao livre desenvolvimento das forças produtivas portadoras do crescimento econômico. Tributária de um marxismo reducionista que vê as forças produtivas – trabalho e capital – como meio para controlar e transformar os recursos naturais com vistas à produção de bens materiais, base do crescimento econômico, a atual esquerda latino-americana enxerga nos povos indígenas um obstáculo ao pleno desenvolvimento do modelo em curso. Nesse modelo, as terras, águas, matas, ar, biodiversidade e minérios estão subordinados à lógica produtivista, âncora do crescimento econômico e base da “distribuição de renda”. Na medida em que os povos indígenas ocupam os territórios onde se encontram os recursos vitais para o modelo, devem ser removidos. Continue reading

Hoy, en América Latina, Marx ¿sería extractivista?

empire_iron_mine2Eduardo Gudynas, ALAI, 10 de febrero de 2013 

En América Latina siguen avanzando las estrategias enfocadas en minería, hidrocarburos y monocultivos, a pesar que esto significa repetir el papel de proveedores de materias primas y de las resistencias ciudadanas. Este modo de ser extractivista se expresa tanto en gobiernos conservadores como progresistas. Pero como entre estos últimos se esperaba otro tipo de desarrollo, esa insistencia se ha convertido en un nudo político de enorme complejidad.

Para sostener el empuje extractivista se está apelando a nuevas justificaciones políticas. Una de las más llamativas es invocar a los viejos pensadores del socialismo, para sostener que no se opondrían al extractivismo del siglo XXI, y además, lo promoverían. Continue reading

La madre tierra, cenicienta del desarrollo capitalista

El gobierno ha perdido la claridad y también la honestidad

Raúl Prada Alcoreza, Bolpress, 22 de octobre de 2012

¿En qué sentido se habla se madre tierra? Está claro que el sentido deviene de las cosmovisiones indígenas. Se trata de una imagen animista del planeta, estamos ante una imagen inmanentista de las fuerzas que componen la tierra. Se parte de que el planeta tiene vida, comprende la multiplicidad de vidas que habitan la tierra, donde se reproducen y forman ciclos vitales. Esta comprensión lleva a una relación de respeto y reciprocidad; se pide permiso antes de cazar, pescar, recolectar, cultivar, arar, talar. Los seres que pueblan la tierra son espíritus con los que se establece una relación de reciprocidad, de profundo respeto y en lo posible de complementariedad. Las comunidades indígenas que habitan los bosques y surcan los ríos cobijan saberes ancestrales sobre las plantas, los animales, el clima, las estrellas, convirtiendo a estos seres en escrituras descifrables e interpretables. Continue reading

Complexo Industrial de Suape: os limites do desenvolvimento

O polêmico projeto do Complexo Industrial de Suape, instalado no estado de Pernambuco em 1975, durante a ditadura militar, tem recebido críticas de ambientalistas e pesquisadores, porque se baseia na “concentração de investimentos” e causa inúmeros problemas ambientais e sociais. De acordo com o físico e professor da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, Heitor Costa, Suape foi construído a partir de “uma decisão autoritária” e desde o início foi contestado.

IHU On-line entrevista Heitor Scalambrini Costa, IHU On-line,15 de agosto de 2012

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, ele questiona o “boom” da economia pernambucana, que cresce por causa dos investimentos no Complexo Industrial de Suape. Segundo ele, “os índices macroeconômicos do estado indicam que a economia vai bem. Entretanto, não estão bem aqueles que deveriam ser os maiores beneficiários”. E ressalta: “Esse crescimento não tem se convertido em melhorias para a classe trabalhadora no estado”.

De acordo com o pesquisador, desde 2007 até 2014 serão investidos cerca de 60 bilhões de reais na ampliação de Suape, montante que, em sua avaliação, “poderia ser mais bem aplicado e distribuído em empreendimentos descentralizados, menores, sustentáveis, atingindo um número maior de municípios e pessoas”. Ao comentar as implicações sociais e ambientais causadas pela ampliação de Suape, Costa enfatiza que a “concentração industrial de empresas utilizando combustíveis fósseis em um território de 13.500 hectares é o maior dos erros, pois certamente provocará graves agressões ambientais para a terra, água e o ar, além de afetar a saúde das pessoas com doenças características deste ambiente de muita liberação de gases tóxicos, e que também são causadores do efeito estufa”. Continue reading

Código Florestal: o veto desenvolvimentista

A análise da Conjuntura da Semana é uma (re)leitura das Notícias do Dia publicadas diariamente no sítio do IHU. A análise é elaborada, em fina sintonia com o Instituto Humanitas Unisinos – IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT, parceiro estratégico do IHU, com sede em Curitiba-PR e por Cesar Sanson, professor na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, parceiro do IHU na elaboração das Notícias do Dia.

Reproduzido de IHU On-line, 3 de junho de 2012

Por algum momento, organizações do movimento social, particularmente ambientalistas, alimentaram a esperança de que Dilma vetasse na íntegra a reforma do Código Florestal. Quatro fatores contribuíam para essa expectativa: o retalhamento do Código patrocinado pelos ruralistas depois do texto acordado e aprovado no Senado; o crescimento nacional da campanha sintetizada na hashtag #VetaTudoDilma que ganhou as ruas e as redes sociais; a proximidade com a Rio+20 e o gesto simbólico da presidente em Betim (MG) ao quebrar o protocolo e cumprimentar pessoalmente manifestantes que pediam o “Veta, Dilma”.

Prevaleceu, porém, o que todos já aguardavam: o veto parcial com o anúncio da supressão de 12 itens do Código e a edição de uma Medida Provisória (MP) para preencher as lacunas deixadas pelo veto. Continue reading

A crise de civilização que assoma e os desafios da Cúpula dos Povos

A Cúpula dos Povos deve apontar para outra civilização: grande parte do que é produzido hoje é desnecessário para uma vida digna e prejudicial para o planeta e a maioria da humanidade. Mas para isso, a esquerda deve romper com uma certa tradição produtivista e, em nosso continente, com o neodesenvolvimentismo inseparável do modelo chinês.

José Correa Leite, 15 de abril de 2012, atualizado em 10 de maio de 2012

A Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) ocorrerá em um momento em que a crise econômica estrutural, que irrompeu abertamente em agosto de 2008, mergulhou a Tríade EUA-UE-Japão em um prolongado período de depressão, acirrou a competição entre os governos centrais e os emergentes e enfraqueceu não apenas os projetos mas até mesmo as veleidades ambientais de todos eles. Continue reading

Será América Latina el nuevo Medio Oriente?

Raúl Zibechi, La Jornada, 4 de mayo de 2012

Todos los años la región latinoamericana escala posiciones en el ranking geopolítico mundial por el constante incremento de sus reservas de recursos estratégicos. Cuando Petrobras difundió en 2006 el descubrimiento de la capa pre-sal de petróleo, que puede albergar hasta 100 mil millones de barriles de crudo, el peso de Brasil en el mundo creció notablemente, ya que en 2020 será el cuarto productor mundial de crudo. Continue reading

Decrecimiento, te guste o no

Según este economista, el decrecimiento ya está teniendo lugar. Pero no es lo mismo buscar el decrecimiento que sufrirlo.

Serge Latouche, Diagonal, 4 de enero de 2012

Los partidarios del decrecimiento escuchan a menudo cosas como “¡el decrecimiento ya está teniendo lugar!”. Es un poco apresurado. Nuestro crecimiento puede ser débil, pero todavía no hemos entrado en crecimiento negativo. Con un PIB demil billones de euros, un 1% de crecimiento sigue siendo diez billones, lo que equivale al 10% del PIB de un país con sólo cien billones de euros (niveles en los que se mueven los países del Sur). Esto sigue siendo demasiado para la regeneración de la biosfera. Pero, lo que es más importante, un proyecto de sociedad de decrecimiento es radicalmente diferente al crecimiento negativo. Lo primero sería comparable a un austero tratamiento al que nos sometemos voluntariamente para mejorar nuestro bienestar ante la amenaza de la obesidad por un consumo excesivo. Lo segundo sería una dieta forzosa que nos puede matar de hambre. Se ha dicho una y otra vez: no hay nada peor que una sociedad de crecimiento sin crecimiento. Continue reading

”Precisamos nos livrar da palavra desenvolvimento, mesmo com o adjetivo sustentável”

O conceito de decrescimento surge “diante do desafio da mudança nos rumos da civilização ocidental”, esclarece o pesquisador Carlos Pereira. Para ele, a superação do modelo desenvolvimentista ocidental está imbricada na incorporação do “princípio de responsabilidade”. Pensar outro modelo de desenvolvimento econômico, social e político requer transformações de hábitos adquiridos há séculos e intensificados desde o surgimento do capitalismo.

 IHU On-line entrevista Carlos Pereira, IHU On-Line, 16 de novembro de 2011

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Pereira argumenta que a lógica do desenvolvimento é “essencialmente errada porque em seu interior está contida a insensata promessa de continuidade do crescimento econômico num mundo em que as riquezas naturais são finitas”. Entretanto, enfatiza, a origem da compreensão de que o homem é o centro do universo e que deve explorar os demais seres vivos “está estampada na narrativa judaico-cristã sobre a criação do universo na qual, conforme o relato bíblico, Deus teria ordenado ao homem: ‘enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra’”. Continue reading

Declaração da Sociedade Latino-Americana de Economia Política e Pensamento Crítico

Nós, integrantes da Sociedade Latino-Americana de Economia Política e Pensamento Crítico, SEPLA, reunidos no Brasil, no VII Colóquio na Universidade Federal de Uberlândia (MG), e depois em sessão de trabalho na sede da Escola Nacional Florestan Fernandes (MST), em Guararema (SP), manifestamos:

1. A crise capitalista não terminou. Contrariamente ao que defendem os governos da região e boa parte do pensamento do stablishment e inclusive setores do movimento popular e da esquerda, a crise capitalista em curso continua descarregando seu custo sobre os trabalhadores e os povos em todo o mundo. São os um bilhão e vinte milhões de pessoas que passam fome, reconhecidos pelaFAO; ou os um bilhão de trabalhadores com problemas de emprego e ingresso, segundo a OIT. O governo dos Estados Unidos aprofunda o déficit estrutural, comercial e fiscal, e continua demandando ao seu Parlamento a ampliação de sua capacidade de endividamento público, exacerbando seu caráter de grande devedor mundial e afiançando a debilidade global do dólar. Por sua vez, a Europa está acossada pela crise da periferia da União, aprofundando o ajuste nesses países e no leste. Existe o temor do descumprimento das dívidas públicas, especialmente na Grécia, o que afetaria a situação dos principais bancos alemães e franceses, e, em última instância, os norte-americanos. A União Europeia sofre a crise e coloca em discussão a estabilidade e o papel pensado para o Euro. O Japão incorporou os problemas derivados do terremoto e do tsunami aos problemas recorrentes da crise. O capitalismo desenvolvido, que explica 75% do produto global, dá conta de uma crise de longa duração e só atina para resolvê-la com ajustes em seus territórios e a uma fortíssima intervenção estatal de liquidez para salvar as empresas comprometidas. A crise se processa em ondas, primeiro nos Estados Unidos, depois na Europa e no Japão para desenvolver um círculo vicioso de ajustes e intervenções estatais para a continuidade do capitalismo em sua etapa de transnacionalização. Essas gigantescas intervenções de gasto público para o salvamento induzem a uma imagem de solução no imaginário social. Continue reading

Sobre o desenvolvimento

Nildo Ouriques, Correio da Cidadania, 17 de março de 2011

“Embora parecesse ser um hábito comum, conosco não dava muito certo, sobretudo porque só começávamos a fazer as malas um pouco antes de o trem entrar na estação. E aí naturalmente já estávamos aflitos e mal tínhamos esperança de alcançar o trem, muito menos de conseguir bons lugares”. Franz Kafka.

O desenvolvimentismo é a religião dos países periféricos. Sem a fé sobre as possibilidades do desenvolvimento não há recurso, exceto aceitar a “administração competente” do subdesenvolvimento e, em conseqüência, realizar uma digestão moral da miséria e da exploração de milhões de seres humanos que são simplesmente descartáveis no sistema.

Por esta razão compreende-se a força histórica do desenvolvimentismo na sociedade brasileira. É possível entender também as razões do otimismo que dominou quase todo o segundo mandato do presidente Lula e o fato nada desprezível de que a hegemonia lograda em seu governo foi de tal ordem que o sistema político partidário colapsou. De fato, nem mesmo com grande esforço é possível encontrar grandes diferenças entre os principais partidos políticos brasileiros naquilo que é essencial à manutenção da ordem. Continue reading

TKCSA: mais uma obra do PAC desrespeita as leis ambientais

IHU On-line entrevista Alexandre Pessoa, IHU On-line, 24 de fevereiro de 2011

Maior empreendimento da transnacional alemã ThyssenKrupp no Brasil, a ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) faz parte das obras do PAC e produz cerca de cinco milhões de placas de aço por ano para exportação. Mesmo anunciando que o empreendimento gera 3.500 empregos, conforme consta no sítio da empresa, o complexo siderúrgico “não obedece critérios mínimos de proteção ambiental” e desconsidera estudos de efeitos à saúde humana da população de Santa Cruz, Rio de Janeiro. Segundo o pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Alexandre Pessoa, a TKCSA não dispõe de um plano de contingências para evitar eventuais problemas no processo de produção. “O material que sai do ferro, o gusa, é colocado em cavas, em buracos abertos no meio ambiente, o que se configura, inclusive, um descumprimento da legislação de resíduos sólidos”, denuncia. Continue reading

Neodesenvolvimentismo e bem viver

Verónica Gago e Diego Sztulwark, Página/12, 10 de janeiro de 2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Alberto Acosta (Quito, 1948), assessor de organizações indígenas, sindicais e sociais, foi cofundador do partido do presidente Rafael Correa, a Alianza PAIS, e ministro de Minas e Energia entre janeiro e junho de 2007. Presidiu a Assembleia Nacional Constituinte, à qual renunciou em junho de 2008 por diferenças com o governo. Atualmente, é professor e pesquisador na monumental FlacsoQuito. Estudou economia nos anos 70 na Alemanha e, mais tarde, revalidou seu título no Equador. A partir dos anos 80, dedicou-se à temática da dívida externa e, mais tarde, à questão da migração. Continue reading

Construção de 61 hidrelétricas provocará desmatamento de 5,3 mil km2

O governo planeja desmatar 5,3 mil quilômetros quadrados (km2) de floresta no país, o que equivale à área dos 19 municípios da região do Grande Rio, para construir 61 usinas hidrelétricas e 7,7 mil quilômetros de linhas de transmissão. A maior parte dos projetos fica na nova fronteira energética do país, a Amazônia Legal, que congrega nove estados.

O Globo, EcoDebate, 10 de janeiro de 2011

Apesar de impressionante, o impacto pode até ser maior, já que o número leva em conta apenas a área que será alagada pelas hidrelétricas e a extensão das linhas de transmissão, e não inclui o desmatamento no entorno. E ainda não entraram no cálculo as obras previstas na segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2), como rodovias e ferrovias, cujo dano ambiental não foi estimado nem mesmo pelo governo. Continue reading

Luces y sombras de la década progresista

Raúl Zibechi, La Jornada, 31 de dezembro de 2010

Si aceptamos que la realidad político-social no está configurada por un solo escenario sino por tres (superación de la dominación estadunidense, del capitalismo y del desarrollo), la década progresista tuvo resultados dispares y hasta contradictorios. Creo que el terreno en el que más se ha avanzado, el de las luces más brillantes, se relaciona con el primer aspecto, mientras los otros dos muestran los nudos que el progresismo no ha conseguido desatar en estos años. Continue reading

A insana corrida pelo grande PIB

Razões para o Brasil potência entender a diferença entre “ter mais” e “ser mais”

Marina Silva, O Estado de S.Paulo / Aliás, 26 de dezembro de 2010

Saindo de um período eleitoral marcante, o Brasil chega ao limiar de 2011 com desafios que, se não são inéditos, agora estão claros na sua dimensão e no seu caráter estratégico. Impossível jogá-los debaixo do tapete. São o lado frágil da ambição nacional de ser grande potência. É preciso entender que o critério PIB não corresponde necessariamente a desenvolvimento. Mede crescimento material, mas não diz para quem, como, com que horizontes, com que valores, a que custo social, humano, ambiental. Se queremos ser potência precisamos definir o mérito desse desejo. E, infelizmente, colocaremos o pé em 2011 sem que um consenso esteja sequer próximo de ser alcançado quanto a nossa compreensão de desenvolvimento e às responsabilidades que acarreta para cada setor, cada cidadão e, principalmente, para o poder público. Continue reading

Belo Monte no ENEM: o errado vira certo

De forma geral, a marca maior desta passagem do PT pela presidência da República será o descaso com o meio ambiente. Mas Belo Monte não será apenas um exemplo entre muitos outros. Mais que a maior obra do PAC, seria aquela com os impactos mais amplos e profundos, com conseqüências continentais e repercussão mundial

Rodolfo Salm, EcoDebate, 8 de dezembro de 2010

Leciono na faculdade de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará, em Altamira, no Xingu, onde se pretende construir a hidrelétrica de Belo Monte. Apesar de os meus futuros alunos estarem sendo selecionados pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), eu vinha acompanhando apenas por alto os vários problemas das provas. Continue reading

Brasil tem condição de ser a primeira potência ambiental tropical, afirma Carlos Nobre

Fabiula Wurmeister entrevista Carlos Nobre, Gazeta do Povo, 8 de dezembro de 2010. Reproduzido de IHU On-line.

Categórico em afirmar que a sociedade moderna industrial se tornou uma força de transformação de proporções idênticas à da natureza, o pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e presidente do Conselho Diretor do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, Carlos Nobre, acredita que apesar de já ter atingido estágios irreversíveis, o aquecimento global e alguns de seus efeitos podem ser amenizados. O resultado seria a prorrogação do que cientificamente é apontado como inevitável: o colapso total dos sistemas naturais que regem a vida na Terra.

O alerta e as sugestões foram apresentados pelo cientista na palestra de abertura do 7.º Encontro Anual do Progra¬ma Cultivando Água Boa, em Foz do Iguaçu. De acordo com Nobre em entrevista à Fabiula Wurmeister da Gazeta do Povo, 08-12-2010, o Brasil tem condições de ser a primeira potência ambiental tropical. Continue reading

A Pan-Amazônia debate os megaprojetos. Entrevista especial com Valéria Ferreira e Arno Longo

Levar para conhecimento internacional os problemas vividos pela população amazônica foi a grande intenção do V Fórum Pan-Amazônico, realizado no final de novembro deste ano em Santarém, no Pará. A IHU On-Line entrevistou por telefone dois coordenadores do fórum: Valéria Ferreira, do Grupo de Defesa da Amazônia; e Arno Longo, padre e líder do Fórum dos movimentos Sociais da BR163.

Segundo Valéria, a grande novidade desta edição do Fórum Pan-Amazônico foi interface da questão cultural em todos os temas debatidos. “Finalmente, conseguimos fazer com que todos os grupos de trabalho pudessem estar, de alguma forma, reforçando essa questão através das manifestações culturais ligando-a às questões sociais e econômicas”, apontou.

Já Pe. Arno contou que “durante o Fórum discutimos as hidrelétricas a começar pelo Complexo do Rio Madeira e como ela vai influenciar os países vizinhos. Também dialogamos sobre o Tapajós que vai sofrer com a construção de todo o complexo hidrelétrico e hidroviário que vai atingir do Mato Grosso até Santarém, no Pará. E, por fim, tratamos do rio Xingu, que terá as pequenas centrais hidrelétricas. A conclusão principal é que precisamos entender que a água é para nos dar vida e não morte. Por isso, precisamos colocar, em primeiro, lugar a vida nos rios ao invés da construção de barragens”. Continue reading

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