Sobre Nós

Este blog é mantido por militantes de diversas áreas — da ecologia urbana ao conhecimento livre, da economia solidária aos direitos humanos —, que se juntaram para quebrar a cabeça em busca de uma outra política.

Por que outra política?

Porque queremos: conhecimento livre; fim das patentes; cultura livre e de qualidade, na periferia e no centro; espectro aberto; ecologia urbana; moratória viária; ciclofaixas; autogestão; ocupar os prédios vazios para fins de moradia; direito à memória; combater a política de tolerância zero, a letalidade policial e a violência institucional; recompor as organizações do mundo do trabalho; etc. etc…

Por que um blog?

Quando os portugueses tomaram o Brasil, proibiram a implantação de imprensas por aqui. Os primeiros que tentaram trazê-las não foram portugueses nem brasileiros, mas holandeses; e uma prensa legalizada só houve mesmo depois de 1700. E tanto essa como a que os holandeses tentaram trazer eram chapa-branca; tinham finalidade estritamente administrativa. Os caras não davam ponto sem nó: já sabiam que comunicação mais aberta acaba ferindo interesses

Ah, hoje os tempos são outros: somos uma república, temos “liberdade de expressão”. Descontando o fato, é claro, de que grande parte das concessões de TVs e rádios já venceu faz tempo, e outra grande parte tem sido renovada automaticamente; de que com a TV digital, quem tinha direito a um canal passa a ter espaço suficiente para oito canais (como eles próprios admitem). Descontando também o fato de que cada vez mais cresce o número de políticos donos de emissoras; de que as rádios comunitárias são perseguidas pelo poder público, e de que o processo para legalização às vezes leva mais de cinco anos. Descontando ainda que o espaço usado por essas concessões é público, de todo mundo, e que embora hoje ele seja “privatizado”, já existe tecnologia que permitiria um uso comum desse espaço; e que os monopólios não rondam só os meios de comunicação citados acima, mas também revistas, TVs a cabo e — por que não — computadores. É, pensando bem, parece que os tempos não são tão outros assim.

Para se fazer ouvir e para estabelecer diálogo, é preciso um espaço comum, a que muitos tenham acesso — tanto para ouvir como para falar. A gente bem sabe que a internet ainda não é para muitos, mas para poucos — só que mesmo assim, nisso ela já é muito melhor do que os meios de comunicação tradicionais. Os equipamentos necessários para manter um jornal ou uma estação de TV são tão caros, que é praticamente inviável se comunicar por um deles sem um capitalista por trás, determinando o que pode ou não ser dito (e o critério pode ser tanto político, como de “marketing”). Na internet, os equipamentos necessários são basicamente um computador em cada ponta. A diferença não é pouca. Além disso, já pensou se os jornais dedicassem à seção de cartas o mesmo espaço que os blogs dedicam aos comentários? Por fim, a gente sabe também que volta e meia surge alguém tentando fechar a quitanda. Para esses, vamos avisando: vai dar um trabalho do cão.