Ecoblogue, 18 de setembro de 2008
O aumento dos preços levou a que 75 milhões de pessoas adicionais passem fome, elevando o número estimado de pessoas desnutridas no mundo para as 923 milhões em 2007, disse hoje a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO. Os alimentos aumentaram 52% entre 2007 e 2008, tendo os preços dos fertilizantes duplicado.
O elevado preço dos alimentos reverteram a tendência positiva registada para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) de reduzir a metade as pessoas a sofrer de fome no mundo até 2015, de acordo com as novos dados da FAO lançados a uma semana da sessão da Assembleia Geral da ONU sobre os ODM.
A FAO estima que o número de pessoas a sofrer de fome crónica no mundo entre 2003-05 é de 848 milhões, um aumento de 6 milhões face aos 842 milhões de 1990-92, o período de base da Cúpula Mundial da Alimentação.
“Os efeitos devastadores do aumento do preço dos alimentos no número de famintos trazem preocupações sobre as tendências de longo prazo”, referiu Hafez Ghanem, director-geral da FAO para o desenvolvimento econômico e social. “A fome aumentou ao mesmo tempo que o mundo ficou mais rico e produziu mais alimentos do que nunca na última década”, disse.
Para todos os compradores líquidos de alimentos – o que inclui quase todos os agregados urbanos e uma larga percentagem de agregados rurais – houve um impacto negativo no curto-prazo no rendimento e bem-estar do agregado. Os mais pobres, os sem terra e os agregados cujo chefe de família são mulheres foram os mais afetados.
Esta tendência negativa no combate à fome coloca em risco os esforços para concretizar muitos dos outros ODM, refere Ghanem.
Além dos devastadores custos sociais da fome nas vidas humanas, evidências empíricas mostram os impactos negativos da fome e malnutrição na produtividade do trabalho, saúde e educação, o que em última instância causa menores níveis de crescimento económico em geral.
“A fome é uma causa de pobreza, não apenas uma consequência dela”, diz o economista da FAO Kostas Stamoulis. “O custo económico da fome em termos dos recursos para lidar com os seus efeitos e o valor da perda de produtividade e rendimentos é estimado em centenas de biliões de dólares por ano”.
O efeito debilitante da fome na produtividade e rendimento leva a um ciclo da fome, com a pobreza extrema a causar fome que depois perpetua a pobreza, refere.
“Reduzir o número de pessoas esfomeadas em 500 milhões nos restantes sete anos até 2015 vai requerer um esforço global enorme e resoluto e ações concretas”, refere Ghanem.
Para quebrar o ciclo da fome-pobreza é preciso agir em duas frentes refere a FAO: tornando os alimentos acessíveis para os mais vulneráveis e auxiliar os pequenos produtores a aumentar o seu rendimento e a ganhar mais.
Esta abordagem tem o objectivo de criar oportunidades para os esfomeados de melhorarem as suas condições de vida promovendo o desenvolvimento agrícola e rural. Também envolve políticas e programas, como redes sociais de apoio, que permitam o acesso directo e imediato a alimentos pelos esfomeados.
Em Dezembro de 2007 a FAO lançou a Initiative on Soaring Food Prices para ajudar os países vulneráveis a colocar em prática medidas urgentes para aumentar a oferta de alimentos e providenciar apoio político para melhorar o acesso aos alimentos.
Esta iniciativa inclui projectos de emergência, já em curso ou planeados, em pelo menos 78 países em todo o mundo. Estas iniciativas imediatas incluem a distribuição de sementes, fertilizantes, alimentação animal e outras ferramentas agrícolas e recursos para os pequenos agricultores.
“Investimentos urgentes, de base local e em larga escala são necessários para enfrentar de uma forma sustentável o crescento de insegurança alimentar que afecta os pobres e os esfomeados”, disse Ghanem. “Nenhum país ou instituição vai ser capaz de resolver esta crise por si próprio”, referiu.
De acordo com a FAO, os países mais afectados pela atual crise, a maioria deles em África, vão precisar pelo menos 30 biliões de dólares anuais para assegurar a segurança alimentar e reavivar os sistemas agrícolas negligenciados.
Stamoulis refere que a redução da fome tem grandes vantagens económicas e deve ser a prioridade de topo do desenvolvimento. “Reduzir a incidência da fome em todo o mundo vai melhorar as oportunidades para atingir os ODM relacinados com a redução da pobreza, educação, mortalidade infantil, saúde maternal e doenças”, disse. “O gasto público com a redução da pobreza é um investimento com grandes contrapartidas”.
Fonte: FAO
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