Europa deveria pedir perdão ao mundo

Por Michelle Amaral da Silva
Fonte: Agência Brasil de Fato, 24/7/2008

Intelectuais e ativistas sociais de diversos país assinaram um documento criticando a adoção, por parte da União Européia, da Diretiva de Retorno. Essa medida criminaliza os imigrantes que estão de maneira irregular na Europa. Documento foi enviado a todos governantes e parlamentares da Europa, que aprovaram a lei em junho.

Alguns de nossos antepassados, poucos, muitos ou todos, vieram da Europa.

O mundo inteiro recebeu com generosidade aos trabalhadores que de lá vieram.

Agora, uma nova lei européia, ditada pela crescente crise econômica, castiga como crime o livre movimento das pessoas, que é um direito consagrado pela legislação internacional, há muitos anos.

Isso nada tem de espanto, porque sempre os trabalhadores estrangeiros são os bodes-expiatórios, os culpados das crises de um sistema que os usa enquanto necessita e logo os despeja na lata do lixo!

Nada tem de espantoso, mas muito de infame!

O esquecimento, nada inocente, impede que a Europa recorde que não seria Europa sem a mão-de-obra barata vinda de fora e sem as riquezas que o mundo inteiro lhe deu. A Europa não seria Europa sem o genocídio praticado contra os povos indígenas nas Américas e sem a escravidão imposta aos filhos da África, para colocar apenas dois exemplos a esses esquecimentos.

A Europa deveria pedir perdão ao mundo, ou pelo menos agradecer-lhe, em vez de impor por lei a perseguição e o castigo aos trabalhadores migrantes, que ali chegam expulsos pela fome e pelas guerras que os donos do mundo lhes impõem, em seus países de origem.

Do continente americano, julho de 2008,

Atenciosamente,

Argentina: Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz; Atilio Boron, escritor; Hebe Bonafini, Madres da Plaza de Mayo; Osvaldo Bayer, escritor; Irmã Martha Pelloni, Direitos Humanos; Diana Maffía, filósofa feminista; Rally Barrionuevo, compositor e cantor; Claudia Korol, jornalista e membro do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso).

Bolívia: Eduardo Paz, professor universitário; e Humberto Claure Quezada. Ingeniero, editor da revista Pátria Grande.

Brasil: Augusto Boal, teatrólogo; João Pedro Stedile, MST; Dom Pedro Casaldáliga, bispo e poeta; Afrânio Mendes Catani, professor da USP; Candido Grzyboswki, sociólogo, membro do Ibase e FSM; Chico Withaker, sociólogo, FSM; Emilia Vioti da Costa, historiadora; Elias de Sá Lima, engenheiro; Gaudêncio Frigotto, educador; Heloisa Fernandes, socióloga, ENFF; Jean Pierre Leroy, ambientalista, Fase; Jean Marc Von der Weid, economista agrícola, ASPTA; Mario Maestri, historiador; Renée France de Carvalho, militante internacionalista; Rita Laura Segato, antropóloga, UNB; Vânia Bambirra, economista; e Vito Gianotti, jornalista.

Canadá: Naomi Klein, jornalista e escritora; e Pat Mooney, pesquisador; e Michael A. Lebowitz, professor da Simon Fraser University.

Chile: Cosme Caracciolo, Conferência Nacional de Pescadores Artesanais; Flora Martínez, enfermeira; Luis Conejeros, presidente do Colégio de Jornalistas; Marco Enríquez-Ominami, deputado; Manuel Cabieses, diretor da revista Punto Final; Marta Harnecker, socióloga e escritora; Manuel Holzapfel, jornalista; Ernesto Carmona, conselheiro nacional do Colégio de Jornalistas; Paul Walder, professor universitário e jornalista; Pedro Lemebel, escritor; Alberto Espinoza, advogado; e Tomas Hirsch, porta-voz do Humanismo para América Latina.

Cuba: Aleida Guevarra, médica; e Joel Suárez Rodes, Centro Memorial Martin Luther King.

Equador: Alberto Acosta, economista constituinte; Carolina Portaluppi, escritora; Pavel Égüez, artista plástico; Hanne Holst, feminista; Osvaldo Leon, jornalista; Verónica León-Burch, videasta; Juan Meriguet Martínez, comunicador; e Luigi Stornaiolo, artista plástico;

Estados Unidos: Norman Solomon, jornalista; Noam Chomsky, professor do MIT; Peter Rosset, pesquisador; John Vandermeer, professor da Universidade de Michigan; Saul Landau, cineasta; Susanna Hecht, professora da Universidade Califórnia, Los Angeles; Richard Levins, professor de Harvard; Fernando Coronil, historiador e antropólogo da Universidade de Nova York; e Mario Montalbetti, poeta.

Haiti: Jean Casimir, antropólogo e escritor; e Camille Chammers, economista.

México: Subcomandante Insurgente Marcos, cidadão do mundo no México; Ana Esther Cecena, economista; Luis Hernández Navarro, jornalista de La Jornada; Rodolfo Stavenhagen, relator da ONU para direitos indígenas; Felipe Iñiguez Pérez; Maria. De Jesús González Galaviz; Pablo Gonzalez Casanova, sociólogo; Beatriz Aurora, artista mexicana-chilena; Victor Quintana, deputado federal e dirigente campesino; Raquel Sosa, escritora e professora da UNAM; e Silvia Ribeira, pesquisadora.

Nicarágua: Ernesto Cardenal, poeta, escritor e sacerdote; Mónica Baltodano, deputada e ex-comandante sandinista; Carlos Mejia Godoy, compositor e cantor; Gioconda Belli, poetisa e escritora; Luis Enrique Mejia Godoy, compositor e cantor; Dora Maria Tellez, ex- comandante sandinista; e Sergio Ramirez Mercado, escritor.

Paraguai: Fernando Lugo, presidente eleito; Ricardo Canesse, engenheiro e parlamentar; e Marcial Gilberto Congon, pedagogo.

Peru: Aníbal Quijano, sociólogo e escritor; Carmen Lora, Universidade Católica do Peru; Carmen Pimentel, psicóloga e escritora; Mirko Lauer, poeta; e Rolando Ames, cientista social e escritor.

Uruguai: Eduardo Galeano, escritor; e Antonio Elias, economista.

Venezuela: Maximilien Arvelaiz, diplomata.

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