Em maio de 2006, em meio à histeria geral — gestada pela mídia — em torno das rebeliões atribuídas ao PCC, cinco jovens foram abordados por policiais, em São Paulo e Guarulhos. Depois disso, nunca mais foram vistos.
Durante suas buscas, os familiares desses desaparecidos, além de não terem recebido nenhuma assistência oficial, foram mal tratados por agentes do Estado. Ouviram insinuações de participação das vítimas nos ataques atribuídos ao PCC, e foram “inquiridos acerca da vinculação [das vítimas] à alguma facção criminosa”. (Leia mais no relato do Observatório das Violências Policiais.)
As autoridades policiais e civis permitiram (e até incentivaram) uma verdadeira caçada aos “suspeitos”. Suspeitos por serem pobres e marginalizados. Nas palavras da irmã de um dos desaparecidos:
Foram às ruas em busca dos escolhidos, aqueles que tinham o perfil procurado naqueles dias, negros, pobres, ex-detentos e tatuados. [Os policiais] queriam ir à desforra, criminalizaram a pobreza, destroçaram as periferias.
Esses cinco desaparecimentos, revelados recentemente, são apenas a ponta de um iceberg. Eles juntam-se às 493 pessoas que morreram por arma de fogo entre 12 e 20 de maio daquele ano, de acordo com o Conselho Regional de Medicina de São Paulo. Somente 46 desses crimes foram atribuídos aos ataques do PCC; há fortes indícios de que a maioria dos restantes tenha sido executada. Para o Observatório das Violências Policiais, que vem tabulando os mortos por policiais (ou por desconhecidos e encapuzados, com indícios de que sejam policiais), houve 217 mortes desse tipo no mês de maio.
Embora a violência policial tenha aumentado nesse período, ela não começou nem terminou ali. (Os dados do Observatório apontam mais 388 mortos de junho de 2007 até hoje.) Os casos desses desaparecidos são uma triste variação sobre o tema dos desaparecidos durante a ditadura de 64; histórias que continuam freqüentes nas periferias brasileiras.
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