Em entrevista a Mari Almeida, Fernando Kinas (da Kiwi Companhia de Teatro) comenta aspectos perversos dos mecanismos estatais de incentivo à cultura — particularmente dos mecanismos de renúncia fiscal, como a Lei Rouanet. Veja no vídeo:
(Também no GoogleVideo)
Créditos do vídeo: Peu Pereira & David Vidad
Na conversa, eles argumentam que a Lei Rouanet põe nas mãos do mercado a definição de boa parte das políticas culturais do Estado — custeando, com dinheiro público, projetos que por si só já seriam bastante rentáveis; e projetos que, além disso, não são acessíveis à esmagadora maioria da população, por freqüentemente terem ingressos muito caros (como no caso emblemático do Cirque du Soleil, que obteve milhões de reais pela Lei Rouanet para uma de suas turnês, mas vendia ingressos por até R$400).
Por outro lado, a lei seria de pouca ajuda para os projetos com menos apelo mercantil ou massivo. Eles são aprovados pelo Ministério da Cultura, mas essa chancela é apenas formal: para conseguir efetivamente as verbas, eles têm que sair à cata na iniciativa privada. E aí, as chances de conseguirem são muito pequenas, pois disputam o espaço desse “balcão” com os projetos que têm mais apelo mercantil.
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Foi um ato falho, ou de fato vocês postaram algo libertário, meio Hayek, “fim-a-lei-Rouanet”?
Eu apóio!
LN, acho que você entendeu ao contrário. Não vejo nenhum ato falho nessa entrevista. O que é mais liberal, neste caso, é justamente abandonar a política cultural nas mãos do mercado — como tem feito a Lei Rouanet.
Não posso falar por todos, mas para mim o blog está muito mais próximo de defender a opção descrita aqui:
http://outrapolitica.wordpress.com/2008/06/06/a-lei-de-fomento-ao-teatro-em-sao-paulo/
Você há de concordar que de liberal ela tem pouco.
um amigo comum meu e do kinas aqui em curitiba propôs algo interessante com o dinheiro captado: pagava R$ 5,00 para cada espectador assistir a peça e por incrível que pareça a grana dava pra cobrir todos os custos e ainda incentivaria o populacho inculto a assistir a um bom espetáculo. isso é que é contrapartida cultural… claro que revoltou a muita gente essa idéia.