A notícia saiu discretamente, no dia 27 de maio, no jornal Folha de S.Paulo (pag. C-6 e abaixo). Depois de ter anunciado o lançamento da linha 6, laranja, do Metrô, entre a Freguesia do Ó (na zona Norte) e o Oratório (na Zona Leste), passando pelas futuras estações Higienópolis-Mackenzie (da linha 4, amarela) e São Joaquim (da linha 1, azul), entre 2010 e final de 2012, o governo Serra desistiu da segunda parte da obra, entre as estações São Joaquim e Vila Prudente. Segundo o Secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, isso se deve à que a região estaria sendo coberta pelo Fura-fila.
São Paulo continua negligenciando o metrô, com resultados desastrosos. Em 40 anos construiu 62 quilômetros de linhas de metrô (um terço do que a Cidade do México construiu no mesmo período), no ritmo de 1,5 quilômetros por anos! E secundarizando as zonas mais carentes: agora foi cancelado apenas o trecho para a Zona Leste, enquanto o que percorre algumas das zonas mais nobres da cidade (como Sumaré e Higienópolis) continua intacto nos planos do governo.
Serra tem alardeado estar fazendo um grande investimento no Metrô, mas o ritmo das obras continua, de fato, muito lento para uma cidade que caminha para o colapso do seu sistema de transportes. A expansão da linha 2 (verde), a construção da linha 4 (amarela, privatizada, acidentada e totalmente fora do prazo) e a ligação da linha 5 (lilás) entre o Largo 13 e a Chácara Klabin, seguem em passo de tartaruga, na melhor das hipóteses com inaugurações voltadas para o calendário eleitoral de 2010.
O enfoque geral da política metropolitana de transportes continua sendo trem de subúrbio para os pobres e metrô para a classe média, com os investimentos neste concentrados no quadrilátero sudoeste, a região da cidade onde se concentram as demandas do grande capital. Parte deste enfoque é agora a política de construção de trens para os aeroportos: O Veiculo Leve sobre Trilhos (apelidado de Bonde Chique) ligando o Aeroporto de Congonhas à estação São Judas do Metrô e o Expresso Aeroporto, ligando a estação da Luz ao Aeroporto de Cumbica.
Esta visão é radicalizada no caso da proposta do Trem-bala ligando São Paulo ao Rio de Janeiro, cuja licitação é prometida pelo governo federal para fevereiro de 2009. Este projeto, cujo sentido maior é apresentado no Plano de Mobilidade Urbana do Ministério do Turismo para a Copa de 2014, está orçado entre R$ 9 bilhões e R$ 15.3 bilhões, dependendo da abrangência (neste caso, o trem-bala ligará também São Paulo ao Aeroporto de Viracopos, em Campinas).
Assim, a Zona Leste da cidade de São Paulo ficará sem metrô novo, mas será cortada por um trem-bala, correndo a 360 quilômetros por hora. Não é necessário muita profundidade sociológica para perceber que para nossos governantes, o país real tem que ser administrado para os ricos; a situação dos pobres deve ser gerida no limite em que eles não causem problemas para as elites.
Serra desiste de ligar com metrô as zonas norte e leste
Com mudança, saem dos planos as estações Aclimação, Ricardo Jafet e Ipiranga. A construção do trecho que uniria as estações São Joaquim e Vila Prudente chegou a ser anunciado em março pelo governador
EVANDRO SPINELLI, DA REPORTAGEM LOCAL
Folha de S.Paulo, 27 de maio
O governo do Estado mudou os planos e desistiu de fazer a ligação, por metrô, entre as zonas norte e leste de São Paulo.
Com isso, o governo engaveta o projeto de servir de metrô as regiões entre a Aclimação, a avenida Ricardo Jafet e o “início” do Ipiranga, próximo ao Museu Paulista.
A linha Freguesia do Ó-Oratório está prevista no Pitu (Plano Integrado de Transporte Urbano) e está planejada desde os anos 1990.
Em março, o governador José Serra (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciaram o início dos procedimentos para a construção da linha (batizada de linha 6-laranja) dividida em duas etapas.
Na primeira etapa seriam feitas as ligações da Freguesia do Ó (zona norte) à estação São Joaquim da linha 1-azul (centro) -passando por Perdizes e Pacaembu- e da futura estação Vila Prudente da linha 2-verde à avenida do Oratório, na zona leste. A segunda etapa seria a ligação entre São Joaquim e Vila Prudente, com a construção das estações Aclimação, Ricardo Jafet e Ipiranga.
Agora, o governo desistiu de fazer essa linha completa. Ontem, o secretário dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, disse que “a necessidade daquele trecho mudou” devido à construção do Expresso Tiradentes (ex-Fura-Fila) até a Cidade Tiradentes.
Com a mudança, o trecho entre a Vila Prudente e a estação Oratório será, segundo Portella, “um ramal especial” da linha 2-verde, que sai da Vila Madalena, passa pela avenida Paulista e chega hoje ao Alto do Ipiranga -a ligação com a zona leste está prevista para ser inaugurada em 2010.
Portella também disse que o governo já está planejando a extensão da linha 2-verde até o cruzamento com a linha 3-vermelha. Inicialmente, a extensão seria até a estação Tatuapé. Ontem, Serra e Kassab assinaram um convênio para a transferência do município para o Estado de R$ 75 milhões para a elaboração do projeto executivo da obra entre a Freguesia do Ó e São Joaquim.
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o governo continua ignorando a população pobre e negra do país. trem pra gente que vai embarcar no avião, mas não para quem vai carregar a mala pra dentro do mesmo avião. pra quem vai tomar o cafezinho no aeroporto e não para quem vai servir o mesmo café.
não seria de espantar que a ponta mais excluída passe a atacar esses trens. não me espantaria se surgisse o esporte do “tiro ao trem”, da “pedrada ao trem”.
a violência tem causas mais remotas do que pode pensar a mente tacanha dos administradores públicos brasileiros…
Não encontro nada que fala a respeito de ligar a linha de trem da CPTM da zona sul Santo Amaro a zona Oeste Barra Funda, somos obridados ir até Osasco (Estação Presidente Altino), o custo não seria tão alto devido já ter uma malha ferroviária no local.