Moratória do sistema viário: chega de estilingões

Fonte: Ecologia urbana

O prefeito Gilberto Kassab publicou um decreto no Diário Oficial da Cidade autorizando a construção de mais dois viadutos na cidade, agora na Radial Leste, na altura do Tatuapé – um deles estaiado, como o Estilingão, na Rua Padre Adelino. Cruzando a Av. Salim Farah Maluf, os viadutos consumirão a bagatela de R$ 77 milhões e significarão a remoção de 60 famílias de suas casas.

Conforme noticiou nesta quinta-feira o jornal O Estado de S.Paulo, nas audiências realizadas para discutir a obra, o Fórum Urbanístico do Tatuapé e o Rotary Club Tatuapé se colocaram contra a obra. O embate é o mesmo de toda obra deste tipo.

De um lado, a Associação Comercial do Tatuapé, cujo diretor, José Garris Del Valle afirma: “Precisamos de uma nova infra-estrutura para a região, com o crescimento da circulação dos automóveis. Essa expansão é necessária para desafogar a Radial Leste”. Já o engenheiro de transportes Horácio Figueira diz que “Essa obra da Padre Adelino não vai resolver nada. As intervenções tem de priorizar sempre o transporte coletivo e não o automóvel particular”.

Esta obra é outra afronta ao bom-senso. Não há solução para o trânsito em São Paulo que não passe pela prioridade absoluta para os transportes coletivos, em especial os corredores de ônibus, cuja expansão vem sendo bloqueada em várias regiões da cidade por associações comerciais, e pela retirada dos carros das ruas para dar espaço e velocidade aos ônibus, com as mais variadas iniciativas (da redução das vagas de estacionamento ao aumento do rodízio, da aplicação rigorosa da inspeção veicular à pedágios). São mais recursos que poderiam estar ajudando a construir um sistema de transportes coletivos decente para a cidade que vão engordar o bolso das empreiteiras (e financiar as campanhas eleitorais).

É necessário impor uma moratória na expansão do sistema viário de São Paulo e canalizar todos os recursos para o transporte coletivo. Chega de viadutos, chega de estilingões!

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