Por Manoel e Zé Paulo
Uma outra polítca passa obviamente por repensar as formas de mobilzação de massas. A foto ao lado mostra ciclistas pedalando nus durante o protesto mundial de ciclistas pelados contra carros, poluição e motoristas agressivos nas ruas de Madri, na Espanha. (Foto: Philippe Desmazes / AFP). Você toparia sair peladão(ona) em São Paulo? O que você acha dessas outras formas de mobilização?
Historicamente o movimento operário e sindicatos organizavam a atuação política de forma reivindicatória, hierárquica, organizada verticalmente, com as lideranaças dando a pauta do movimento, com palavras de ordem pré-decididas, textos unificados, etc. Essa era a forma ideal de mobilização. Embora isso conseguisse unir as pessoas em torno de um tema comum, e ser vitorioso de fato, já não tem tanto apelo para influenciar a opinião, enfim, talvez seja um modelo gasto.
Dos anos 70-80 pra cá, outras formas de manifestação surgiram, o que as orientavam era a preocupação com a influência midiática e na chamada “opinião pública”. Quem utilizou muito essa forma foram, por exemplo, os verdes na alemanha, o Greenpeace, a Parada Gay etc. E apesar do impacto positivo na mídia, ajudando a chamar a atenção para questões importantes, essa formas careciam muitas vezes de mobilização das massas, ou radicalidade política.
Será então que não seria o caso de unir o melhor dos dois modelos? Uma mobilização de massas, mas com alto impacto midiático, organizada para que todos se apropriem dela de forma mais autônoma? Há alguns exemplos recentes, como a forma dos flash mob, ou a radicalidade/forma do reclaim the streets, etc. Falta talvez ampliá-los e torná-los mais comuns aqui no Brasil. De todo modo, eles apontam para uma outra forma de fazer política, uma outra forma de mobilização.
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Dessa especificamente, acho que banaliza o protesto e tira o foco da verdadeira mensagem ou objetivo do mesmo. Chamar a atenção não é, nem de perto, uma medida adequada de sucesso de um movimento político.
Que mensagem você passa para as pessoas que estão vendo os ciclistas nus? Que é bom andar de bicicleta? Estar na mídia não quer dizer que você está passando a imagem correta nela, especialmente quando você não tem absolutamente nenhum controle de COMO será transmitida sua ação. No caso desse tipo de protesto o mais provável é que seja transmitida como uma caricatura, para entreter a audiência com o mundo bizarro, o big brother dos militantes (Animal Planet da militância). É a verdade? Não importa muito… é a que fica…
Olá a todos,
Acho que seres humanos livremente nus, ao mostrar o corpo em sua plenitude, se humanizam.
A história da civilização é a história da opressão e reificação do corpo – seja pela igreja, pelas máquinas, ou pela exploração do trabalho.
Jogar luz sobre os nossos corpos, para mim, traz uma mensagem bastante libertadora em relação a essas estruturas. E, vejam bem, não estou falando de sexo.
Definitivamente, “outra política”.
No caso, contribui ainda para disseminar uma reflexão sobre o uso do carro e dos combustíveis fósseis.
Ouvi dizer que nesse sábado (14/06) terá a edição paulistana do movimento, com concentração às 12h na Avenida Paulista, pertinho da Consolação, e saída as 14h. Devo estar por lá com um amigo para conferir se vai rolar mesmo e, se sim, dar umas pedaladas. Quem quiser, apareça também!
Abs