Por Mariana Almeida
Há uma importante mudança ocorrendo na área dos transportes, concentrada em São Paulo. Enquanto milhões de paulistanos perdem cada vez mais horas no deslocamento, pelo transporte público sucateado ou pelo trânsito, foi anunciada a publicação em um mês do edital para o Expresso Aeroporto para Cumbica (saindo da Luz), em regime de concessão pública à iniciativa privada, avaliado em R$ 3,4 bilhões – para estar funcionando no início de 2011. No mês passado, foi firmado um acordo para construir um veiculo leve sobre trilhos – já apelidado de “bonde chique” – entre a Estação São Judas do metrô e o Aeroporto de Congonhas (ao custo de R$ 200 milhões). Já está bem avançada a proposta do Trem Expresso Rio-São Paulo-Campinas (R$ 11 bilhões), cuja licitação será formalizada em outubro. Segundo anunciou a Ministra do Turismo, Marta Suplicy, o objetivo é preparar o país para a Copa do Mundo de 2012.
Há, portanto, dinheiro – e muito dinheiro – para investimentos em infra-estrutura. Mas nada disso é destinado para a grande maioria da população e sim para os usuários dos aeroportos -os empresários, a classe média abastada e os turistas da Copa de 2014. Há um olhar de classe dirigindo todos estes investimentos, pois os pobres das grandes cidades, em sua maioria negros, podem continuar sofrendo em linhas de ônibus cada vez mais lentas, caras (o preço das tarifas são maiores dos países centrais) e abarrotadas, podem no máximo almejar uma moto ou um carro usado, que gastará cada vez mais tempo no trânsito (em cinco anos o congestionamento em São Paulo será permanente!). Este é o olhar do capital financeiro, das montadoras, dos agro-exportadores e agora também dos setores que querem lucrar com as promessas do petróleo, uma minúscula elite que expressa o caráter “colonial” e excludente do poder no Brasil, que não conhece o problema de transportes.
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[...] Transportes para quem? 7 06 2008 Por Mariana Almeida, reproduzido do blog Outra política. [...]
Sem querer desmerecer seu comentário, e sem validar tudo o que se está fazendo: Os investimentos em transportes sobre trilhos na região metropolitana de São Paulo para o período até 2010 estão orçados em 17 bi; se seus valores estão corretos, serão então 3,6 para o transporte para o aeroporto, e 13,4 para outras regiões. Isto não inclui o fato que no expresso aeroporto está previsto o trem de Guarulhos, que atenderá em parte o município mais populoso da região metropolitana; e que o metrô leve de Congonhas facilitará o acesso da zona sul à região da Berrini, com todas as possibilidades de emprego que estão surgindo ali.
Gerd,
é verdade que o o TRAM pro aeroposto de guarulhos beneficiará também os trabalhadores que se locomovem na região.
Mas o trem expresso, emboa passe por guarulhos, não vai parar em guarulhos para os trabalhadores. Passa por lá, mas sem estação lá.