Por acaso, fiquei sabendo (quanta ingenuidade minha!!) de que existe o post pago. Não sabe o que é o post pago? Bem, é uma espécie de jabá dos blogs. Você tem um blog legal, acessado por um número razoável de usuários, e aí uma empresa te contata, pedindo para você fazer uma post sobre um determinado assunto, enfatizando certas qualidades do produto dela ou incentivando certas práticas por parte do leitor do Blog. Aqui tem um exemplo muito bom mesmo de um Blog, que relatou um contato feito por uma agência que dizia representar a Nike, para promover o Ronaldo (aqui o exemplo de um blogue que aceitou a prática e fez propaganda da Nike).
Bom, mas por que estou trazendo isso aqui, agora? É por causa da polêmica sobre a prática da justiça eleitoral com relação aos Blogues, sítios de relacionamento e afins. Muita gente meteu o pau na justiça, nós inclusive, mas fica uma questão, que vi num outro blogue: com a prática dos posts patrocinados e sem os blogueiros revelarem isso, será que não é uma possibilidade de abuso do poder econômico na campanha? Já pensou se um candidato consegue comprar a opinião de blogueiros por aí?
Como disse antes, a web 2.0 tem uma coisa positiva, que é exigir do leitor um papel ativo, incluíndo aí um pensamento crítico. Nesse sentido, como diria a “canção”, o povo não é bobo (abaixo a rede globo). Em política sempre se suspeita, e se de repente algum blogueiro começar a falar bem de algum candidato meio do nada, o leitor não deixará de suspeitar. E, além do mais, se descobrirem isso, pegará tão mal para o candidato na blogosfera, que ele terá medo de fazer. E também pegará mal para o blogueiro, que verá seu blogue arruinado (pode ter certeza que a descoberta do post pago será amplamente divulgada).
Nesse ponto acho diferente da mídia tradicional. Embora haja supostamente a separação igreja-estado, isto é, área editorial e área comercial, ela é feita dirigida de cima (donos) para baixo. Na web 2.0 ela é mais horizontal e feita por usuários. Ela é controlada socialmente pelas pessoas, pois elas contribuem ativamente para o conteúdo.
Bom, na inglaterra entrou no código do consumidor a proibição ao post pago, pelo menos sem aviso de que se trata de informe publicitário. Talvez o caminho futuro seja esse aqui no Brasil. Enquanto isso não acontece, que experimentemos a democratização da internet. Ela ajudará a democracia, apesar de não ser a salvação da lavoura nem ser um meio neutro ou sem distorções. Mas ajudará a fazer uma outra política.
Ps.: a imagem acima foi retirada desse blogue: aqui.
Arquivado em: Conhecimento livre, Outra política | Etiquetado: Blog, blogosfera, campanha política, jabá, post pago, post patrocinado, TRE-RJ, TSE


Nossa que absurdo, quanto mais tentamos fugir disso, mais as grandes empresas arrumam maneiras de fazer seu próprio marketing.
Pois é, post bem e mal colocado, achei ruim essa notícia na sequencia das outras, pega no contrapé e coloca uma outra discussão fundamental. Abuso do poder econômico já é algo óbvio, mesmo se proibir eu faço. É proibida a compra de voto e sabe-se que isso é ainda uma das formas mais usadas na política brasuca, seja diretamente $ =voto ou indiretamente, cesta básica = voto; favorzinho isolado = voto; compra de liderança do bairro = votos;
Não diria mal colocado; a questão é que é mesmo complexa, eu diria.
Não é só uma questão de comprar voto, zecopol: acho que essa história dos posts pagos pode se efetivar de formas mais indiretas e obscuras. Algo nessa linha: http://www.cocadaboa.com/arquivos/009383.php
Obrigada pela citação e por continuar a discussão aqui.
A prática é bem comum, eu, por exemplo, não acho ela um absurdo. Já fiz no meu blog e já exerci a função de contratar blogs para tal em uma agência. É uma remuneração por um trabalho para o blogueiro, é a compra da audiência (mesmo que micro) para o anunciante. Modelo de lucro da mídia tradicional, como da TV, que já está institucionalizado em nossa cultura, aplicado a um outro meio.
Digo isto porque acredito que o certo é um blog sempre identificar uma mensagem quando ela é publicitária. Eu fico preocupada, quando se fala em política, é mais com blogueiros influentes na área e com a falta de desconhecimento de tal prática por parte da grande maioria dos internautas. E se o pessoal se vender? Jabá em jornalismo é comum, imagina em blogs que, a princípio, têm menos compromissos éticos e nenhuma regulamentação?
Quem é “alfabetizado em blogs” sabe identificar quando é jabá. Se você acompanha alguém, também vai saber se o cara der uma opinião meio estranha… mas e os outros casos?
Só acho bom distinguir que nem todo post pago é jabá, assim como um publieditorial numa revista também não é.
Bom, eu queria era provocar reflexões, que bom que o assunto continuou sendo discutido.
Parabéns pelo blog!
Oi, Gisele,
Se entendi bem, a questão que diferencia, para você, é o “post pago” ser identificado como tal. É isso?
O complicado é que, sinceramente, acredito que a vasta maioria das empresas queira que os “posts pagos” contratados por elas soem espontâneos, naturais (virais…). Como se fossem de fato a opinião do blogueiro. E nesse caso, o cara não pode dizer que foi pago para escrever aquilo: a empresa espera que ele dê credibilidade à mensagem.
Além disso, supondo que uma minoria das empresas aceite que o post pago seja identificado como tal, acho que ainda há problemas sérios. O legal dos blogs é justamente serem veículos que podem estar livres das amarras das marcas, das grandes empresas, dos interesses estabelecidos — pois qualquer um pode montar um: não precisa ter uma concessão, ou uma pusta grana pra bancar um estúdio, uma emissora etc. Agora, se o blogueiro traz a publicidade para a coluna do meio (e consequentemente vende a sua voz, a sua opinião, o seu espaço), tudo isso se esvai: ele vira mais um “canal” para as marcas. Quando ele vai escrever um post, tem que pensar duas vezes: será que devo mesmo expressar uma opinião que talvez me impeça de ter mais “posts pagos” no futuro? Melhor eu não meter o pau na telecom que faz traffic shaping, não falar da marca que explora trabalho escravo na Ásia (ou no Bom Retiro, em São Paulo), não denunciar a “responsabilidade social” que é só fachada etc. Melhor nem reclamar da nova lei do prefeito — quem sabe numa próxima campanha ele quer contratar um post por aqui?
Sou totalmente contra, e acho sim um absurdo, embora não duvidasse que isso ocorria. Mas é legal ouvir esse relato de quem trabalha com publicidade, e que portanto confirma o meu temor: essa prática de fato já está disseminada.
Sim, Miguel, esta é a diferença que eu faço.
Eu entendo seu posicionamento, pensei assim no começo também, mas acabei mudando de opinião.
Sei de agências que querem que pareça espontâneo, mas a maior parte dos blogueiros que faz este tipo de trabalho não aceita estes termos. E algumas agências adaram quebrando a cara ao tentar passar por cima da opinião dos blogueiros. Veja:
http://www.futepoca.com.br/2008/02/o-marketing-viral-e-nike.html
Há um grande esforço de blogueiros que buscam a profissionalização dos blogs enquanto espaços de mídia publicitária. O intuito é que estes seus receios não se tornem realidade, mas, claro, assim como no jornalismo, pode acabar acontecendo.
Veja: http://papodehomem.com.br/campanha-pela-transparncia-online
Só acho complicado dizer que os blogs devem ser assim ou assado, afinal, como você coloca, qualquer pessoa pode fazer um e usar como achar melhor.
Não acho errado um blogueiro buscar formas de remuneração por um trabalho, embora não concorde com quem faz isto tentando enganar o leitor.
No meu caso como blogueira, por exemplo. Já recebi para divulgar algum produto o serviço. O critério é: achar o assunto interessante e buscar uma abordagem que eu faria mesmo que não fosse pago. Identifico para o leitor se o artigo é patrocinado já no título, quem me acompanha já sabe. Continuo postando sobre os assuntos que me interessam, sem me preocupar com possíveis anunciantes.
Recebo releases de assessorias algumas vezes e, se acho bacana, divulgo também, assim como acontece em qualquer redação.
No final das contas, o que eu quero dizer é que não vejo problemas em blogs serem veículos de mídia publicitária, acho muito romântica a idéia de que todos os blogs devem seguir certas premissas. Não acontece assim, mas também não há motivo para pânico. Não somos todos vendididos! Há espaço para blogs dos mais variados tipos e com certeza tanto agências e clientes como blogueiros e jornalistas crescemos com discussões como esta neste meio, que, no final das contas, continua tendo o potencial de ser mais democrático que a mídia de massa.
Abraços,
Por essa e outras que eu [quase que] só acesso blogs de escritores frustados que nunca serão publicados devido ao claro anticomercialismo de sua escrita…
Como diria o tiozão inglês louco do filme “Drum’n'Braz”:
“We don’t have to put on the mainstream, we have to make the underground bigger”
Concordo plenamente com a opinião da Gisele. O fato não está no romântismo. Na verdade, tal romântismo soa até um pouco ingênuo, já que atualmente muito se passa pela questão financeira.
Além disso, o uso de post pago, contanto que seja identificado e se não for o blogueiro já está se sujeitando a possíveis críticas e falta de audiência, também pode beneficiar aqueles que fazem de um blog um blog: a audiência. O dinheiro recebido muitas vezes é usado para uma melhor otimização do blog.
Vejamos por exemplo o WordPress. Um serviço gratuito que entrega ferramentas prontas de blog. Ótimo! Entretanto, caso deseje personalizar seu blogue já é necessário o pagamento de certa quantia. Ou mesmo pensando em volume de audiência, dependendo de quantos acessos diários um blog tem, é necessário hospedar o blog em um servidor próprio.
A meu ver, a própria evolução da internet passa por uma maior otimização do conteúdo e da sua diagramação. O sustentabilidade de um blog, que não deixa de ser um canal de troca de conhecimentos e referências, passa por uma questão de tempo demandado em prol de um bom conteúdo. Assim, o blogueiro necessita de uma segurança do investimento de tempo feito. A questão é até onde ele está disposto a ir em prol da qualidade do seu conteúdo e da confiança que a audiência tem nele.
E, por fim, nós a audiência sempre temos a escolha de entrar ou não entrar no blog. E isso faz a internet ser o que ela é.
sinceramente, não consigo pensar que as pessoas não têm uma opinião critica mesmo com os meios tradicionais. afinal, se vc vê algo que não te agrada, vc simplesmente muda de canal.
a internet “só” deu a ferramenta para reclamarmos instantaneamente, enquanto os meios tradicionais impera a abordagem unilateral.
fora essa questão, de resto legal o post.