O TSE/TRE e a estrutura social em rede

Com a proibição do Banner do blog do Pedro Dória em favor do Gabeira como prefeito do Rio, suspeita-se que o TRE/TSE não entenda muito de como funciona a internet. Então, ao invés de dar um dos muitos exemplos da web 2.0 sobre a estrutura social colaborativa, daremos um exemplo que talvez faça aos magistrados entender do que se trata essa nova forma de interação social.

Quando se vai a um espetáculo teatral, ao final do espetáculo as pessoas podem aplaudir, se gostaram dele. Podem aplaudir muito tempo ou pouco tempo. Podem gritar “bravo”, ou apenas aplaudir. Enfim, podem uma miríade de coisas. Mas tais ações só têm um efeito geral se feitas por muita gente. Porém, não é tão fácil controlar essas coisas. O que faz com que as pessoas aplaudam? Será que os donos do capital nunca pensaram em colocar algumas pessoas — a famosa claque — estrategicamente instalada, para incentivar os aplausos e os gritos de “bravo”? Tenho certeza que sim. Mas isso é ineficaz. Pois não é possível controlar algo que é tão descentralizado como o aplauso. Os aplausos do vizinho não são suficientes para que eu aplauda. É preciso que eu goste da peça. É preciso que seja autêntico.

Do mesmo modo acontece na internet. Um vídeo do youtube de um candidato não será visto pelas pessoas só porque um candidato tem muito dinheiro, e vai pagar para acessarem o vídeo e melhorar seu ranking entre os mais vistos. Do mesmo jeito que a claque não funciona no teatro. Um vídeo vira sucesso quando ele é sancionado pelo público, por meio de links nos blogs e sites, nas comunidades de relacionamento pessoal, nos e-mails, listas de discussão e salas de bate-bapo.

A internet funciona, cada vez mais, de forma virótica. E essa forma, por si só, coibe mais o poder econômico de influenciar o cidadão do que qualquer legislação existente no Brasil. Afinal, temos Globo, SBT, Folha, O Globo, Estadão, Jovem Pan, Veja, etc. A Marta, o Kassab e o Alckmin saem todo dia nos jornais. São notícias, dizem. Sim, são notícias, mas isso não reflete o poder econômico de alguns grupos? Quem escolheu que essas são as notícias relevantes? Não seria melhor se a escolha fosse coletiva por meio da colaboração ativa?

Na internet, pressupõe-se um sujeito crítico do que vê, ouve, lê. Um texto sem fontes, por exemplo, é logo suspeitoso. É preciso linkar os textos, para fortalecer sua credibilidade. As citações, antes restritas à prática científica, agora são fundamentais para um texto. E é desse modo que funcionam os mecanismos de buscas. Não à toa, por certo.

Em suma, a internet como meio de comunicação reduz o poder econômico de alguns grupos. E facilita que mais pessoas possam debater, deliberar e convecer outras pessoas. Há alguns exemplos no mundo. Por que não deixar esses exemplos chegarem aqui?

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