Por Mariana Almeida
O leilão da Hidroelétrica de Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia, foi arrematado pelo consórcio liderado pela franco-belga Suez Energy (que controla 50,1% do negócio), que ganhou assim o direito de construção da usina e de exploração do fornecimento da energia gerada (3.300 MW).
No mesmo dia em que os maiores jornais do país noticiavam uma suposta queda no preço da energia a ser distribuída (R$71,40 por megawatt/hora, contra o teto estabelecido pelo governo de R$91), nenhuma matéria questionava o controle de um empreendimento público do setor de energia brasileiro por uma empresa européia, envolvida com a privatização da água em todo o mundo – O grupo tem um histórico de conflitos em torno da qualidade na oferta de serviços de primeira necessidade.
Não obstante, o custo da obra, de R$ 8,7 bilhões, será financiado em 75% pelo BNDES. Além disso, a Caixa Econômica Federal poderá entrar com dinheiro do FGTS e a compra de máquinas, equipamentos e materiais de construção contará com incentivos fiscais.
Esta é a segunda usina no Rio Madeira, depois da de Santo Antonio (3.150 MW), cujos conflitos em torno do licenciamento ambiental terminaram gerando a divisão do IBAMA e um grande desgaste da ex-ministra Marina Silva perante os “desenvolvimentistas” do governo. Mas estas são apenas as etapas iniciais de um grande programa de construção de usinas hidroelétricas na Amazônia, cujas peças fundamentais são a Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará (11.182 MW), de grande impacto ambiental e nas áreas indígenas, prevista para ser leiloada no início de 2009, e a Usina de São Luiz, no Rio Tapajós, também no Pará (9.000 MW).
Mas a pergunta básica não é colocada em nenhum jornal: para que é necessário tanta energia na região amazônica?
Essa energia não será destinada aos grandes centros urbanos, nem para alimentar o parque industrial já instalado. A verdade é que os maiores consumidores de energia elétrica são empresas eletro-intensivas, como as de processamento de alumínio, exportadoras para o mercado externo. Esta energia será usada para exportar commodities mais baratas para a China. Portanto, tanta geração de energia a um enorme custo ambiental, social e econômico está totalmente voltado a reforçar a inserção subordinada do Brasil no mercado mundial.
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