Indústria farmacêutica financia ONGs

A industria farmaceutica repassa recursos a ONGs que \Uma matéria publicada hoje no jornal Folha de São Paulo relata a transferência de recurso de indústrias farmacêuticas para organizações não-governamentais de defesa dos pacientes. A principal fonte para essa informação é um relatório publicado pela ONG de “estimulo à participação das comunidades”, Essential Action, no dia 28 de abril desse ano.

O relatório foi feito no marco das discussões da OMS, sobre a mudança nos sistemas de patente e a possibilidade de ampliar o acesso aos medicamentos, sendo que, ainda segundo o jornal, o texto final (que já leva dois anos sendo estudado por um grupo de trabalho inter-governamental) pode ser votado ainda nesta semana.

O estudo da Essential Action foi feito sobre um manifesto enviado à OMS e assinado por 110 organizações de defesa dos pacientes, em que se defendia a manutenção do atual sistema de patentes. Segundo o estudo apresentado, 55% das organizações, 61 no total, 9 delas brasileiras, tem laços diretos com a indústria farmaçêutica (óbviamente a maior beneficiada com a manutenção do atual sistema). Incluo abaixo os brasileiros que assinaram o manifesto, suas organizações e os vínculos encontrados pela Essential Action:

  • Maira Caleffi (FEMAMA) – financiada por AstraZeneca e Roche
  • Candida Carvalheira (ABRASO) – financiada por Bristol Myers Squibb e equipamentos médicos Coloplast (as duas empresas anunciam no site da associação
  • Marilia Casseb (ABCâncer) – financiada pela Roche
  • Maria Cecilia Magalhães Pinto (CHESP) – financiada por corporações privadas e representada pela empresa de relações públicas Hill & Knowlton, que tem como outros clientes GlaxoSmithKline, Pfizer, Procter & Gamble e Roche.
  • Sérgio Metzger (ADJ) – financiado por Abbott, Becton Dickinson, Johnson & Johnson, Medtronic, Merck, Novo Nordisk, Roche e Sanofi-Aventis
  • Stella de Carli Cardoso de Oliveira (Lagrima Brasil) – financiada por Allergan, GlaxoSmithKline, Novartis, Alcon Brasil (equipamentos médicos) e Actelion (biofarmaceuticos)
  • Ana Maria Padovan (ABRALE) – financiada pela Roche
  • Tania Maria Pietrobelli (FBH) – financiada por Novo Nordisk
  • Juares Pires de Souza (ABRALE) – financiado pela Roche
  • Merula Steagall (ABRALE) – financiado pela Roche
  • Carlos Varaldo (Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite) – Carlos Varaldo é vice-diretor do World Hepatitis Alliance, fundado por Bristol Myers Squibb, Gilead Sciences, Janssen-Cilag, Novartis, Roche Laboratories e Schering-Plough
  • Cassia Regina Zappelini de Souza (CHESP) – financiada por corporações privadas e representada pela empresa de relações públicas Hill & Knowlton, que tem como outros clientes GlaxoSmithKline, Pfizer, Procter & Gamble e Roche.

Fica evidente que esse é mais um dos instrumentos das grandes indústrias farmacêuticas para empurrar seus produtos goela abaixo dos pacientes, pelo preço que queiram, sempre sob o argumento da necessidade de investir os imensos lucros que tem em pesquisa e desenvolvimento.

Já é hora de entendermos que as grandes corporações farmacêuticas funcionam contra o interesse social, e os mesmos cientistas brilhantes que desenvolvem medicamentos nelas, poderiam (e muitos até estão com recursos públicos para fins privados) desenvolver os medicamentos não sob uma grande corporação cuja finalidade última é o lucro, mas em universidades e institutos sem fins lucrativos. As indústrias farmacêuticas não vão parar, e nós não devemos parar de lutar contra elas.

Atualização (27/05/2008): OMS reconhece direito à quebra de patente

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